Uso de cannabis na gestação e lactação Sobre o artigo Este artigo de revisão explora os efeitos adversos potenciais da exposição pré-natal e pós-natal à cannabis sobre o desenvolvimento fetal e neonatal. O uso crescente de cannabis entre mulheres em idade fértil, muitas vezes motivado por sintomas como náuseas na gravidez, levanta preocupações significativas sobre os impactos no neurodesenvolvimento infantil. A evidência atual sugere que os canabinoides atravessam livremente a placenta e são transferidos pelo leite materno, afetando o eixo neuroendócrino fetal e o sistema nervoso central em desenvolvimento. Métodos utilizados Revisão narrativa da literatura com base em estudos observacionais, experimentos com modelos animais, dados de coortes longitudinais e relatórios de órgãos reguladores. Foram incluídos estudos clínicos e epidemiológicos que avaliam a exposição à cannabis durante a gestação e amamentação, seus mecanismos neurobiológicos e desfechos em curto e longo prazo. Resultados O tetraidrocanabinol (THC) atravessa a placenta e é detectável no leite materno por até 6 dias após o uso. A exposição fetal ao THC afeta a expressão de receptores canabinoides CB1 no cérebro em desenvolvimento, comprometendo funções cognitivas e comportamentais. Estudos em humanos mostram associação entre uso gestacional de cannabis e maior risco de parto prematuro, restrição de crescimento intrauterino e baixo peso ao nascer. Dados de seguimento indicam prejuízo na atenção sustentada, memória de trabalho, impulsividade e comportamento escolar em crianças expostas no período pré-natal. O leite materno de usuárias pode conter concentrações de THC clinicamente relevantes, com efeitos ainda mal definidos sobre o lactente. As taxas de uso de cannabis durante a gestação e amamentação têm aumentado, em parte devido à percepção equivocada de segurança, especialmente em contextos de legalização. Discussão Apesar da percepção crescente de que a cannabis é uma substância "natural" e segura, as evidências científicas demonstram impactos adversos no desenvolvimento neurocognitivo e comportamental infantil. A exposição pré-natal interfere nos processos críticos de diferenciação neural e maturação sináptica. Além disso, o THC compromete o sistema endocanabinoide fetal, essencial para o desenvolvimento neurológico. A exposição pelo leite materno, embora menos estudada, também levanta preocupações sobre possíveis efeitos cumulativos. As diretrizes pediátricas e obstétricas internacionais recomendam abstinência completa durante a gestação e lactação. Conclusão O uso de cannabis durante a gestação e lactação representa risco potencial ao desenvolvimento fetal e infantil, com evidências crescentes de prejuízos neurocognitivos e comportamentais. A triagem ativa, o aconselhamento baseado em evidências e intervenções precoces devem ser priorizados em contextos clínicos. A conscientização sobre os riscos deve ser parte das estratégias de saúde pública, especialmente diante da legalização da cannabis em diversos países. Insights clínicos A cannabis atravessa a placenta? Sim. O THC atravessa a placenta e atinge concentrações significativas no feto, interferindo no sistema endocanabinoide em desenvolvimento. Existe risco para o bebê amamentado por mães que usam cannabis? Sim. O THC é excretado no leite materno e pode permanecer por vários dias, com possível impacto neurológico, embora os efeitos de longo prazo ainda não estejam totalmente definidos. Quais os efeitos mais consistentes observados em crianças expostas no útero à cannabis? Déficits de atenção, impulsividade, dificuldades de memória de trabalho e alterações de comportamento na infância e adolescência. O uso ocasional é seguro durante a gravidez? Não. Mesmo o uso esporádico está associado a riscos como restrição de crescimento intrauterino e parto prematuro. Quais as recomendações das sociedades científicas sobre cannabis na gestação e lactação? Abstinência completa. A American Academy of Pediatrics e o American College of Obstetricians and Gynecologists contraindicam o uso em qualquer dose durante a gestação e lactação. Para ver mais conteúdos como este, acesse: NeoPed Hub
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