Problemas emocionais e comportamentais: em deficiência auditiva

Problemas emocionais e comportamentais em crianças e adolescentes com deficiência auditiva Sobre o artigo  Este estudo investigou os efeitos da deficiência auditiva (DA), mesmo quando tratada precocemente com dispositivos de amplificação sonora (aparelhos auditivos ou implantes cocleares), sobre o comportamento e as emoções de crianças e adolescentes. Embora a amplificação auditiva promova ganhos significativos na comunicação, ainda há preocupações sobre o desenvolvimento emocional e social desses pacientes. Métodos utilizados Estudo transversal descritivo com 127 crianças de 4 a 17 anos com diagnóstico de perda auditiva (71 com aparelhos auditivos e 56 com implantes cocleares), recrutadas no Egito. Foi utilizado o questionário Strength and Difficulty Questionnaire (SDQ), versão para pais, que avalia cinco domínios: problemas emocionais, problemas de conduta, hiperatividade/desatenção, problemas de relacionamento com pares e comportamento pró-social. Resultados Problemas de conduta foram mais comuns em crianças com perda auditiva moderada, sugerindo maior impacto comportamental neste grupo.  Crianças em idade escolar (6–12 anos) apresentaram problemas de relacionamento com pares em 86% dos casos.  Crianças mais velhas (12–18 anos) tiveram aumento significativo de sintomas emocionais (66,7%).  Não houve diferença significativa entre o tipo de dispositivo (aparelho auditivo vs. implante coclear) ou a lateralidade do uso (direito, esquerdo ou bilateral) nos escores emocionais ou comportamentais.  O tempo até a intervenção e a idade ao diagnóstico foram fatores preditores importantes de dificuldades comportamentais.  Crianças do sexo masculino apresentaram maiores escores de conduta e hiperatividade/inatenção.  Discussão Apesar do uso precoce de dispositivos auditivos, os participantes ainda demonstraram níveis elevados de problemas comportamentais e emocionais em comparação com crianças ouvintes. Crianças com DA moderada apresentaram mais condutas problemáticas, possivelmente devido a atraso no diagnóstico e intervenção. Crianças mais novas tendem a sofrer mais com exclusão social, enquanto adolescentes internalizam mais os sintomas, com maior prevalência de ansiedade e depressão. Esses achados destacam a importância de acompanhamento psicossocial contínuo, independentemente da gravidade da perda auditiva ou do tipo de dispositivo utilizado. Conclusão A presença de problemas emocionais e comportamentais persiste em crianças com deficiência auditiva, mesmo após intervenção auditiva precoce. O impacto é maior em crianças com DA moderada e em determinadas faixas etárias, especialmente no início da vida escolar e adolescência. O momento do diagnóstico e a intervenção precoce são determinantes para o desfecho psicossocial. Intervenções multidisciplinares devem incluir suporte psicológico contínuo para crianças e famílias. Insights clínicos  Crianças com deficiência auditiva leve a moderada têm maior risco comportamental do que aquelas com perda severa ou profunda? Sim. Crianças com perda auditiva moderadamente severa apresentaram mais problemas de conduta, possivelmente devido a diagnóstico e intervenção tardios. A idade influencia os tipos de transtornos emocionais/comportamentais observados? Sim. Crianças em idade escolar apresentaram mais dificuldades com colegas, enquanto adolescentes mostraram mais sintomas internalizantes (ex: ansiedade e depressão). O tipo de dispositivo auditivo altera os resultados emocionais ou comportamentais? Não. Não foram observadas diferenças significativas entre usuários de aparelhos auditivos e implantes cocleares. A lateralidade do uso do dispositivo (direito, esquerdo ou ambos) impacta o comportamento? Não. Embora o uso bilateral tenha mostrado melhor desempenho clínico, a diferença não foi estatisticamente significativa. Qual fator clínico mais se associa a maiores dificuldades emocionais e comportamentais? A idade ao diagnóstico e o tempo até a intervenção auditiva foram os principais preditores de problemas emocionais e comportamentais. Meninas têm menos risco de hiperatividade e problemas de conduta em comparação aos meninos com DA? Sim. O sexo feminino foi associado a menores escores de conduta e hiperatividade. Para ver mais conteúdos como este, acesse: NeoPed Hub

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