Definições
Atresia de coanas: obstrução congênita completa da comunicação nasal posterior.
Estenose de coanas: estreitamento parcial dessa via aérea.
Incidência: ~1:7000 nascidos vivos.
Mais comum em meninas (2:1) e frequentemente unilateral (2/3 dos casos).
Etiologia e embriologia
A atresia resulta da falha na reabsorção da membrana oronasal durante a embriogênese. Pode ter componente ósseo, membranoso ou misto.
Associada a síndromes genéticas como:
CHARGE.
Treacher-Collins.
Crouzon.
Pfeiffer.
Síndrome de VATER/VACTERL.
Diagnóstico clínico e diferencial
Sinais de alerta:
Cianose cíclica (piora com fechamento oral, melhora com choro).
Estridor nasal.
Dificuldade para passar sonda nasogástrica.
Diagnósticos diferenciais:
Rinopatia congênita.
Cistos de coana.
Tumores nasais.
Desvio de septo severo.
Confirmado por TC de face com cortes finos, que mostra obstrução óssea/membranosa.
Conduta e manejo
Obstrução bilateral:
Emergência respiratória.
Uso inicial de cânula oral, tubo de Guedel ou intubação.
Cirurgia precoce com abertura transnasal ou transpalatina.
Obstrução unilateral:
Pode ser assintomática por anos.
Cirurgia eletiva indicada se houver sintomas.
Cirurgia endoscópica transnasal é o padrão atual.
Uso de stents é controverso: pode prevenir reestenose, mas aumenta risco de infecção.
Recomendações para o neonatologista
Avaliar vias aéreas superiores em todo RN com desconforto respiratório inexplicado.
Suspeitar de atresia/estenose de coanas diante de falha na passagem da sonda NG.
Investigar associação sindrômica, especialmente CHARGE.
Garantir via aérea de forma rápida e segura antes do encaminhamento cirúrgico.
A atresia de coanas, embora rara, é uma causa tratável de insuficiência respiratória precoce. Reconhecimento e intervenção precoces são determinantes para o prognóstico.
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