Desfechos Neurodesenvolvimentais aos 3 Anos de Crianças Nascidas Prematuramente entre 22 e 31 Semanas de Gestação Sobre o artigo O estudo tem como objetivo avaliar os desfechos neurodesenvolvimentais aos 3 anos de idade em crianças nascidas com menos de 32 semanas de gestação. Avanços na neonatologia têm aumentado as taxas de sobrevivência, especialmente em prematuros extremos (22–23 semanas), mas há preocupação com o impacto dessas intervenções no neurodesenvolvimento. Poucos dados com alta taxa de seguimento estão disponíveis no Japão, especialmente nessa faixa gestacional. Este estudo utiliza dados da coorte INTACT, que teve alto índice de acompanhamento, para oferecer uma avaliação mais precisa dos desfechos conforme a idade gestacional. Métodos utilizados Trata-se de uma análise secundária do estudo INTACT (Improvement of NICU practices and Team Approach Cluster randomized controlled Trial), que envolveu 40 unidades neonatais japonesas entre 2012 e 2014. Foram incluídos 2722 recém-nascidos com peso entre 400–1500g e idade gestacional de 22 a 31 semanas. A principal variável de desfecho foi a sobrevivência sem comprometimento neurodesenvolvimental moderado ou grave aos 3 anos. As avaliações incluíram exame neurológico padronizado e teste de desenvolvimento (Kyoto Scale of Psychological Development - KSPD). NDI moderado e severo foram definidos conforme critérios específicos envolvendo paralisia cerebral (GMFCS), atraso cognitivo, déficits visuais e auditivos. Resultados Das 2722 crianças, 2610 sobreviveram até os 3 anos e 2336 (89,5%) foram completamente avaliadas. A taxa de sobrevivência na alta da UTI neonatal foi de 96,5% e aumentou conforme a idade gestacional (de 72,1% aos 22 semanas para 99,6% aos 31 semanas). 13% das crianças tiveram NDI moderado 7,8% apresentaram NDI grave A taxa de sobrevivência sem NDI foi de 79,2% no total da coorte avaliada Em nascidos com 22 semanas, apenas 45,2% sobreviveram sem NDI Aos 31 semanas, 88,1% sobreviveram sem NDI Houve maior frequência de complicações (doença pulmonar crônica, hemorragia intraventricular, sepse) nos nascidos com menor idade gestacional. Crianças com maior prematuridade também apresentaram mais dificuldades funcionais, como uso de oxigênio domiciliar, traqueostomia e alimentação enteral. Discussão A análise evidencia que, mesmo entre os prematuros extremos (22–23 semanas), mais da metade dos sobreviventes aos 3 anos não apresentavam déficits neurodesenvolvimentais moderados ou graves. Isso reforça a importância da adoção de estratégias terapêuticas individualizadas e da comunicação adequada com as famílias no momento do nascimento. Os achados também apontam a necessidade de planejamento de cuidados prolongados para os sobreviventes, dado que déficits funcionais ainda ocorrem em uma parcela significativa, especialmente entre os mais prematuros. Conclusão A maioria das crianças nascidas entre 22 e 31 semanas e que sobreviveram até os 3 anos apresentaram desfechos neurodesenvolvimentais favoráveis, com melhora progressiva conforme a idade gestacional. Mais de 55% dos nascidos entre 22–23 semanas sobreviveram sem sequelas neurodesenvolvimentais. Os dados são relevantes para guiar condutas clínicas e aconselhamento parental sobre prognóstico funcional em prematuros extremos. Insights clínicos Qual é a taxa de sobrevivência sem sequelas neurodesenvolvimentais em prematuros nascidos com 22–23 semanas? Mais de 55% dos sobreviventes nascidos com 22–23 semanas apresentaram desenvolvimento neurofuncional sem déficits moderados ou graves aos 3 anos. Quais são os principais fatores de risco associados a desfechos adversos? Menor idade gestacional, menor peso ao nascimento, ausência de corticoterapia antenatal, doença pulmonar crônica, hemorragia intraventricular, e sepse estiveram associados a piores resultados. Quais déficits funcionais foram mais comuns aos 3 anos? Uso de oxigênio domiciliar, traqueostomia, necessidade de sonda alimentar ou gastrostomia e tratamento para epilepsia foram mais prevalentes entre os mais prematuros. A taxa de comprometimento cognitivo severo foi significativa? Sim, 7,1% das crianças avaliadas tiveram atraso cognitivo severo, com maior prevalência nos nascidos com menor idade gestacional. Qual o impacto da idade gestacional nos desfechos? Quanto maior a idade gestacional, melhores foram os desfechos neurodesenvolvimentais e funcionais, com redução consistente de NDI moderado e severo entre 22 e 31 semanas. Para ver mais conteúdos como este, acesse: NeoPed Hub
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