Ressuscitação com plasma em traumatismo cranioencefálico grave pediátrico Sobre o artigo O traumatismo cranioencefálico (TCE) grave é a principal causa de mortalidade traumática na população pediátrica. Estudos em adultos sugerem que a administração precoce de plasma pode melhorar os desfechos ao modular a coagulopatia induzida por trauma (CIT). No entanto, dados específicos em crianças são escassos. Este estudo investiga a segurança da administração precoce de plasma em crianças com TCE grave, comparando-a com a administração tardia. Métodos utilizados Estudo retrospectivo de coorte realizado em centro de trauma pediátrico de nível 1 entre 2016 e 2023. Incluiu pacientes com menos de 18 anos, com TCE grave (AIS de cabeça >2) admitidos em UTI e que receberam plasma em até 24 horas do trauma. Pacientes foram agrupados como recebendo “plasma precoce” (≤4h) ou “plasma tardio” (>4–24h). Emparelhou-se os grupos por escore de propensão, ajustando para idade, sexo, GCS de admissão, choque, ISS, AIS de cabeça e mecanismo da lesão. A principal variável de desfecho foi mortalidade em 28 dias. Resultados Foram incluídas 71 crianças (31 com plasma precoce e 40 com plasma tardio). A mediana de idade foi 4 anos, com predomínio do sexo masculino (66,2%) e mecanismo de trauma contuso (83,1%). A mortalidade em 28 dias foi elevada (62%) e semelhante entre os grupos. Não houve reações transfusionais nem aumento de eventos adversos com a administração precoce de plasma. Após emparelhamento por escore de propensão (31 pares), não se encontrou associação estatisticamente significativa entre o tempo de administração de plasma e mortalidade (OR 1,75; IC 95%: 0,42–7,31; p=0,443). As análises de sensibilidade confirmaram esses achados. Discussão A ressuscitação com plasma ≤4h do trauma não apresentou aumento de risco em relação à administração tardia em crianças com TCE grave. Os dados indicam que o uso precoce de plasma é seguro e pode evitar os efeitos deletérios da ressuscitação com cristaloides, como coagulopatia dilucional e disfunção multiorgânica. Apesar das limitações — amostra pequena, natureza retrospectiva e diferenças residuais entre os grupos — o estudo fornece base para futuros ensaios clínicos controlados, enfatizando a necessidade de dados pediátricos robustos. Conclusão A administração precoce de plasma em crianças com TCE grave mostrou-se segura, sem aumento de mortalidade ou eventos adversos comparado ao uso tardio. Diante da elevada mortalidade observada, são necessários estudos prospectivos multicêntricos para avaliar o potencial benefício terapêutico do plasma como fluido de ressuscitação precoce nessa população vulnerável. Insights clínicos O uso precoce de plasma em TCE pediátrico grave é seguro? Sim. O estudo não identificou aumento de mortalidade ou complicações associadas à administração precoce de plasma (≤4h do trauma). Há benefício em relação à mortalidade ao se administrar plasma precocemente? Não foi observada diferença estatisticamente significativa na mortalidade em 28 dias entre os grupos precoce e tardio. Quais complicações foram analisadas como desfechos secundários? Incluíram lesão renal aguda (AKI), síndrome do desconforto respiratório agudo (ARDS), tromboembolismo venoso (VTE), necessidade de craniotomia e intervenção neurocirúrgica precoce. A substituição de cristaloides por plasma pode ser vantajosa nesse cenário? Potencialmente sim, considerando os efeitos adversos conhecidos dos cristaloides e os efeitos protetores do plasma observados em adultos e modelos experimentais. Qual o próximo passo sugerido pelos autores? Ensaios clínicos multicêntricos e prospectivos que avaliem a eficácia do uso precoce de plasma como estratégia terapêutica em TCE pediátrico. Para ver mais conteúdos como este, acesse: NeoPed Hub
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