Implementando triagem e aconselhamento para saúde mental e uso de substâncias em adolescentes

Fonte: American Academy of Pediatrics

Implementando triagem e aconselhamento para saúde mental e uso de substâncias em adolescentes Sobre o artigo  A prevalência de transtornos mentais e de uso de substâncias (MHSUD) em adolescentes norte-americanos tem aumentado nas últimas décadas, com agravamento durante a pandemia de COVID-19. Apesar das recomendações da US Preventive Services Task Force e da American Academy of Pediatrics, a implementação de estratégias preventivas em cuidados primários ainda é limitada devido a barreiras estruturais, logísticas e de capacitação profissional. Esta revisão sistemática visa identificar e avaliar estratégias de implementação que possam facilitar o rastreamento e o aconselhamento em saúde mental e uso de substâncias em contextos de atenção primária pediátrica. Métodos utilizados A revisão incluiu estudos comparativos publicados entre 2010 e 2024, focados em crianças e adolescentes (≤18 anos), que avaliaram estratégias de implementação para intervenções recomendadas. Foram incluídos ensaios clínicos randomizados (ECR), estudos quase-experimentais e séries temporais interrompidas. As estratégias foram classificadas em quatro abordagens principais: incorporação de profissionais de saúde mental, uso de colaborações em aprendizado (learning collaboratives), apoio a clínicos, e uso de tecnologia. A força da evidência foi avaliada segundo critérios GRADE. Resultados Foram incluídos 11 estudos que analisaram a implementação de rastreamento e/ou aconselhamento para depressão, risco de suicídio, transtornos alimentares, uso de substâncias e comportamentos de risco em geral. Principais achados: Abordagens multifacetadas, especialmente aquelas que combinam suporte clínico e tecnologia, mostraram melhora na taxa de rastreamento, resposta a rastreamento positivo e início de tratamento. Apoio ao clínico (ex: fornecimento de relatórios clínicos e lembretes) demonstrou evidência moderada a alta para aumento na prestação de aconselhamento a adolescentes em risco. Incorporação de profissionais de saúde mental não mostrou, de forma consistente, superioridade sobre estratégias menos intensivas. Evidência limitada ou ausente foi identificada para desfechos como aceitabilidade, sustentabilidade, qualidade de vida e equidade no acesso ao cuidado. Discussão Embora estratégias multifacetadas tenham se mostrado promissoras, sua efetividade variou de acordo com o contexto clínico, tipo de intervenção e recursos disponíveis. Estratégias como colaborações em aprendizado e suporte a clínicos requerem investimentos externos e podem não ser factíveis em clínicas isoladas. Além disso, algumas intervenções, embora aumentem o rastreamento, não garantem resposta adequada a resultados positivos. Isso evidencia a importância de alinhar as estratégias com a capacidade de resposta da equipe e o objetivo clínico (ex: manejo interno vs. encaminhamento especializado). Conclusão A implementação de estratégias organizadas e multifacetadas pode melhorar aspectos cruciais da identificação e manejo precoce de transtornos mentais e uso de substâncias em adolescentes na atenção primária. No entanto, há necessidade de mais estudos comparativos com foco em desfechos clínicos, sustentabilidade e equidade. Os profissionais e gestores devem considerar os objetivos do cuidado e os recursos locais ao selecionar estratégias de implementação. Insights clínicos  Quais estratégias são mais eficazes para aumentar o rastreamento de saúde mental em adolescentes? Estratégias de suporte ao clínico, como fornecimento de relatórios clínicos e lembretes, demonstraram aumento significativo no rastreamento e na resposta a casos positivos. A incorporação de profissionais de saúde mental nas equipes de atenção primária melhora os desfechos? Apesar de ser uma abordagem intensiva, os resultados foram mistos. Alguns estudos mostraram melhora no acesso à psicoterapia, enquanto outros não evidenciaram benefício adicional. Estratégias tecnológicas são úteis? Sim, especialmente quando combinadas com lembretes aos clínicos, resultando em maior aconselhamento e menor uso de substâncias em adolescentes de alto risco. Existe evidência sobre impacto na qualidade de vida ou redução de sintomas? A maioria dos estudos não avaliou diretamente qualidade de vida ou sintomas clínicos, limitando a compreensão sobre os benefícios clínicos diretos. Quais são as lacunas identificadas na literatura? Faltam estudos sobre sustentabilidade das estratégias, aceitabilidade por parte dos profissionais, e impacto em grupos vulneráveis, como crianças mais jovens ou minorias sociais. Para ver mais conteúdos como este, acesse: NeoPed Hub

Faça login para acessar o conteúdo
ou cadastre-se.ESQUECI MINHA SENHA

Aulas relacionadas

Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Este site é feito exclusivamente para profissionais de saúde.