Uso de Radiografia de Tórax em Exacerbações de Asma Pediátrica

Fonte: American Academy of Pediatrics

Uso de Radiografia de Tórax em Exacerbações de Asma Pediátrica Sobre o artigo  A exacerbação de asma é uma das principais causas de atendimento em departamentos de emergência pediátrica. Apesar das diretrizes internacionais recomendarem não realizar radiografia de tórax (CXR) rotineiramente nesses pacientes, o exame ainda é frequentemente solicitado. A baixa prevalência de pneumonia nessa população e o reduzido impacto do exame na mudança de conduta clínica tornam essa prática potencialmente um exemplo de cuidado de baixo valor, podendo aumentar custos, exposição à radiação e uso desnecessário de antibióticos. Diante desse cenário, o estudo teve como objetivo avaliar tendências temporais, variação entre hospitais e fatores associados à solicitação de radiografia de tórax em crianças com exacerbação de asma atendidas em departamentos de emergência pediátrica nos Estados Unidos, além de investigar possíveis desfechos clínicos relacionados a essa prática. Métodos utilizados Trata-se de um estudo observacional multicêntrico retrospectivo utilizando dados do banco Pediatric Health Information System (PHIS), que reúne informações de hospitais pediátricos terciários nos Estados Unidos. Foram incluídos pacientes: Idade entre 2 e 18 anos Atendimento em emergência entre 2016 e agosto de 2024 Diagnóstico de asma ou exacerbação de asma Uso de albuterol durante a visita ao pronto-socorro ou no primeiro dia de hospitalização Foram excluídos: Pacientes com condições crônicas complexas Transferências de outros hospitais Pacientes sem tratamento broncodilatador no atendimento A análise incluiu: Avaliação das tendências anuais de uso de radiografia Variabilidade entre hospitais Identificação de fatores associados ao uso de CXR por regressão logística multivariada Avaliação de desfechos clínicos associados ao nível de uso do exame (pneumonia, internação, custos, retorno ao pronto-socorro em 3 dias) No total foram analisados 650.047 atendimentos, correspondendo a 388.313 pacientes únicos. Resultados A radiografia de tórax foi realizada em 145.059 atendimentos (22,3%). Principais achados: Tendência temporal Não houve redução significativa no uso global de CXR entre 2016 e 2024. Houve queda apenas no subgrupo com diagnóstico de pneumonia. Diferença conforme gravidade Radiografia foi mais comum em pacientes hospitalizados (30,1%) comparado aos que receberam alta da emergência (19,6%). Variação entre hospitais Grande heterogeneidade entre instituições: 13,1% a 37,7% dos atendimentos com CXR. Fatores associados ao maior uso de radiografia Idade mais jovem (2–5 anos) Sexo feminino Raça branca Seguro privado Apresentação no inverno Atendimento em dias de semana Desfechos clínicos associados Hospitais com maior uso de radiografia apresentaram: Maior diagnóstico de pneumonia Maior taxa de retorno ao pronto-socorro em 3 dias Por outro lado, não houve associação significativa com: Taxa de internação Tempo de internação Custos hospitalares. Discussão O estudo demonstrou que o uso de radiografia de tórax em exacerbações de asma pediátrica permanece frequente e altamente variável entre hospitais, mesmo décadas após recomendações contrárias ao seu uso rotineiro. Alguns pontos importantes: A variabilidade institucional sugere influência de práticas locais, e não apenas características clínicas. O maior número de diagnósticos de pneumonia em hospitais com maior uso de CXR pode refletir rotulagem diagnóstica induzida pela imagem, potencialmente levando a overtreatment e uso desnecessário de antibióticos. Diferenças relacionadas a raça e status socioeconômico indicam possíveis desigualdades na utilização de exames. Durante a pandemia de COVID-19 houve redução temporária do uso de radiografia, sugerindo que mudanças de prática são possíveis quando há incentivo sistêmico. Os autores destacam a necessidade de: protocolos padronizados ferramentas de suporte à decisão clínica benchmarking entre hospitais estratégias para reduzir exames de baixo valor. Também sugerem investigação de métodos alternativos como ultrassom pulmonar, que evita radiação. Conclusão A radiografia de tórax continua sendo frequentemente utilizada em crianças com exacerbação de asma atendidas em emergências pediátricas, com grande variação entre hospitais e ausência de redução significativa ao longo dos anos. Maior utilização do exame está associada a maior diagnóstico de pneumonia e maior retorno ao pronto-socorro, sem benefícios claros em internação, duração da hospitalização ou custos. Esses achados reforçam a necessidade de estratégias direcionadas para reduzir exames desnecessários e promover cuidado pediátrico baseado em evidências e equitativo. Insights clínicos  A radiografia de tórax deve ser solicitada rotineiramente na exacerbação de asma pediátrica? Não. Diretrizes recomendam evitar radiografia rotineira, pois raramente altera a conduta clínica. Qual a frequência de uso da radiografia nesse cenário? Cerca de 22% das visitas ao pronto-socorro para exacerbação de asma incluíram radiografia de tórax. Existe variação entre hospitais? Sim. A taxa variou amplamente entre instituições, de 13% a 38%, indicando influência de práticas locais. Quais pacientes têm maior probabilidade de realizar radiografia? Crianças mais jovens, do sexo feminino, de raça branca, com seguro privado e atendidas no inverno. Maior uso de radiografia melhora desfechos clínicos? Não. Hospitais com maior uso apresentaram mais diagnósticos de pneumonia e mais retornos ao pronto-socorro, sem melhora em internações ou custos. O que pode reduzir exames desnecessários? Protocolos clínicos padronizados, suporte eletrônico à decisão médica e monitoramento institucional de indicadores de qualidade. Para ver mais conteúdos como este, acesse: NeoPed Hub

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