Prevalência Global de Sobrepeso e Obesidade em Crianças e Adolescentes: Revisão Sistemática e Meta-análise (2000–2023) Sobre o artigo / Introdução A obesidade infantil é uma questão de saúde pública global com implicações clínicas e socioeconômicas duradouras. O objetivo deste estudo foi estimar a prevalência global de sobrepeso e obesidade em indivíduos com menos de 18 anos entre 2000 e 2023, além de avaliar fatores de risco e comorbidades associadas. Métodos utilizados Revisão sistemática e meta-análise baseada nas diretrizes MOOSE, com protocolo registrado na PROSPERO. Foram incluídos estudos observacionais (coorte, caso-controle e ensaios clínicos randomizados) que reportaram prevalência de sobrepeso, obesidade ou excesso de peso com base em IMC, segundo critérios da OMS, IOTF, CDC ou referências nacionais. A análise estatística utilizou modelo de efeitos aleatórios DerSimonian-Laird com transformação Free-Tukey double arcsine. Resultados Total de estudos incluídos: 2033 Participantes analisados: 45.890.555 Prevalência global de obesidade: 8,5% (IC 95%, 8,2–8,8) Prevalência global de sobrepeso: 14,8% Prevalência de excesso de peso (sobrepeso + obesidade): 22,2% A prevalência aumentou 1,5 vezes entre 2012–2023 em comparação com 2000–2011. A obesidade foi mais prevalente em países com IDH ≥ 0,8 e em regiões de alta renda. O pico de prevalência foi observado em Porto Rico (28,4%) e o menor em Vanuatu (0,4%). Maiores taxas de obesidade foram observadas em meninos (9,4%) em comparação às meninas (7,5%), e em crianças de escolas privadas. Obesidade esteve associada a maior risco de depressão (35,2%) e hipertensão (28,0%). Discussão O estudo evidenciou uma ascensão contínua da obesidade infantil globalmente, com grandes variações regionais influenciadas por fatores socioeconômicos, culturais e ambientais. Elementos como obesidade materna, inatividade física, tempo de tela elevado e ausência de rotina alimentar saudável (ex: pular o café da manhã) foram identificados como fatores de risco. Crianças com obesidade apresentam maior risco de comorbidades metabólicas e psicológicas. As diferenças entre países, mesmo entre os de alta renda, refletem padrões alimentares e níveis de urbanização distintos. Conclusão A cada cinco crianças ou adolescentes no mundo, um apresenta excesso de peso. A obesidade pediátrica está fortemente associada ao desenvolvimento socioeconômico, hábitos comportamentais e fatores familiares, exigindo intervenções multidisciplinares coordenadas entre profissionais de saúde, sistemas públicos e a sociedade. Insights clínicos (perguntas e respostas baseadas no artigo) Qual é a prevalência global atual de obesidade em crianças e adolescentes? 8,5% segundo dados agregados de mais de 45 milhões de indivíduos. Houve aumento da obesidade nas últimas décadas? Sim. Houve um aumento de 1,5 vezes na prevalência entre 2012–2023 em comparação com 2000–2011. Quais fatores estão mais associados à obesidade infantil? Sexo masculino, escolaridade privada, obesidade materna, sedentarismo, uso excessivo de tela, pular o café da manhã, número reduzido de refeições, tabagismo materno na gestação e sono insuficiente. Quais comorbidades foram mais prevalentes entre crianças com obesidade? Depressão (35,2%) e hipertensão (28,0%) foram as mais relevantes. Há disparidades regionais na prevalência? Sim. A prevalência varia de 0,4% (Vanuatu) a 28,4% (Porto Rico), sendo maior em países com IDH elevado e alta renda. Para ver mais conteúdos como este, acesse: NeoPed Hub
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