Febre na Doença Falciforme: Pensando Além da Bacteremia Sobre o artigo A doença falciforme (DF) é caracterizada por alterações estruturais nos glóbulos vermelhos que resultam em complicações múltiplas. Pacientes pediátricos com DF frequentemente se apresentam com febre, sendo esta a causa de mais de um terço das visitas ao departamento de emergência. Embora a bacteremia seja rara (1,1%), é uma das principais causas de mortalidade. O artigo destaca a importância de considerar etiologias não infecciosas de febre, especialmente em casos persistentes ou atípicos. Métodos utilizados Trata-se de um estudo de caso clínico detalhado de uma adolescente com DF beta-talassêmica, acompanhando sua evolução hospitalar frente a um quadro febril prolongado. A investigação incluiu exames laboratoriais seriados, radiografia de tórax, angiotomografia pulmonar, estudo de hipercoagulabilidade e avaliação multidisciplinar com infectologistas, pneumologistas, hematologistas e intensivistas. Resultados Inicialmente tratada como síndrome torácica aguda (STA), com antibióticos e suporte respiratório. Evoluiu com febre persistente, hipoxemia e piora clínica após transfusão. Foi identificada embolia pulmonar segmentar e subsegmentar, sendo instituída anticoagulação com enoxaparina. Persistência de febre alta levou à suspeita de febre medicamentosa por ceftarolina. Após troca do antibiótico, houve resolução do quadro febril em 72 horas. Discussão O caso ilustra duas causas não infecciosas de febre em DF: embolia pulmonar (EP) e febre medicamentosa. A EP pode mimetizar a STA e deve ser considerada quando há falha terapêutica com antibióticos, principalmente com marcadores inflamatórios elevados e necessidade crescente de oxigênio. A febre medicamentosa é subdiagnosticada e pode ser identificada por dissociação pulso-temperatura, ausência de piora laboratorial e melhora após suspensão do fármaco suspeito. Conclusão Em pacientes com DF e febre persistente, é crucial expandir a investigação além da bacteremia. A abordagem clínica deve considerar causas não infecciosas como embolia pulmonar e febre induzida por medicamentos, especialmente em pacientes sem foco infeccioso evidente e com evolução atípica. O reconhecimento precoce evita intervenções desnecessárias e otimiza o manejo clínico. Insights clínicos Quando suspeitar de causas não infecciosas de febre em pacientes com DF? Quando há persistência febril sem foco infeccioso, especialmente após tratamento adequado, e quando há sinais inflamatórios elevados com piora clínica. Como diferenciar síndrome torácica aguda de embolia pulmonar? A EP deve ser suspeitada em pacientes com hipoxemia crescente apesar da antibioticoterapia, presença de dor torácica pleurítica, elevação de dímero-D e alterações sugestivas na angiotomografia. Qual é a conduta inicial frente à suspeita de EP em crianças com DF? Solicitação de angiotomografia pulmonar e início de anticoagulação com heparina de baixo peso molecular (ex: enoxaparina), com monitoramento de anti-Xa. Quando considerar febre medicamentosa? Após 7–10 dias de uso de um fármaco, em pacientes clinicamente estáveis, sem piora laboratorial e com febre de padrão intermitente, frequentemente com dissociação pulso-temperatura. Qual o tratamento da febre medicamentosa? Suspensão do fármaco suspeito. A melhora clínica e térmica geralmente ocorre em até 72 horas. A ceftarolina pode ser reutilizada em caso de febre medicamentosa? Não é recomendado reexpor o paciente, a não ser em ambiente controlado. Alternativas seguras incluem outros antibióticos de classe diferente ou de gerações distintas. Para ver mais conteúdos como este, acesse: NeoPed Hub
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