Fatores maternos durante a gravidez e o momento da puberdade na prole: uma revisão sistemática da literatura

Fonte: Journal of Pediatric & Adolescent Gynecology

Fatores maternos durante a gravidez e o momento da puberdade na prole: uma revisão sistemática da literatura Sobre o artigo  Este estudo é uma revisão sistemática que analisa a associação entre fatores maternos durante a gestação (excluindo exposições a desreguladores endócrinos ambientais) e o momento da puberdade em filhos e filhas. O momento puberal precoce tem sido cada vez mais comum globalmente, sendo associado a piores desfechos físicos, psicológicos e metabólicos. Segundo a hipótese de Origens do Desenvolvimento da Saúde e Doença (DOHaD), exposições adversas durante fases críticas do desenvolvimento fetal podem influenciar negativamente o eixo reprodutivo da prole. Métodos utilizados A revisão seguiu as diretrizes PRISMA e foi registrada na PROSPERO (CRD42023394102). Foram incluídos estudos observacionais em humanos, sem restrição de idioma ou ano. A busca foi realizada nas bases Medline, Embase, PsycINFO e Web of Science. O instrumento Newcastle–Ottawa Scale foi utilizado para avaliação da qualidade dos estudos. A síntese dos dados foi qualitativa (best-evidence synthesis), considerando número de estudos, qualidade metodológica e consistência dos achados. Resultados Foram incluídos 73 estudos (49 bases de dados únicas), predominantemente de países de alta renda. As principais exposições avaliadas foram: Fatores psicológicos: evidência insuficiente de associação. Estilo de vida (tabagismo, álcool, dieta, atividade física): Álcool e outras substâncias: forte evidência de ausência de associação. Tabagismo: evidência inconsistente; em meninos, há forte evidência de ausência de associação. Fatores nutricionais: Ganho de peso gestacional (GWG): forte evidência de associação positiva com puberdade precoce. IMC pré-gestacional: evidência insuficiente. Doenças endócrinas: Hipertensão gestacional e disfunção tireoidiana: forte evidência de ausência de associação. Diabetes, síndrome dos ovários policísticos, uso de esteroides: evidência insuficiente. Discussão A associação entre ganho de peso gestacional excessivo e puberdade precoce pode estar relacionada a alterações hormonais, epigenéticas e neuroendócrinas que afetam o eixo reprodutivo fetal. A revisão destaca a necessidade de mais estudos sobre fatores pouco explorados, como dieta materna, estresse e atividade física, especialmente em meninos e em países de baixa e média renda. O impacto do IMC pré-gestacional isoladamente ainda é inconclusivo, podendo interagir com o ganho de peso durante a gestação. Conclusão Há forte evidência de que ganho de peso gestacional excessivo está associado a antecipação da puberdade na prole. Por outro lado, fatores como álcool, outras substâncias, hipertensão gestacional e disfunção tireoidiana não se associam à puberdade precoce. Fatores como tabagismo, IMC pré-gestacional e diabetes materna requerem mais investigações. Os resultados reforçam a importância de um cuidado pré-natal focado em fatores modificáveis para otimizar a saúde reprodutiva dos filhos. Insights clínicos Ganho de peso gestacional elevado está associado à puberdade precoce na prole? Sim. Há forte evidência de que o ganho de peso acima do recomendado durante a gestação antecipa o início da puberdade em meninos e meninas. O tabagismo materno na gestação influencia a puberdade precoce? Em meninos, não. Em meninas, os resultados são inconclusivos, com estudos apontando associações em direções opostas. Existe associação entre IMC pré-gestacional e puberdade precoce? A evidência é insuficiente. Estudos apontam tanto associações positivas quanto ausência de relação. Doenças endócrinas maternas, como diabetes e hipertensão gestacional, influenciam o momento puberal? Não há associação entre hipertensão gestacional ou disfunção tireoidiana e puberdade. Para diabetes, a evidência é insuficiente. A exposição pré-natal ao álcool ou outras substâncias ilícitas antecipa a puberdade? Não. Há forte evidência de que tais exposições não influenciam o momento da puberdade. Fatores psicológicos maternos, como estresse, têm impacto sobre a puberdade dos filhos? A evidência é insuficiente para estabelecer uma associação clara. Para ver mais conteúdos como este, acesse: NeoPed Hub

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