Segurança da coadministração das vacinas contra influenza e coqueluche durante a gestação Sobre o artigo A vacinação materna representa uma das principais estratégias para reduzir morbidade e mortalidade em gestantes e recém-nascidos. Com o aumento do número de vacinas recomendadas durante a gravidez, incluindo influenza, coqueluche, COVID-19 e vírus sincicial respiratório (VSR), a administração concomitante de imunizantes no mesmo dia tornou-se uma alternativa para ampliar a cobertura vacinal. Entretanto, preocupações relacionadas à segurança fetal e neonatal permanecem como importante barreira para a adesão vacinal durante a gestação. Embora estudos prévios tenham demonstrado segurança quanto aos eventos adversos imediatos, ainda existiam poucos dados sobre desfechos obstétricos e neonatais após a administração simultânea das vacinas contra influenza e coqueluche. Este estudo buscou avaliar se a vacinação concomitante aumenta o risco de desfechos adversos gestacionais, neonatais e ao nascimento em comparação à vacinação isolada contra coqueluche. Métodos utilizados Estudo de coorte retrospectiva populacional realizado em Nova Gales do Sul, Austrália, utilizando bancos de dados vinculados de registros perinatais, imunização e hospitalizações. Foram incluídas gestantes com gravidez única entre janeiro de 2021 e março de 2022. Foram comparados: Grupo exposição: vacinação concomitante contra influenza e coqueluche no mesmo dia após 20 semanas de gestação. Grupo controle: vacinação apenas contra coqueluche, sem vacinação prévia contra influenza. Foi realizado pareamento 1:1 considerando: data da vacinação; idade gestacional na vacinação; idade materna. Desfechos primários avaliados: parto prematuro; natimortalidade; pequeno para idade gestacional; baixo peso ao nascer. Desfechos secundários: hemorragia anteparto; hemorragia pós-parto; pré-eclâmpsia/eclâmpsia; corioamnionite; rotura prematura de membranas; trabalho de parto prematuro; escore de Apgar baixo. Foram utilizados modelos de regressão de Cox e regressão logística ajustados para fatores de confusão previamente definidos. Resultados Foram analisadas 13.918 gestações únicas, sendo: 6.959 no grupo de vacinação concomitante; 6.959 no grupo controle. Principais achados: Parto prematuro 3,8% no grupo vacinação concomitante; 4,4% no grupo controle; HR ajustado: 0,83 (IC95% 0,66–1,05). Pequeno para idade gestacional 8,8% no grupo concomitante; 9,9% no grupo controle; OR ajustado: 0,87 (IC95% 0,74–1,04). Baixo peso ao nascer 1,7% no grupo concomitante; 1,6% no grupo controle; OR ajustado: 0,94 (IC95% 0,66–1,35). Outros desfechos Não foram observadas diferenças significativas entre os grupos para: hemorragia anteparto; pré-eclâmpsia/eclâmpsia; rotura prematura de membranas; trabalho de parto prematuro; hemorragia pós-parto; Apgar baixo; corioamnionite. A ocorrência de natimortos foi rara e insuficiente para análise estatística robusta. Discussão Os resultados demonstram que a administração simultânea das vacinas contra influenza e coqueluche durante a gestação não esteve associada ao aumento de eventos adversos maternos, fetais ou neonatais. Os achados reforçam evidências prévias oriundas de estudos menores realizados nos Estados Unidos e ampliam significativamente o conhecimento disponível ao incluir uma população de quase 14 mil gestantes. O estudo também apresenta relevância prática diante da incorporação recente da vacina materna contra VSR, aumentando a probabilidade de múltiplas imunizações durante a mesma gestação. Os autores destacam que a vacinação concomitante pode representar uma estratégia importante para melhorar a cobertura vacinal materna sem comprometer a segurança obstétrica ou neonatal. Conclusão A coadministração das vacinas contra influenza e coqueluche após 20 semanas de gestação mostrou-se segura, não estando associada ao aumento do risco de: parto prematuro; restrição de crescimento fetal; baixo peso ao nascer; complicações obstétricas; eventos neonatais adversos. Os resultados fornecem suporte científico para que obstetras, neonatologistas e pediatras recomendem a aplicação simultânea dessas vacinas durante o pré-natal, contribuindo para ampliar a cobertura vacinal materna e neonatal. Insights clínicos A aplicação simultânea das vacinas contra influenza e dTpa aumenta o risco de prematuridade? Não. O estudo não identificou aumento no risco de parto prematuro após a vacinação concomitante. Existe maior risco de baixo peso ao nascer após a vacinação no mesmo dia? Não houve aumento do risco de baixo peso ao nascer entre os recém-nascidos expostos à vacinação concomitante. A vacinação concomitante aumenta o risco de pré-eclâmpsia ou hemorragias obstétricas? Não foram observadas diferenças significativas para pré-eclâmpsia, hemorragia anteparto ou hemorragia pós-parto. Os dados apoiam a recomendação clínica da vacinação simultânea? Sim. Os resultados fornecem evidências robustas para apoiar a recomendação da administração concomitante das vacinas durante o pré-natal. O estudo tem relevância para a introdução da vacina materna contra VSR? Sim. Os achados reforçam a segurança potencial de estratégias futuras envolvendo múltiplas vacinas administradas durante a gestação. Para ver mais conteúdos como este, acesse: NeoPed Hub
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