Objetivo do estudo
Atualizar as tendências de mortalidade por SUID nos EUA entre 2015 e 2022, com detalhamento por causa (SIDS, asfixia acidental, causa desconhecida) e por grupo racial/étnico.
Metodologia
Dados do sistema nacional de nascimentos e óbitos infantis dos EUA.
Análises de tendência com modelos de regressão joinpoint.
SUIDs incluíram:
SIDS (síndrome da morte súbita do lactente).
ASSB (asfixia acidental e estrangulamento em cama).
Causa desconhecida.
Principais achados
Tendências gerais (2015–2022):
A taxa geral de SUID aumentou de 92,2 para 100,7 por 100.000 nascidos vivos.
Queda nas taxas até 2019, seguida por aumento significativo de 2019 a 2022 (APC +4,0%, p<0,001).
ASSB foi a causa com maior crescimento absoluto (AAPC +3,2%, p<0,001).
Disparidades raciais e étnicas (2017–2022):
Bebês negros não hispânicos (NHB) apresentaram os maiores aumentos:
AAPC +5,8% (p<0,001), passando de taxa 2,2x para 2,9x maior que a de brancos não hispânicos.
Bebês indígenas americanos/alasquianos (NHAIAN): taxa 2,7x maior que a de brancos.
Aumento também entre hispânicos (+2,1%) e asiáticos não hispânicos (+7,6%).
A maioria das mortes por SUID foi atribuída a SIDS, mas houve crescimento notável na classificação por causa desconhecida e por asfixia acidental.
A pandemia de COVID-19 pode ter influenciado as tendências, mas não foi diretamente analisada.
Discussão e implicações clínicas
A ampliação das disparidades raciais em SUID é um reflexo direto das desigualdades sociais estruturais.
Barreiras ao acesso à educação sobre sono seguro e ambiente domiciliar adequado estão entre os fatores subjacentes.
Estratégias de prevenção precisam ser culturalmente adaptadas, acessíveis e sustentadas por vigilância contínua.
Recomendações práticas
Reforçar educação sobre sono seguro com abordagem sensível ao contexto cultural.
Implementar campanhas direcionadas às comunidades mais afetadas, com apoio comunitário.
Garantir acesso a berços seguros, visitas domiciliares e suporte social desde o pré-natal.
Investir em sistemas de vigilância que permitam respostas rápidas a tendências emergentes.
Dados não mentem: a raça ainda determina, em parte, quem vive e quem morre no primeiro ano de vida. Reduzir SUID exige mais que informação — exige equidade estrutural.
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