Objetivo do estudo
Realizar uma revisão sistemática das diretrizes publicadas entre 2000 e 2022 que abordam crises febris em pediatria, identificando pontos de concordância e inconsistências relevantes.
Metodologia
Pesquisa em 8 bases de dados e websites de sociedades médicas.
16 diretrizes analisadas de países como EUA, Canadá, Reino Unido, Itália, Austrália, Brasil e Japão.
Avaliação metodológica com AGREE II.
Comparação dos tópicos: definição, classificação, exames, tratamento, prevenção e orientação familiar.
Principais achados
Consensos entre as diretrizes:
Definem crise febril como convulsão associada à febre >38°C em crianças de 6–60 meses.
Classificação em simples (generalizada, <15 min, sem recorrência em 24h) e complexa.
Não recomendam exames laboratoriais ou de imagem rotineiros após crise febril simples.
Não há indicação de anticonvulsivantes profiláticos contínuos.
Divergências encontradas:
Indicações para punção lombar em lactentes <12 meses.
Papel da EEG após crises complexas.
Uso de anticonvulsivantes intermitentes (diazepam retal ou oral durante febre).
Critérios de internação hospitalar.
Estratégias de orientação parental e retorno.
Discussão e implicações clínicas
Apesar dos consensos básicos, persistem lacunas e contradições, especialmente em países de baixa e média renda.
A heterogeneidade pode impactar a qualidade do cuidado e aumentar intervenções desnecessárias.
A padronização futura deve considerar também os aspectos culturais, logísticos e de acesso aos serviços.
Recomendações práticas
Priorizar educação parental e redução da ansiedade após crises febris simples.
Evitar exames invasivos em crianças bem avaliadas clinicamente.
Individualizar o uso de anticonvulsivantes intermitentes, conforme risco e contexto familiar.
Acompanhar atualizações baseadas em evidência e fomentar protocolos locais bem definidos.
A crise febril é benigna na maioria dos casos, mas exige uma abordagem clara, padronizada e empática — tanto para a equipe quanto para os cuidadores.
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