Objetivo do estudo
Avaliar a associação entre o tempo de início da hipotermia e os desfechos de neuroimagem e morte em neonatos =36 semanas com EHI moderada ou grave.
Metodologia
Estudo de coorte retrospectiva com 127 RN com EHI tratados entre 2010 e 2022.
2 grupos:
Início precoce (<3h de vida) – n=68.
Início tardio (=3h) – n=59.
HT por 72h a 33,5°C, com neuroimagem (RM) entre D4–D14.
Desfecho primário: lesão cerebral em RM.
Desfecho secundário: morte até 18 meses.
Principais achados
Início precoce da HT (<3h) associado a:
Menor risco de lesão cerebral significativa em RM (OR 0,44; IC95% 0,20–0,95).
Tendência à menor mortalidade até 18 meses (não estatisticamente significativa).
Mesmo após ajuste para gravidade da EHI, tempo de parto, e tempo de chegada ao centro de resfriamento, a associação permaneceu.
Discussão e implicações clínicas
Evidência crescente de que a janela terapêutica ideal pode ser antes das 6 horas.
O tempo para início do resfriamento depende de:
Reconhecimento clínico precoce.
Agilidade no transporte neonatal.
Capacidade de resfriamento passivo ou induzido em centros de nascimento.
O que muda na prática?
Considerar resfriamento precoce já na unidade de origem, quando houver atraso previsto na transferência.
Implementar protocolos para triagem rápida e início de HT antes das 3 horas, sempre que possível.
Monitorar continuamente os tempos de início da HT como indicador de qualidade.
O tempo para início da hipotermia pode ser tão importante quanto sua execução. Este estudo reforça a necessidade de redes neonatais integradas e protocolos ágeis.
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