Revisão sobre Ingestão de Baterias Tipo Botão em Crianças: Diagnóstico e Manejo

Revisão sobre Ingestão de Baterias Tipo Botão em Crianças: Diagnóstico e Manejo Sobre o artigo O artigo apresenta uma revisão abrangente sobre ingestão de baterias tipo botão (BB) na população pediátrica, abordando epidemiologia, fisiopatologia da lesão, achados de imagem, complicações e estratégias de manejo. O aumento da produção e uso doméstico dessas baterias tem sido acompanhado por crescimento significativo nas ingestões e nas complicações associadas. Dados do National Poison Data System demonstram aumento de 66,7% na taxa anual de ingestões entre 1999 e 2019, além de aumento de dez vezes nas complicações. Crianças menores de 6 anos representam mais de 77% dos casos. O artigo enfatiza a importância do reconhecimento precoce, remoção urgente quando impactada no esôfago e acompanhamento por imagem para detecção de complicações precoces e tardias. Métodos utilizados Trata-se de um artigo de revisão narrativa. Os autores compilaram dados epidemiológicos, fisiopatológicos, clínicos e radiológicos provenientes da literatura existente, incluindo diretrizes de sociedades científicas (NASPGHAN, ESPGHAN e diretrizes alemãs), estudos observacionais e relatos de casos. Foram revisadas modalidades de imagem (radiografia, esofagograma, tomografia computadorizada e ressonância magnética), algoritmos de manejo e recomendações pós-remoção endoscópica. Resultados A lesão esofágica ocorre principalmente por geração de corrente elétrica no polo negativo da bateria, com formação de hidróxido e necrose tecidual rápida. Lesões visíveis podem surgir em 15 minutos e complicações graves em até 2 horas. Baterias ≥20 mm estão associadas à maioria das complicações graves ou fatais (92,1%). A radiografia simples em incidências frontal e lateral é o exame inicial de escolha, caracteristicamente mostrando o sinal do duplo contorno (double ring sign). A identificação do polo negativo é relevante para prever estruturas em risco. As principais complicações incluem: Ulceração e perfuração esofágica Estenose esofágica Fístula traqueoesofágica Fístula aorto-esofágica Mediastinite Espondilodiscite Pneumomediastino e pneumotórax A tomografia e a ressonância magnética são úteis na avaliação de complicações pós-remoção. A RM pode demonstrar edema periesofágico persistente por até 10–14 dias e o chamado artefato de “blooming”, associado à área de impactação. A preservação do plano gorduroso entre esôfago e traqueia apresenta alto valor preditivo negativo para fístula traqueoesofágica. Discussão O fator prognóstico mais importante é o tempo até a remoção. Impactações esofágicas devem ser removidas imediatamente por endoscopia. A administração precoce de mel ou sucralfato pode reduzir a progressão da lesão antes da chegada ao hospital, com ressalva para risco de botulismo em lactentes. O manejo de baterias além da junção gastroesofágica permanece controverso. A NASPGHAN recomenda manejo conservador em pacientes assintomáticos; diretrizes alemãs sugerem endoscopia mesmo quando a bateria já se encontra no estômago. Não há consenso quanto ao protocolo ideal de imagem pós-remoção. ESPGHAN recomenda TC com contraste ou RM para investigação de complicações vasculares e fístulas. Estudos de RM seriada sugerem acompanhamento semanal até regressão do edema. O artigo também aborda estratégias preventivas, incluindo a Reese’s Law (2022), exigindo embalagens com maior segurança e alertas obrigatórios. Conclusão A ingestão de bateria tipo botão constitui emergência pediátrica potencialmente fatal. A remoção esofágica imediata é determinante para o prognóstico. A avaliação por imagem é essencial tanto no diagnóstico inicial quanto na identificação de complicações precoces e tardias. O acompanhamento deve ser individualizado, com abordagem multidisciplinar envolvendo pediatria, gastroenterologia, cirurgia e radiologia. Estratégias de prevenção e educação são fundamentais para redução da incidência. Insights clínicos Em quanto tempo a bateria pode causar lesão significativa? Lesões visíveis podem ocorrer em 15 minutos, e complicações graves podem iniciar em até 2 horas após a ingestão. Qual é o principal mecanismo de lesão? Geração de corrente elétrica no polo negativo com formação de hidróxido e necrose alcalina tecidual. Qual tamanho de bateria está mais associado a complicações graves? Baterias com diâmetro ≥20 mm estão associadas à maioria das complicações graves e fatais. Qual exame inicial deve ser solicitado? Radiografia de tórax em incidências frontal e lateral, podendo incluir pescoço e abdome se necessário. A ausência de sintomas exclui gravidade? Não. Ingestões não testemunhadas podem permanecer assintomáticas até o surgimento de complicações graves. Quando indicar TC ou RM após remoção? Quando houver suspeita de complicações vasculares, fístulas, lesão profunda ou ingestão prolongada (>12 horas), mesmo na ausência de sintomas. Qual fator é mais determinante para o prognóstico? Tempo até remoção da bateria impactada no esôfago. A proximidade do edema às estruturas vasculares prediz complicação? Não necessariamente. Estudos demonstram que edema pode persistir por semanas sem evolução para fístula, embora exija monitoramento rigoroso. Para ver mais conteúdos como este, acesse: NeoPed Hub

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