Trajetórias de uso aditivo de telas e sua associação com comportamentos suicidas e saúde mental em adolescentes norte-americanos Sobre o artigo O aumento do uso de redes sociais, celulares e videogames por crianças e adolescentes tem gerado preocupações quanto ao seu impacto na saúde mental. A maioria das pesquisas anteriores focou no tempo total de tela, não no padrão longitudinal de uso aditivo. Este estudo teve como objetivo identificar trajetórias de uso aditivo dessas tecnologias e suas associações com ideação suicida, comportamentos suicidas e sintomas de saúde mental em adolescentes dos EUA. Métodos utilizados Estudo de coorte com dados do Adolescent Brain Cognitive Development Study (2016–2022), abrangendo 21 locais nos EUA. Foram analisadas trajetórias de uso aditivo de redes sociais, celulares e videogames entre os anos 2 e 4 do acompanhamento, utilizando instrumentos validados. Os desfechos incluíram ideação e comportamentos suicidas, além de sintomas internalizantes e externalizantes, medidos por escalas padronizadas. Modelos mistos e regressões de Poisson foram utilizados para análise estatística, ajustados para variáveis sociodemográficas e clínicas basais. Resultados A amostra incluiu 4.285 participantes com idade média de 10 anos, sendo 47,9% do sexo feminino. Identificaram-se três trajetórias de uso aditivo para redes sociais e celulares (alta, crescente, baixa) e duas para videogames (alta e baixa). 31,3% apresentaram trajetória crescente de uso aditivo de redes sociais 24,6% para celulares 41,1% apresentaram uso aditivo alto de videogames As trajetórias altas ou crescentes foram consistentemente associadas a maior risco de: Comportamentos suicidas (ex: RR 2,14 para uso crescente de redes sociais) Ideação suicida (ex: RR 1,50 para uso alto de celulares) Sintomas internalizantes (ex: +2,03 pontos para uso alto de videogames) Sintomas externalizantes (ex: +1,05 pontos para uso crescente de redes sociais) O tempo total de tela basal não esteve associado aos desfechos de saúde mental. Discussão As trajetórias de uso aditivo, especialmente crescentes ou sustentadamente altas, representam um risco significativo para a saúde mental de adolescentes, mais do que o tempo total de exposição às telas. Esses padrões indicam um perfil comportamental compulsivo, distinto da simples frequência de uso. O estudo reforça a necessidade de monitoramento contínuo e de estratégias clínicas específicas para rastreamento de uso aditivo e intervenções personalizadas em populações pediátricas. Conclusão Trajetórias crescentes ou altas de uso aditivo de redes sociais, celulares ou videogames foram comuns e associadas a maior risco de ideação e comportamento suicida, bem como a piores desfechos em saúde mental. O uso total de tela por si só não foi um preditor significativo. O uso aditivo deve ser considerado uma variável independente e clinicamente relevante na avaliação do risco psiquiátrico em adolescentes. Insights clínicos O que é mais importante monitorar: tempo total de tela ou uso aditivo? O uso aditivo — caracterizado por compulsão, sofrimento e dificuldade de parar — mostrou-se muito mais relevante do que o tempo total de tela para prever risco de suicídio e sintomas psiquiátricos. Quais plataformas estão mais associadas ao risco de suicídio? Redes sociais e celulares com uso aditivo crescente ou alto tiveram os maiores riscos associados a ideação e comportamento suicida. Existe diferença por tipo de sintoma? Sim. Uso aditivo de redes sociais esteve mais ligado a sintomas externalizantes (como agressividade), enquanto o uso aditivo de videogames mostrou maior relação com sintomas internalizantes (como depressão e ansiedade). Em que faixa etária os padrões de risco se manifestam? Aos 11 anos, já se observa início de trajetórias crescentes de uso aditivo, que se intensificam até os 14-15 anos. O uso aditivo é influenciado por fatores sociodemográficos? Sim. Adolescentes de famílias com menor renda, pais não casados e menor escolaridade apresentaram maior probabilidade de integrar trajetórias de uso aditivo. Para ver mais conteúdos como este, acesse: NeoPed Hub
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