Sucesso na Primeira Tentativa de Cateter Intravenoso Periférico com Ultrassom versus Técnica Convencional: Resultados do Estudo Randomizado EPIC Sobre o artigo A punção venosa periférica (PIVC) é um procedimento frequente e muitas vezes desafiador em pediatria, com taxa de sucesso inferior a 50% na primeira tentativa. O insucesso leva a atrasos no tratamento, dor, ansiedade e impacto negativo na experiência hospitalar da criança. O uso do ultrassom (USG) tem se mostrado promissor para melhorar a acurácia da inserção, especialmente em pacientes com acesso venoso difícil (DIVA). No entanto, sua eficácia em crianças com risco baixo ou moderado ainda era incerta. Este estudo visa comparar o sucesso da inserção na primeira tentativa entre a técnica guiada por ultrassom e a técnica convencional, independentemente do risco DIVA. Métodos utilizados Estudo clínico randomizado, aberto, pragmático e de superioridade, realizado em hospital pediátrico quaternário australiano entre julho de 2021 e dezembro de 2022. Foram incluídas crianças de 0 a 18 anos necessitando de PIVC. Os participantes foram randomizados 1:1 para receber inserção guiada por ultrassom ou técnica padrão (palpação/visualização). A randomização foi estratificada por risco DIVA (baixo, médio, alto). O desfecho primário foi sucesso na primeira tentativa. Análise estatística por intenção de tratar. Resultados Foram incluídas 164 crianças (mediana de idade: 24 meses), sendo 84 no grupo USG e 80 no grupo padrão. O sucesso na primeira tentativa foi significativamente maior no grupo USG (85,7%) versus o grupo padrão (32,5%), com diferença de risco absoluta de 53,6% (IC95%: 41,7–65,4; p<0,001). A superioridade do USG foi observada em todas as categorias de risco DIVA: Baixo risco: +30,8% Médio risco: +56,2% Alto risco: +69,6% O número de tentativas foi menor com USG, bem como a necessidade de trocar a técnica após falha. A dor autorreferida foi menor no grupo USG em crianças ≥8 anos. A satisfação de pacientes e responsáveis foi maior no grupo USG. O custo por inserção foi levemente maior com USG (diferença média: A$9,33). Discussão Este é o primeiro estudo randomizado pediátrico com estratificação por risco DIVA que demonstra claramente a superioridade da punção venosa periférica guiada por ultrassom em todas as faixas de risco. Os resultados reforçam que o uso do USG não deve ser limitado a pacientes de alto risco. O treinamento de clínicos generalistas em USG é viável e benéfico. Apesar do custo marginalmente maior, os benefícios clínicos superam as desvantagens. A implementação ampla pode melhorar a experiência hospitalar pediátrica, reduzir complicações e aumentar a eficiência clínica. Conclusão A técnica de inserção de PIVC guiada por ultrassom foi significativamente superior à técnica padrão na taxa de sucesso na primeira tentativa, independentemente do risco DIVA. Esses achados sustentam a adoção ampla do ultrassom para punção venosa periférica em crianças hospitalizadas. Insights clínicos O uso do ultrassom melhora a taxa de sucesso na primeira tentativa de punção venosa periférica em crianças? Sim. A técnica guiada por ultrassom apresentou taxa de sucesso de 85,7% contra 32,5% da técnica convencional. O benefício do ultrassom é observado mesmo em crianças sem DIVA? Sim. Houve melhora significativa nas taxas de sucesso mesmo em pacientes classificados como baixo risco. A técnica USG reduz o número de tentativas de punção? Sim. O grupo USG necessitou de menos tentativas para inserção bem-sucedida. Há impacto na experiência do paciente com o uso do ultrassom? Sim. Crianças ≥8 anos relataram menos dor e os pais expressaram maior satisfação com o procedimento. O uso do ultrassom é mais caro? Sim, há um custo adicional médio de A$9,33 por inserção, principalmente relacionado ao uso do equipamento de ultrassom. A técnica USG é aplicável por clínicos generalistas? Sim. Mesmo em um modelo com insertores generalistas, os benefícios da técnica guiada por ultrassom foram observados. Para ver mais conteúdos como este, acesse: NeoPed Hub
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