Objetivo do artigo
Revisar as práticas atuais no manejo de crises febris em crianças, abordando critérios diagnósticos, abordagem inicial, exames complementares, prevenção de recorrência e educação dos cuidadores.
Conceitos fundamentais
Definição:
Crise febril: convulsão com febre (>38°C) em crianças de 6–60 meses, sem infecção SNC ou causas metabólicas.
Classificação:
Simples: generalizada, duração <15 min, 1 episódio em 24h.
Complexa: focal, >15 min, ou recorrente em 24h.
Manejo inicial
A maioria das crises cessa espontaneamente em 1–2 minutos.
Se >5 min, considerar benzodiazepínico (midazolam intranasal ou diazepam retal).
Após a crise: avaliar sinais clínicos de gravidade e estado pós-ictal.
Não é necessário internação se a criança estiver assintomática, alerta e com causa febril identificada.
Exames complementares
Punção lombar: indicada apenas se suspeita de meningite, especialmente <12 meses ou sem vacinação completa.
EEG ou neuroimagem: não recomendados após crises simples.
Laboratório conforme quadro infeccioso associado, não como rotina.
Prevenção de recorrência
Não recomendado o uso contínuo de anticonvulsivantes (risco > benefício).
Uso intermitente de diazepam oral ou retal durante febre pode ser considerado em:
Recorrências frequentes.
Crises prolongadas.
Medo parental extremo.
Aconselhamento aos pais
Reforçar o caráter benigno e autolimitado da crise febril.
Explicar a baixa chance de epilepsia futura (<2–5%).
Orientar uso de antitérmicos para conforto, não como prevenção de crise.
Ensinar medidas de segurança durante convulsão e quando procurar atendimento.
Recomendações práticas
Manter conduta conservadora em crises simples.
Investigar adequadamente crises complexas ou atípicas.
Priorizar educação e suporte emocional aos pais, evitando intervenções desnecessárias.
Implementar protocolos padronizados em serviços de urgência.
A crise febril não é emergência neurológica, mas uma oportunidade de orientação segura, baseada em evidência, que reduz procedimentos e ansiedade.
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