Trauma cranioencefálico agudo (TCE) na infância Sobre o artigo O trauma craniano agudo (TCE) é uma causa significativa de morbimortalidade infantil, especialmente em países desenvolvidos. Embora a maioria dos casos seja leve e não exija tratamento específico, é essencial identificar precocemente crianças com risco de lesão cerebral clinicamente relevante (ciTCE). Este posicionamento da Sociedade Canadense de Pediatria atualiza as diretrizes para avaliação, imagem, manejo e seguimento do TCE em crianças e adolescentes, com ênfase na abordagem baseada em evidências clínicas. Métodos utilizados Trata-se de um documento de posicionamento baseado em revisão narrativa da literatura atual, com avaliação crítica de diretrizes clínicas e estudos multicêntricos prospectivos relevantes, como os protocolos PECARN, CATCH e CHALICE, além de recomendações práticas derivadas de consensos clínicos e revisões sistemáticas. Resultados A maioria dos traumas é causada por quedas, acidentes esportivos e colisões com objetos ou veículos. Menos de 1% das crianças com TCE requerem intervenção neurocirúrgica. Concussões são comuns e, apesar de autolimitadas, podem causar sintomas persistentes. O uso da escala de coma de Glasgow (ECG) é essencial para classificação da gravidade. As regras clínicas (PECARN, CATCH, CHALICE) ajudam a estratificar o risco de ciTCE e a evitar tomografias desnecessárias. Crianças com ECG 14-15 e sem sintomas graves podem ser observadas por 4 a 6 horas antes de alta. Casos moderados (ECG 9-13) requerem tomografia e possível internação. Casos graves (ECG <8) exigem estabilização, monitorização intensiva e transferência para centro especializado. Discussão A avaliação clínica cuidadosa, incluindo história detalhada e exame físico focado, é a base para decisões sobre imagem e conduta. A utilização de ferramentas como PECARN evita exames desnecessários, reduz a exposição à radiação e melhora o cuidado individualizado. A idade <2 anos e a suspeita de maus-tratos exigem atenção especial. Estratégias de prevenção, como uso de capacetes e dispositivos de retenção veicular, continuam sendo fundamentais para reduzir a incidência de TCE. Conclusão O TCE em pediatria requer abordagem sistemática para garantir identificação precoce de lesões significativas, minimizar riscos e direcionar recursos adequadamente. A estratificação pelo ECG, uso racional de tomografia e protocolos clínicos de decisão são pilares no manejo. A prevenção deve ser uma prioridade nas políticas públicas e na prática clínica. Insights clínicos Quando deve ser solicitada uma tomografia em crianças com TCE leve? Quando há sintomas como vômitos repetidos, perda de consciência prolongada, sinais focais neurológicos, ou história de mecanismo de trauma grave. As regras PECARN, CATCH e CHALICE auxiliam na decisão. Qual é a conduta recomendada para uma criança assintomática com TCE leve e ECG 15? Pode ser observada por 4 a 6 horas e, se permanecer estável, pode ter alta com orientações para os cuidadores. Como manejar TCE moderado (ECG 9 a 13)? Deve ser realizada tomografia de crânio e monitoramento contínuo. Considerar internação em unidade de terapia intensiva pediátrica, dependendo da evolução clínica. Quais cuidados são essenciais no TCE grave? Estabilização inicial com foco em manter pressão de perfusão cerebral, evitar hipóxia, monitorar pressão intracraniana e transferir para centro com suporte neurocirúrgico e cuidados intensivos pediátricos. Quando suspeitar de trauma por maus-tratos (THI-CM)? Em crianças pequenas com alteração do nível de consciência sem história compatível ou lesões inexplicadas. Nestes casos, hospitalização e acionamento das autoridades de proteção à criança são obrigatórios. A tomografia é obrigatória para todos os casos de TCE? Não. O uso deve ser racional e baseado em protocolos clínicos validados para evitar exposição desnecessária à radiação. Qual é o papel da prevenção no TCE pediátrico? Uso de capacetes, cadeirinhas veiculares e regulamentações para atividades recreativas motorizadas reduzem significativamente a incidência e gravidade das lesões. Para ver mais conteúdos como este, acesse: NeoPed Hub
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