Objetivo do estudo
Avaliar a evolução do uso da profilaxia antirretroviral pós-natal e a incidência de infecção perinatal por HIV em recém-nascidos com cobertura pelo Medicaid nos Estados Unidos.
Metodologia
Estudo retrospectivo com dados do banco IBM MarketScan Multi-State Medicaid, 2009–2021.
Inclusão: 3.186.828 recém-nascidos, dos quais 2.304 receberam profilaxia ARV.
Avaliação de:
Tipo de profilaxia (zidovudina isolada vs. esquemas com múltiplas drogas).
Incidência de infecção por HIV até 12 meses.
Variações por raça, etnia e ano.
Principais achados
Mudança nos regimes de profilaxia:
Em 2009, 92,4% receberam zidovudina isolada.
Em 2021, esse número caiu para 71,7%, com aumento no uso de:
Esquemas duplos: 14,2%.
Esquemas triplos: 14,1%.
A mudança reflete adoção gradual das diretrizes do HHS, que recomendam múltiplos ARVs para exposições de maior risco.
Casos de infecção por HIV:
52 casos de infecção perinatal por HIV identificados.
Mais da metade não recebeu qualquer profilaxia ARV.
Maioria dos casos em bebês negros não hispânicos, sugerindo falhas na detecção do HIV materno e desigualdade no acesso ao pré-natal adequado.
A profilaxia foi altamente eficaz quando administrada — quase todos os casos de infecção ocorreram em bebês sem profilaxia.
O uso de esquemas com múltiplos fármacos está aumentando, mas ainda não é universal.
Discussão e implicações clínicas
O sucesso da profilaxia depende diretamente do diagnóstico pré-natal oportuno do HIV materno.
Bebês expostos devem receber esquema apropriado conforme nível de risco materno e histórico de tratamento.
O uso crescente de esquemas triplos exige monitoramento rigoroso de segurança e efeitos adversos.
Recomendações práticas
Reforçar testagem universal para HIV na gestação e no terceiro trimestre, especialmente em áreas de alta prevalência.
Implementar protocolos padronizados para indicação de esquemas ARV neonatais.
Monitorar efetividade e segurança de regimes com múltiplas drogas.
Endereçar disparidades raciais e sociais que impactam o acesso a diagnóstico e prevenção do HIV perinatal.
A profilaxia ARV é altamente eficaz — mas só se aplicada. O desafio é garantir diagnóstico materno precoce, acesso equitativo e adesão às diretrizes atualizadas.
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