[AAP 2025] Highlights prevenindo alergias alimentares

por Jasmin Pacheco A alergia alimentar — e o medo dela na introdução alimentar — é um tópico sempre presente nos Congressos e não foi diferente no evento da American Academy of Pediatrics (AAP) de 2025, ocorrido entre 26/09 até 30/09 em Denver, Colorado (EUA). A aula abordou o conceito de alergia alimentar, estatísticas para fundamentar argumentos para pais contra mitos comuns, manejo da alergia à proteína do leite de vaca (APLV), prejuízos de se evitar alimentos alergênicos e sugestão de abordagem personalizada para pais de acordo com seu nível de ansiedade. E como prevení-las? Abaixo você confere um resumo do que vou abordado do tema nessa última semana: Evolução nas recomendações da IA 2000: era recomendado evitar alimentos alergênicos: sem leite até 1 ano, sem ovo até 2 anos, sem nuts ou frutos do mar até 3 anos. Se está grávida ou amamentando também não era recomendado 2008 - 2015: estudo LEAP → expor amendoim antes de 1 ano de idade reduziu 81% das alergias à amendoim. 2017: para pacientes com eczema ou alergia a ovo era recomendado testar para amendoim antes de oferecer. 2021 → recomendação atual: oferecer todos alimentos sem restrições e sem testar previamente. Desinformação Uma pesquisa de 2021 com mais de 3.000 pais nos EUA mostrou que cerca de 50% dos pais não sabiam ou não acreditavam que introduzir alimentos alergênicos antes dos 12 meses poderia diminuir o risco de alergia e 42% nunca discutiram o tema com seu pediatra, tema muito relevante para nossa prática médica. Foi reforçado que assunto precisa ser abordado nas consultas pediátricas. Condutas ultrapassadas x atuais: Bebês tem maior risco de reação grave → não há correlação de idade com gravidade. Rash e vômitos são a apresentação mais comum. Uma comida nova a cada 5,7 ou 21 dias → sem evidência para espaçar alimentos Esfregar o alimento na pele primeiro para ver se é alérgico → não tem evidência e pode causar dermatite por irritante não alérgico Alergias alimentares podem ocorrer a qualquer momento da vida → 92-95% das crianças NUNCA vão desenvolver alergia alimentar de vida, evitar esse tipo de “discurso terrorista” para os pais (palavras do próprio congresso); Atopia x exclusão de alimentos Não há evidência que excluir alimentos em pacientes atópicos para evitar alergias alimentares. Inclusive excluir alimentos de crianças atópicas causa mais dano (aumenta o risco de alergias alimentares pela não exposição). Além disso, a testagem prévia em pacientes atópicos pode vir falsamente positiva por sensibilização e não alergia. Dermatite perioral? Pacientes atópicos podem ter hiperemia perioral ao ingerir alimentos, porém sem sinais de alergia ou anafilaxia, em bom estado geral. Nesses casos, foi destacado ser apenas uma dermatite de contato, não sendo indicação de exclusão do alimento. Foi destacado que crianças em vigência de alergia alimentar ficam com aparência de doentes, prostradas, com sintomas como náuseas, vômitos, diarreia ou quadros mais graves de anafilaxia. E em relação à alergia a leite de vaca? Foi citado o guideline da World Allergy Organization (WAO) / DRACMA Guidelines de 2023: Apresentação clássica para suspeitar de APLV: sangue vermelho vivo nas fezes (proctocolite alérgica), geralmente nos primeiros 6-8 meses de vida. Na suspeita = exclusão de leite e derivados por 2-4 semanas. Se os sintomas resolverem com a exclusão = reintroduzir para ver se sintomas voltam. Se voltarem os sintomas = exclusão novamente e reavaliar em 6-12 meses. Se sintomas não melhoram com a exclusão inicial = buscar outros diagnósticos diferenciais. Excluir para sempre? A maioria das APLVs se resolve espontaneamente com 2-3 meses Sintomas NÃO associados a alergias alimentares Diversos sintomas são entitulados como alergia alimentar falsamente, como dor abdominal crônica, cefaleia, urticária crônica, dermatite de fralda, cólicas, entre outros. Fatores de risco Os principais fatores de risco para o desenvolvimento de alergias alimentares são a dermatite atópica (alto risco), o histórico familiar (baixo risco) e a idade de introdução dos alimentos (médio risco). → Embora bebês com eczema severo ou histórico familiar sejam considerados de alto risco, 60% dos novos diagnósticos de alergia alimentar ocorrem em crianças sem fatores de risco ou com eczema leve. Portanto, todos se beneficiam das estratégias de prevenção. Reações mais comuns As reações alérgicas mais comuns em bebês são urticária (manchas na pele) e vômitos (~80% dos casos). A anafilaxia como reação inicial é rara (~3%). Destaca-se que a idade do bebê não se correlaciona com a gravidade da reação. Prevenção de AA É recomendada a Introdução precoce de alimentos alergênicos + ingestão contínua desses alimentos + dieta diversificada. Atenção: Nenhuma estratégia médica é 100% eficaz. Em casos onde a alergia se desenvolve mesmo com a introdução precoce, o foco muda para o tratamento, que pode incluir imunoterapia oral ou biológicos. Marcha atópica A alergia alimentar pode ser precedida por eczema, considerando a marcha alérgica: Janela de oportunidades Introdução alimentar é janela de oportunidade de tolerância imunológica e evitar alergias alimentares: Idealmente 4-6 meses → recomendação de IA com 6 meses por sinais de prontidão Oferecer alimentos novos mesmo que depois da janela → melhor “antes tarde do que nunca”. Abordagem Personalizada Foi recomendado identificar o nível de ansiedade dos pais e adaptar a orientação da introdução alimentar. Pais altamente ansiosos, por exemplo, você pode oferecer introdução de alguns alimentos no seu consultório ou com alergista. Em pais não ansiosos, pode oferecer todos os alimentos, juntos, em casa. O mais importante e reforçado: O que NÃO orientar? Evite conselhos que geram medo, como "vá para o estacionamento do hospital para oferecer o alimento" ou "seu bebê não pode dormir por horas após comer". PARA DESTACAR COM OS PAIS: 92-95% das crianças NUNCA desenvolverá uma alergia alimentar, mesmo crianças atópicas.   Artigos destaques mencionados na aula: *Oykhman P, Dookie J, Al-Rammahy H, de Benedetto A, Asiniwasis RN, LeBovidge J, Wang J, Ong PY, Lio P, Gutierrez A, Capozza K, Martin SA, Frazier W, Wheeler K, Boguniewicz M, Spergel JM, Greenhawt M, Silverberg JI, Schneider L, Chu DK. Dietary Elimination for the Treatment of Atopic Dermatitis: A Systematic Review and Meta-Analysis. J Allergy

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