Uso ambulatorial de ondansetrona em crianças com gastroenterite aguda Sobre o artigo A ondansetrona, antagonista do receptor 5-HT3, é amplamente utilizada em departamentos de emergência pediátrica para reduzir vômitos em crianças com gastroenterite aguda. Embora seu uso intrahospitalar tenha benefícios comprovados, ainda há incerteza sobre a eficácia e segurança da administração domiciliar pós-alta. Este estudo foi conduzido para avaliar o impacto do uso multidoses de ondansetrona após a alta hospitalar na evolução clínica de crianças com vômitos relacionados à gastroenterite. Métodos utilizados Ensaio clínico randomizado, duplo-cego, de superioridade, realizado em seis departamentos de emergência pediátricos no Canadá. Foram incluídas crianças entre 6 meses e <18 anos com diagnóstico de gastroenterite aguda, que apresentavam ≥3 episódios de vômitos nas últimas 24 horas e receberam uma dose de ondansetrona durante o atendimento. Os participantes foram randomizados para receber ondansetrona oral (até seis doses em 48h) ou placebo. O desfecho primário foi gastroenterite moderada a grave (pontuação ≥9 na escala modificada de Vesikari) durante os 7 dias seguintes. Desfechos secundários incluíram número e duração dos episódios de vômito, visitas não programadas a serviços de saúde e uso de fluidoterapia intravenosa. Resultados Foram incluídas 1030 crianças (517 no grupo ondansetrona; 512 no grupo placebo). A incidência de gastroenterite moderada a grave foi significativamente menor no grupo ondansetrona (5,1%) comparado ao placebo (12,5%). O risco ajustado foi 50% menor no grupo tratado (OR ajustada: 0,50; IC95%: 0,40–0,60). Não houve diferença significativa na presença ou duração mediana dos vômitos, mas o número total de episódios em 48h foi menor no grupo ondansetrona (razão de taxa ajustada: 0,76; IC95%: 0,67–0,87). Visitas médicas não programadas e administração de fluidos intravenosos não diferiram entre os grupos. A incidência de eventos adversos foi semelhante (7,0% ondansetrona vs. 7,1% placebo). Discussão A administração domiciliar de ondansetrona conforme necessidade reduziu o risco de evolução para gastroenterite moderada a grave em crianças previamente atendidas com vômitos persistentes. O regime restrito ao uso em caso de vômito ativo permitiu que apenas uma minoria (31,4%) necessitasse de doses adicionais, minimizando exposições desnecessárias e potenciais efeitos adversos, como diarreia. O regime adotado é seguro e alinhado às recomendações de uso racional de medicamentos no ambiente ambulatorial pediátrico. Conclusão O fornecimento de doses adicionais de ondansetrona para uso domiciliar em crianças com vômito por gastroenterite aguda, após atendimento de emergência, reduziu o risco de evolução para formas mais graves da doença. O tratamento mostrou-se seguro, com poucos efeitos adversos, e deve ser considerado em casos selecionados. Insights clínicos O uso de ondansetrona após a alta hospitalar reduz a gravidade da gastroenterite? Sim. O uso de ondansetrona domiciliar reduziu em 50% o risco de gastroenterite moderada a grave em comparação ao placebo. Todas as crianças com gastroenterite devem receber ondansetrona para uso em casa? Não. O benefício foi observado em crianças com vômitos frequentes e recentes; a maioria não apresentou vômitos após a alta, reforçando o uso seletivo. Há aumento de efeitos adversos com o uso domiciliar de ondansetrona? Não houve aumento significativo de eventos adversos. Apenas em crianças que receberam ≥3 doses observou-se leve aumento na frequência de diarreia. O uso domiciliar de ondansetrona reduz visitas médicas subsequentes? Houve tendência à redução de visitas não programadas, mas sem significância estatística. Qual o regime de doses recomendado para casa? Ondansetrona oral (0,15 mg/kg/dose, máx. 8 mg), com até 6 doses em 48 horas, administradas conforme necessidade em caso de vômito recorrente. Para ver mais conteúdos como este, acesse: NeoPed Hub
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