Lesão cerebral e prognóstico neurológico em transfusão feto-materna grave

Lesão cerebral e comprometimento neurológico de longo prazo em crianças após transfusão feto-materna grave: um estudo de coorte retrospectivo Sobre o artigo A transfusão feto-materna (TFM) é uma condição rara, porém grave, caracterizada pela passagem de sangue fetal para a circulação materna, podendo levar a anemia fetal severa. A TFM tem sido associada a desfechos adversos perinatais, mas sua correlação com lesões cerebrais e déficits no neurodesenvolvimento ainda não está completamente esclarecida. Este estudo avaliou a frequência de lesões cerebrais e a evolução do neurodesenvolvimento a longo prazo em crianças expostas à TFM grave. Métodos utilizados Estudo retrospectivo de coorte realizado em um centro terciário da França, incluindo 64 neonatos diagnosticados com TFM grave (definida por hemoglobina ao nascimento <10 g/dL e positividade para hemácias fetais no teste de Kleihauer). Os dados clínicos neonatais foram coletados, incluindo exames de neuroimagem nos primeiros dias de vida. As avaliações de seguimento do neurodesenvolvimento foram realizadas com métodos padronizados (como Bayley Scales) entre 2 e 7 anos de idade. Resultados Lesão cerebral foi identificada em 23% dos neonatos (n=15), incluindo lesões de substância branca, infartos corticais e hemorragias.  Crianças com lesão cerebral tiveram maior frequência de acidose ao nascimento e menor Apgar aos 5 minutos.  Comprometimento do neurodesenvolvimento foi identificado em 28% dos avaliados (n=18), sendo 6 com paralisia cerebral e 12 com atraso cognitivo e/ou motor.  O risco de desfecho neurológico adverso foi significativamente maior nos casos com lesão cerebral inicial (OR 6,5).  A mortalidade neonatal foi de 6%, exclusivamente em casos com acidose metabólica grave e sem intervenção intrauterina.  Discussão A TFM grave está associada a risco elevado de lesão cerebral e comprometimento neurológico persistente. A hipóxia aguda decorrente da perda sanguínea fetal maciça pode comprometer a perfusão cerebral e resultar em encefalopatia. A realização precoce de neuroimagem em recém-nascidos com TFM grave é fundamental para detectar lesões e orientar o prognóstico. Estratégias de rastreio e intervenção precoce devem ser incorporadas ao seguimento desses pacientes. Conclusão A transfusão feto-materna grave representa uma condição de alto risco para lesão cerebral e deficiência neurológica a longo prazo. A vigilância neurológica deve ser intensiva em neonatos com esse diagnóstico, especialmente na presença de acidose ao nascimento ou sinais clínicos de encefalopatia. Insights clínicos  O que é transfusão feto-materna e qual sua gravidade? É a passagem de sangue fetal para a circulação materna. Quando grave, pode levar a hipóxia e anemia fetal com risco neurológico. Qual a frequência de lesões cerebrais associadas à TFM grave? Neste estudo, 23% dos casos apresentaram lesões cerebrais detectáveis por neuroimagem. Todos os casos com TFM desenvolvem sequelas neurológicas? Não. O comprometimento neurológico foi observado em 28% dos pacientes, principalmente nos que apresentavam lesões iniciais. Quais sinais neonatais sugerem maior risco de dano cerebral? Acidose metabólica ao nascimento e baixos escores de Apgar foram preditores importantes. Qual conduta clínica deve ser adotada frente a casos de TFM grave? Realizar neuroimagem precoce, acompanhamento neurológico estruturado e intervenção precoce quando necessário. Para ver mais conteúdos como este, acesse: NeoPed Hub

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