Desempenho Diagnóstico dos Marcadores Inflamatórios Recomendados pela AAP em Lactentes Febris com 60 Dias ou Menos Sobre o artigo Infecções bacterianas invasivas (IBIs) ocorrem em aproximadamente 2% dos lactentes febris com até 60 dias de vida. Para avaliar o risco nesses pacientes, a diretriz da Academia Americana de Pediatria (AAP) de 2021 recomenda duas estratégias baseadas em marcadores inflamatórios (MIs): (1) procalcitonina (PCT) + contagem absoluta de neutrófilos (ANC); ou (2) temperatura máxima (Tmax) + ANC + proteína C reativa (CRP). No entanto, essas estratégias não haviam sido comparadas diretamente em um estudo multicêntrico até então. Métodos utilizados Foi realizada uma análise secundária dos dados do projeto REVISE II, uma iniciativa de melhoria da qualidade que incluiu lactentes entre 8 e 60 dias com febre ≥38 °C, atendidos em 106 unidades hospitalares dos EUA entre novembro de 2020 e outubro de 2022. Foram excluídos os pacientes com aparência clínica comprometida. As combinações de MIs foram avaliadas quanto à sensibilidade, especificidade, valor preditivo negativo (VPN) e razão de verossimilhança negativa (RVN) para detecção de IBI. Resultados Entre os 13.262 lactentes elegíveis, 12.846 realizaram hemocultura e foram incluídos na análise. Destes, 292 (2,3%) apresentaram IBI. Ambas as estratégias (PCT + ANC e Tmax + ANC + CRP) demonstraram alta sensibilidade (≥95%) e VPN (≥99,8%) em lactentes de 22 a 60 dias. A especificidade foi maior na combinação PCT + ANC (63,2%). Dois casos de meningite teriam sido classificados erroneamente como de baixo risco por cada uma das estratégias, mas ambos os pacientes foram hospitalizados. A adição de CRP à combinação PCT + ANC reduziu a especificidade. Discussão Este estudo multicêntrico valida as estratégias recomendadas pela AAP para estratificação de risco em lactentes febris de 22 a 60 dias, ampliando a aplicabilidade das evidências existentes. Ambas as abordagens mostraram excelente capacidade de exclusão de IBIs. A estratégia PCT + ANC oferece maior especificidade, podendo reduzir procedimentos invasivos e hospitalizações desnecessárias. No entanto, é necessária cautela, pois alguns casos de meningite podem ser erroneamente classificados como de baixo risco. Estudos futuros devem avaliar essas estratégias em lactentes entre 8 e 21 dias. Conclusão As estratégias da AAP baseadas em marcadores inflamatórios são eficazes para descartar infecções bacterianas invasivas em lactentes febris de 22 a 60 dias com boa aparência clínica. A combinação PCT + ANC apresenta maior especificidade e pode reduzir intervenções desnecessárias, embora casos raros de meningite possam não ser identificados por esses métodos. Insights clínicos (perguntas e respostas) Qual a melhor combinação de marcadores para identificar IBIs em lactentes febris com 22 a 60 dias? A combinação PCT + ANC apresentou a maior especificidade, mantendo alta sensibilidade e valor preditivo negativo. O uso dessas estratégias pode reduzir a necessidade de punção lombar? Sim. Ambas as estratégias permitem identificar com segurança lactentes com baixo risco de IBI, possibilitando evitar punções lombares desnecessárias. Há risco de casos de meningite serem classificados como de baixo risco? Sim. Dois casos de meningite foram erroneamente classificados como de baixo risco, mas ambos os pacientes foram hospitalizados, indicando que a avaliação clínica continua essencial. A adição de CRP melhora a performance da estratégia PCT + ANC? Não. A adição de CRP reduziu a especificidade da estratégia PCT + ANC, podendo levar a mais falsos positivos. É seguro aplicar essas estratégias em lactentes menores de 21 dias? Ainda não. O estudo destaca a necessidade de mais investigações sobre a aplicabilidade dessas estratégias em lactentes de 8 a 21 dias. Para ver mais conteúdos como este, acesse aqui.
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