Objetivo do estudo
Avaliar longitudinalmente o desempenho motor, a saúde musculoesquelética e alterações posturais em crianças nascidas prematuras, comparando com pares nascidos a termo entre 3 e 6 anos de idade.
Metodologia
123 crianças acompanhadas (64 pré-termo, 59 termo).
Avaliações aos 3, 4, 5 e 6 anos.
Ferramentas utilizadas:
Movement ABC-2 (Avaliação de Coordenação Motora).
Avaliação postural clínica.
Exame musculoesquelético padronizado (incluindo testes ortopédicos e marcha).
Principais achados
Coordenação motora:
Crianças pré-termo tiveram escores significativamente mais baixos no Movement ABC-2 em todos os anos.
22% do grupo pré-termo caiu na faixa de “risco clínico” de transtorno do desenvolvimento da coordenação (DCD).
Déficits especialmente evidentes em controle de equilíbrio e tarefas manuais finas.
Alterações posturais:
Mais frequentes em prematuros: hiperlordose lombar, escápulas protusas, rotação interna de quadril.
Pé plano e alterações de marcha (ex.: base alargada, apoio assimétrico) mais comuns aos 5–6 anos.
As diferenças foram consistentes ao longo dos anos, sugerindo padrões persistentes de atraso no desenvolvimento motor e alterações biomecânicas.
Discussão e implicações clínicas
Mesmo na ausência de paralisia cerebral, crianças prematuras podem ter déficits motores sutis, mas impactantes.
Os achados destacam a necessidade de avaliação neuromotora longitudinal estruturada.
Intervenções precoces e específicas podem reduzir impactos funcionais e sociais.
Recomendações práticas
Incorporar avaliação motora e musculoesquelética no seguimento de prematuros até a idade escolar.
Aplicar o Movement ABC-2 periodicamente como ferramenta de triagem.
Encaminhar precocemente para fisioterapia e terapia ocupacional ao menor sinal de déficit.
Monitorar alterações posturais que possam comprometer biomecânica e qualidade de vida.
A prematuridade é fator de risco não apenas neurológico, mas também motor e ortopédico — com efeitos que se estendem além da primeira infância.
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