Viver com Doença Inflamatória Intestinal: entre diagnósticos e construção de identidade

Uma jornada emocional com a DII: narrativas que conectam Este artigo é um relato reflexivo de dois autores — um jovem adulto com Doença Inflamatória Intestinal (DII) e sua psicóloga pediátrica, também diagnosticada com DII. O texto aborda a evolução emocional e psicológica do convívio com uma doença crônica, destacando a importância do suporte psicossocial contínuo e da empatia clínica.
Fonte: PEDIATRICS

Objetivo do artigo

Explorar, por meio de duas narrativas pessoais, como a vivência com DII transforma a identidade e as relações terapêuticas, especialmente em contextos pediátricos.

Metodologia

Relato co-escrito por:

Sam, universitário diagnosticado com DII na adolescência.

Dra. Jennie David, psicóloga pediátrica e paciente com DII desde os 12 anos.

Discussão sobre:

Aniversários de diagnóstico.

Ansiedades recorrentes.

Importância da relação paciente-profissional com empatia e escuta ativa.

Papel do psicólogo com vivência compartilhada (concordância de doença).

Principais pontos

Perspectiva de Sam:

Outubro marca o mês do diagnóstico e traz memórias de incertezas, biópsias e mudanças de medicação.

Com o tempo, a data passou a simbolizar também crescimento e superação.

A relação com a Dra. David foi crucial: empática, realista e acolhedora, sem promessas vazias.

Desejo de ajudar outros jovens com DII futuramente, inspirado pela sua terapeuta.

Perspectiva da Dra. David:

Enfrenta dilemas éticos sobre quando e como revelar seu próprio diagnóstico.

Descobriu que, quando usado com sensibilidade, compartilhar sua experiência fortalece o vínculo terapêutico.

Reforça que a DII é uma jornada contínua, não um evento isolado.

Ser psicóloga com DII permite empatia mais profunda, mas não substitui habilidades clínicas fundamentais.

Ambas as experiências ilustram como a DII afeta não apenas o corpo, mas também a identidade, os relacionamentos e o bem-estar emocional.

Escuta ativa, validação emocional e continuidade no cuidado são pilares da abordagem terapêutica bem-sucedida.

Recomendações práticas

Incluir psicologia no cuidado de pacientes com DII desde o diagnóstico.

Valorizar a construção de vínculo terapêutico por meio de:

Escuta empática.

Perguntas permissivas (ex.: “Posso te perguntar mais sobre isso?”).

Normalização de sentimentos.

Reforço positivo sincero.

Permitir espaços contínuos para o jovem processar como a doença se integra à sua identidade ao longo do tempo.

Apoiar a capacitação de profissionais com experiências semelhantes sem que isso seja pré-requisito para a empatia.

Viver com DII é um processo em constante transformação. Quando médicos e psicólogos escutam de verdade, abrem espaço para resiliência, adaptação e sentido no enfrentamento da doença crônica.

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