Adaptação do Cuidado Perioperatório em Crianças Neurodivergentes: Uma Revisão de Escopo

Fonte: Journal of Pediatric Surgery

Adaptação do cuidado perioperatório em crianças neurodivergentes Sobre o artigo Este artigo apresenta uma revisão de escopo sobre estratégias para adaptar o cuidado perioperatório em crianças neurodivergentes, como aquelas com transtorno do espectro autista (TEA), déficit de atenção/hiperatividade (TDAH) e outras condições do neurodesenvolvimento. Estas crianças frequentemente apresentam maior sensibilidade sensorial, dificuldades de comunicação e regulação emocional, o que aumenta o risco de experiências traumáticas e desfechos adversos no contexto cirúrgico. O objetivo da revisão é mapear práticas baseadas em evidências que promovam segurança, conforto e melhores resultados nesses pacientes. Métodos utilizados Revisão de escopo conduzida conforme a metodologia do Joanna Briggs Institute. Foram incluídos estudos qualitativos, quantitativos e relatos de prática publicados entre 2000 e 2023 em bases como PubMed, CINAHL e PsycINFO. A triagem resultou em 37 estudos elegíveis que abordavam intervenções, ferramentas e modelos de cuidado voltados ao preparo, manejo e recuperação de crianças neurodivergentes em ambientes perioperatórios. Resultados A maioria das intervenções identificadas concentrou-se na fase pré-operatória e envolvia preparação personalizada, visitas hospitalares antecipadas, uso de histórias sociais, materiais visuais e simulações.  Estratégias eficazes incluíram a presença de cuidadores familiares durante a indução anestésica, minimização de estímulos sensoriais (luz, som, toques), e adaptações ambientais.  Ferramentas como planos de cuidado individualizado e checklists multidisciplinares foram associadas a menor uso de sedativos e menos eventos adversos comportamentais.  Poucos estudos abordaram sistematicamente o intraoperatório ou a recuperação pós-anestésica, evidenciando lacunas relevantes na literatura.  A capacitação da equipe de saúde em neurodivergência e comunicação alternativa mostrou-se um fator crítico para o sucesso das intervenções.  Discussão Crianças neurodivergentes apresentam necessidades únicas no ambiente cirúrgico, exigindo abordagens centradas na família, adaptadas ao perfil sensorial e comportamental de cada paciente. As intervenções mais efetivas são aquelas personalizadas, que começam no pré-operatório com planejamento interdisciplinar, envolvimento dos cuidadores e uso de ferramentas visuais e sociais. Há necessidade urgente de protocolos estruturados, especialmente nas fases intra e pós-operatória. A falta de padronização dificulta a generalização dos resultados, embora as evidências apontem claramente para a superioridade do cuidado adaptado sobre o modelo tradicional. Conclusão A adaptação do cuidado perioperatório em crianças neurodivergentes é fundamental para melhorar a segurança, a experiência do paciente e os desfechos clínicos. Intervenções sensíveis ao neurodesenvolvimento, individualizadas e baseadas na parceria com a família devem ser incorporadas à prática clínica. Políticas institucionais, capacitação multiprofissional e desenvolvimento de diretrizes específicas são recomendados para promover a equidade no cuidado cirúrgico pediátrico. Insights clínicos  Quais desafios as crianças neurodivergentes enfrentam em cirurgias? Maior sensibilidade sensorial, dificuldade de comunicação e ansiedade, aumentando o risco de estresse, agitação, e complicações anestésicas. O que melhora a experiência cirúrgica dessas crianças? Preparação antecipada, visitas prévias ao hospital, histórias sociais, envolvimento da família, redução de estímulos sensoriais e plano de cuidado individualizado. Qual o papel da equipe de saúde? Capacitação em comunicação alternativa, reconhecimento de sinais de sobrecarga sensorial, e colaboração interdisciplinar são fundamentais. Há evidência sobre desfechos objetivos? Sim. Redução no uso de medicamentos ansiolíticos e menor frequência de eventos comportamentais adversos foram observados em abordagens adaptadas. O que falta na literatura atual? Estudos controlados sobre o manejo intraoperatório e recuperação anestésica, além da avaliação de impacto de protocolos estruturados. Para ver mais conteúdos como este, acesse: NeoPed Hub

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