O uso de tecnologia por pais na presença dos filhos e seu impacto na primeira infância

Uso de Tecnologia pelos Pais na Presença da Criança e seus Efeitos na Saúde e no Desenvolvimento Infantil: Revisão Sistemática e Meta-análise Sobre o artigo Este estudo aborda o uso de tecnologia por pais ou cuidadores na presença de crianças pequenas (PTU – Parental Technology Use), fenômeno também conhecido como “technoference”. O crescente envolvimento dos pais com dispositivos eletrônicos durante interações com seus filhos é uma preocupação relevante, dado seu potencial impacto negativo no desenvolvimento infantil. O objetivo do estudo foi sintetizar evidências sobre associações entre o PTU e múltiplos domínios do desenvolvimento em crianças de 0 a 4,9 anos, incluindo cognição, comportamento psicossocial, tempo de tela, atividade física, sono e desenvolvimento motor. Métodos utilizados Foi realizada uma revisão sistemática e meta-análise com base nas diretrizes PRISMA, registrada no PROSPERO (CRD42023418164). A busca abrangeu oito bases de dados (MEDLINE, CINAHL, SPORTDiscus, PsycINFO, PsycArticles, Web of Science, Scopus e ProQuest), desde a sua criação até julho de 2024. Foram incluídos estudos observacionais e experimentais que investigaram a associação entre PTU e desfechos de saúde/desenvolvimento infantil em crianças saudáveis menores de 5 anos. A análise estatística utilizou modelos de efeitos aleatórios, com extração de coeficientes de correlação e análise de heterogeneidade (I²). Resultados Foram incluídos 21 estudos com 14.900 participantes de 10 países. As principais associações encontradas foram: Cognição: associação negativa pequena (r = −0,14)  Comportamentos internalizantes (ex: ansiedade): associação positiva (r = 0,13)  Comportamentos externalizantes (ex: agressividade): associação positiva (r = 0,15)  Comportamento pró-social: associação negativa (r = −0,08)  Apego: associação negativa (r = −0,10)  Tempo de tela da criança: associação positiva (r = 0,23)  Não foram encontradas associações com desenvolvimento motor, atividade física ou sono, pois esses desfechos não foram investigados nos estudos incluídos. O tipo de exposição ao PTU (distração vs. interrupção) não apresentou efeito moderador significativo. Discussão O estudo revela que o uso de tecnologia pelos pais na presença das crianças está associado a prejuízos discretos, mas estatisticamente significativos, especialmente em domínios cognitivos e psicossociais. Interações parentais de baixa qualidade, resultantes da distração digital, podem comprometer o desenvolvimento de habilidades cognitivas iniciais, apego seguro e comportamento sócio-emocional. Além disso, o PTU pode incentivar maior tempo de tela na criança, tanto por modelagem quanto por substituição de interações ativas por passivas. A ausência de estudos sobre atividade física, sono e desenvolvimento motor representa uma importante lacuna científica. Conclusão O uso de tecnologia pelos pais na presença de crianças pequenas está associado negativamente a aspectos do desenvolvimento cognitivo, emocional, comportamental e ao aumento do tempo de tela infantil. Os efeitos são pequenos, porém consistentes. São necessárias futuras pesquisas longitudinais e experimentais para investigar com maior precisão os mecanismos subjacentes e ampliar o foco para domínios pouco explorados, como sono, atividade física e desenvolvimento motor. Insights clínicos  O uso de tecnologia pelos pais pode afetar o desenvolvimento cognitivo da criança? Sim. A revisão encontrou uma associação negativa entre PTU e cognição infantil, sugerindo que o uso frequente de tecnologia por pais pode prejudicar o desenvolvimento de funções executivas e autorregulação nas crianças. Quais comportamentos infantis estão mais associados ao uso parental de tecnologia? Foram identificadas associações com aumento de comportamentos internalizantes (como ansiedade) e externalizantes (como agressividade), além de redução no comportamento pró-social. O tempo de tela das crianças está relacionado ao uso de tecnologia pelos pais? Sim. Crianças cujos pais usam mais tecnologia na presença delas tendem a ter maior tempo de tela, possivelmente por modelagem comportamental ou substituição de interações. Existe diferença entre ser interrompido ou estar distraído com o celular na interação com a criança? Não. A meta-análise não identificou diferenças significativas entre os tipos de PTU (distração ou interrupção) quanto ao impacto nos desfechos infantis. Que lacunas ainda existem na literatura sobre esse tema? Faltam estudos que investiguem os efeitos do PTU no desenvolvimento motor, atividade física e sono em crianças pequenas, bem como estudos longitudinais que identifiquem causalidade. Para ver mais conteúdos como este, acesse: NeoPed Hub

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