Intensidade dos cuidados perinatais em nascimentos extremamente prematuros e desfechos neurodesenvolvimentais aos 5 anos e meio: estudo da coorte EPIPAGE-2 Sobre o artigo Este estudo investigou se a intensidade dos cuidados perinatais voltados para a sobrevivência em recém-nascidos extremamente prematuros (24 a 28 semanas de gestação) está associada a piores desfechos de neurodesenvolvimento aos 5 anos e meio. A hipótese explorada é se o foco na sobrevivência precoce poderia aumentar o risco de sequelas neurológicas a longo prazo. Métodos utilizados Trata-se de um estudo de coorte prospectivo, nacional e baseado na população francesa (EPIPAGE-2). Foram analisadas crianças nascidas entre 24 e 28 semanas de gestação em hospitais de nível 3, com seguimento até os 5 anos e meio. A intensidade dos cuidados perinatais foi categorizada em três níveis (baixa, média, alta), com base na proporção de fetos vivos internados em UTI neonatal nascidos entre 24–25 semanas. O principal desfecho avaliado foi a presença de deficiência neurodesenvolvimental (NDD), classificada em nenhuma, leve, moderada ou grave. Avaliações incluíram quociente de inteligência (FSIQ), paralisia cerebral, distúrbios comportamentais, coordenação motora e déficits sensoriais. Resultados Entre 3217 nascimentos, 1105 crianças sobreviveram até 5½ anos (472 com 24–26 semanas e 633 com 27–28 semanas). Para os nascidos entre 24–26 semanas, os hospitais com cuidados de alta intensidade apresentaram menores taxas de NDD leve (33,9%) e moderada/grave (21,9%) em comparação com hospitais de baixa intensidade (OR ajustado para NDD leve: 0,42; IC 95%: 0,20–0,88). Não houve diferenças significativas entre hospitais de média e baixa intensidade. Para os nascidos entre 27–28 semanas, não foram observadas diferenças relevantes entre os grupos de intensidade em relação aos desfechos neurodesenvolvimentais. Discussão O estudo não encontrou evidências de que cuidados perinatais mais intensivos estejam associados a maior risco de NDD em crianças extremamente prematuras. Pelo contrário, há indícios de que uma abordagem mais ativa pode estar associada a melhores desfechos cognitivos na faixa de 24–26 semanas de gestação. Para prematuros tardios (27–28 semanas), a intensidade dos cuidados não impactou significativamente os desfechos. A avaliação aos 5½ anos oferece maior precisão na identificação de deficiências cognitivas que poderiam ser subestimadas em avaliações mais precoces. Conclusão A intensidade dos cuidados perinatais, especialmente quando voltada para a sobrevivência, não aumentou o risco de deficiência neurodesenvolvimental aos 5½ anos em crianças extremamente prematuras. Esses achados apoiam a prática de cuidados intensivos no nascimento como uma estratégia segura e potencialmente benéfica para o neurodesenvolvimento, especialmente para os mais prematuros. Insights clínicos Cuidados perinatais intensivos aumentam o risco de sequelas em prematuros extremos? Não. O estudo mostrou que a intensidade dos cuidados perinatais não está associada a maior risco de deficiência neurodesenvolvimental aos 5 anos e meio. Qual grupo gestacional se beneficia mais dos cuidados intensivos? Crianças nascidas entre 24 e 26 semanas apresentaram melhores desfechos cognitivos quando nasceram em hospitais com cuidados intensivos. Existe impacto da intensidade dos cuidados para prematuros de 27–28 semanas? Não. Nesse grupo, a intensidade dos cuidados perinatais não influenciou significativamente os desfechos de neurodesenvolvimento. A avaliação aos 2 anos é suficiente para prever NDD? Não. A avaliação aos 5½ anos é mais sensível para identificar déficits cognitivos e motores sutis que podem não ser detectados precocemente. Cuidados centrados na sobrevivência comprometem a qualidade de vida a longo prazo? De acordo com os dados do estudo, não há evidências de que o foco na sobrevivência leve a maior comprometimento neurológico. Para ver mais conteúdos como este, acesse: NeoPed Hub
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