Prontidão para a Prática Clínica de Residentes de Pediatria e Desempenho no Exame Inicial de Certificação Sobre o Artigo A educação médica baseada em competências (CBME) busca garantir que médicos em formação estejam preparados para oferecer cuidado seguro e eficaz aos pacientes. Dentro desse modelo, as Entrustable Professional Activities (EPAs) passaram a ser utilizadas para avaliar a capacidade do residente de atuar sem supervisão em tarefas essenciais da prática pediátrica. Apesar da crescente incorporação das EPAs nos programas de residência em Pediatria, ainda existe incerteza sobre como essas avaliações se relacionam com métodos tradicionais de certificação, especialmente o exame inicial de certificação do American Board of Pediatrics (ABP). O estudo investigou se residentes considerados aptos para prática sem supervisão pelos comitês de competência clínica também apresentavam melhor desempenho no exame de certificação em Pediatria. Métodos Utilizados Foi realizada análise secundária de um estudo prospectivo envolvendo 21 programas de residência em Pediatria entre 2015 e 2018. Os Clinical Competency Committees (CCCs) avaliaram residentes utilizando escalas de supervisão para subsets das 17 EPAs da Pediatria geral. Foram incluídos 934 residentes, totalizando 5084 avaliações de supervisão. Os dados das EPAs foram vinculados aos resultados do exame de certificação inicial do American Board of Pediatrics. Os residentes foram classificados em dois grupos: Aptos para prática sem supervisão em todas as EPAs avaliadas Não aptos em pelo menos uma EPA Os autores compararam taxas de aprovação no exame inicial, desempenho global e associação entre readiness for practice e escore no exame utilizando análises estatísticas e curvas ROC. Resultados Dos 934 residentes avaliados: 851 (91%) foram aprovados no exame inicial na primeira tentativa 57 foram aprovados na segunda tentativa 14 foram aprovados após terceira ou quarta tentativa 12 não haviam sido aprovados até o final da coleta de dados Entre os 563 residentes considerados aptos para prática sem supervisão em todas as EPAs: 520 (92%) passaram no exame na primeira tentativa Entre os 371 residentes considerados não aptos em pelo menos uma EPA: 331 (89%) passaram no exame na primeira tentativa Não houve diferença estatisticamente significativa entre readiness for practice e aprovação no exame inicial. As EPAs com maior frequência de ausência de autonomia entre residentes aprovados foram: EPA 13: gestão da prática EPA 9: saúde mental e comportamental A análise ROC demonstrou baixa correlação entre escores mais altos no exame e readiness for practice baseada em EPAs. Discussão Os autores destacam que esta foi a primeira investigação comparando diretamente desempenho em EPAs e resultados do exame de certificação em residentes de Pediatria. Os achados sugerem que: O exame de certificação avalia principalmente conhecimento cognitivo As EPAs avaliam competências clínicas integradas, habilidades práticas, tomada de decisão e desempenho no ambiente real Portanto, ambos os métodos medem componentes diferentes — embora parcialmente sobrepostos — da competência profissional. O estudo reforça a necessidade de uma avaliação holística da competência médica, integrando múltiplas fontes de dados para decisões mais confiáveis sobre graduação, certificação e readiness for practice. Os autores também discutem limitações: Cada residente foi avaliado apenas em parte das EPAs Possível variabilidade entre programas Influência potencial da pandemia de COVID-19 Estudo realizado em fase inicial de implementação das EPAs na Pediatria Conclusão A avaliação de readiness for practice baseada em EPAs apresentou baixa correlação com a aprovação no exame inicial de certificação em Pediatria. As EPAs e o exame de certificação avaliam dimensões diferentes da competência clínica necessária ao cuidado pediátrico. Os autores defendem a construção de um sistema de avaliação baseado em competências que integre múltiplos métodos para tomada de decisão mais válida, confiável e equitativa sobre formação médica e certificação profissional. Insights Clínicos Residentes considerados aptos pelas EPAs sempre passam no exame de certificação? Não. Cerca de 8% dos residentes considerados aptos para prática sem supervisão falharam na primeira tentativa do exame. Aprovação no board significa readiness for practice completa? Também não. Muitos residentes aprovados no exame ainda não haviam atingido autonomia em pelo menos uma EPA. Quais EPAs apresentaram maior dificuldade de autonomia? As maiores dificuldades ocorreram em: Gestão da prática (EPA 13) Saúde mental e comportamental (EPA 9) O exame de certificação e as EPAs avaliam a mesma competência? Não. O exame mede predominantemente conhecimento teórico, enquanto as EPAs avaliam desempenho clínico integrado e prática supervisionada. Qual a principal implicação prática do estudo? A formação médica baseada em competências deve utilizar múltiplos métodos de avaliação para estimar readiness for practice de forma mais completa e confiável. Para ver mais conteúdos como este, acesse: NeoPed Hub
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