[AAP 2025] Massas abdominais em crianças

Por Joana Machado Abdominal Masses in Children | Congresso da Academia Americana de Pediatria (AAP) 2025 – Denver, Colorado Este texto apresenta os principais pontos abordados na aula “Abdominal Masses in Children”, ministrada pela Drª Korkun durante o Congresso da Academia Americana de Pediatria (AAP) 2025. A apresentação trouxe uma revisão prática e atualizada sobre o diagnóstico diferencial de massas abdominais em crianças, com enfoque clínico e voltado à atuação do pediatra geral. A aula foi didática e destacou aspectos fundamentais da abordagem inicial — incluindo sinais de alerta, indicações de imagem e principais etiologias por faixa etária. Importância da História Clínica e do Exame Físico Um ponto fortemente ressaltado pela Drª Korkun foi a relevância da anamnese detalhada e do exame físico criterioso. Diferenciar entre uma criança sintomática e assintomática, considerar a idade do paciente, os sintomas associados e o histórico médico conhecido são passos essenciais. Durante a anamnese, a palestrante destacou perguntas-chave: Quando os sintomas começaram? Houve progressão da massa? Existe dor ou história de trauma? A revisão de sistemas deve ser completa e inclui sinais que possam sugerir etiologias mais graves, como febre, perda de peso, fadiga, vômitos persistentes, sintomas gastrointestinais e urinários, além de queixas musculoesqueléticas como dor óssea ou dificuldade para andar — todos dados que podem levantar suspeitas de malignidade ou envolvimento sistêmico. Histórico Médico Prévio Foram enfatizados antecedentes como anomalias congênitas, síndromes genéticas e doenças hepáticas conhecidas — todos fatores que podem estar relacionados ao desenvolvimento de massas abdominais específicas, como o tumor de Wilms ou hepatoblastoma. Avaliação Laboratorial Inicial A aula trouxe um roteiro bastante prático de exames laboratoriais iniciais: Hemograma completo: útil para detectar anemia, trombocitopenia e neutropenia, podendo sugerir infiltração medular ou doenças hematológicas. • Coagulograma (PT/PTT): alterações podem apontar para coagulopatias paraneoplásicas, como a doença de von Willebrand adquirida em tumores de Wilms. • Eletrólitos e função renal: importantes para identificar distúrbios como hipercalemia, hipocalcemia e elevação de creatinina — que podem indicar obstruções renais ou síndrome de lise tumoral. • DHL (Desidrogenase Lática): marcador inespecífico, mas útil em casos com alto turnover celular, como nos linfomas — destaque especial foi dado ao linfoma de Burkitt. • Exame de urina tipo I: a presença de hematúria microscópica é um achado sugestivo de tumor de Wilms. • Testes de função hepática: úteis na diferenciação de massas hepáticas e colestáticas. Avaliação por Imagem A escolha da imagem inicial depende do contexto clínico, mas a aula foi clara ao posicionar o ultrassom abdominal como o exame de imagem inicial: seguro, sem radiação, acessível e bastante informativo. Permite avaliar se a massa é cística ou sólida, simples ou complexa, além de sugerir seu órgão de origem e relação com estruturas adjacentes. O uso do Doppler também pode ajudar na avaliação do fluxo vascular da lesão. O Raio-X abdominal simples ainda tem papel, especialmente na triagem de obstruções ou calcificações. Exames de imagem mais avançados como Tomografia Computadorizada (TC) e Ressonância Magnética (RMN) são indicados para avaliação mais detalhada, especialmente em casos suspeitos de doença extensa, linfonodomegalias ou envolvimento de sistema nervoso central. A RMN foi destacada por sua superioridade na visualização de partes moles e ausência de radiação, sendo particularmente útil na avaliação hepática, cerebral e de medula espinhal. Diagnósticos Diferenciais por Faixa Etária Durante a apresentação, a palestrante fez uma breve menção aos principais diagnósticos diferenciais de massas abdominais em lactentes e em adolescentes/adultos jovens, antes de aprofundar a discussão sobre as crianças na faixa etária intermediária. Essa abordagem por idade ajuda a orientar o raciocínio clínico inicial com base na epidemiologia e na apresentação típica de cada grupo. Lactentes:    Massas renais benignas Doença renal policística Hidronefrose Nefroma mesoblástico congênito Hemangiomas infantis Hamartomas mesenquimais Cistos ovarianos Neuroblastoma em estágio 4S (forma metastática) Adolescentes e adultos jovens:   Carcinoma de células renais Carcinoma hepatocelular Tumores de ovário Doença inflamatória intestinal Sarcomas Adenomas hepáticos Hiperplasia nodular focal Hidrometrocolpos / hidrocolpos Após essa visão geral, a aula concentrou-se na faixa etária intermediária, na qual predominam as massas renais e hepáticas malignas, além de causas inflamatórias e infecciosas específicas. Tumor de Wilms Geralmente acomete crianças entre dois e cinco anos e se apresenta como massa abdominal indolor, podendo haver hematúria microscópica, febre e hipertensão. Exames iniciais incluem estudos de coagulação, exame de urina tipo I, ultrassonografia e tomografia computadorizada de tórax, abdome e pelve. Entre os problemas agudos estão a ruptura tumoral e a hipertensão grave. O paciente deve ser encaminhado à oncologia e à cirurgia oncológica, sendo o atendimento emergencial indicado nos casos de dor abdominal ou hipertensão. Neuroblastoma Mais comum em lactentes e crianças pequenas (até cinco anos, com média de dezoito meses). Apresenta-se com massa abdominal, perda ponderal, dor óssea, equimoses periorbitárias e sinais neurológicos como opsoclonus-mioclonus ou síndrome de Horner. Os exames incluem hemograma, dosagem urinária de HMA e VMA, ferritina, LDH, além de ultrassonografia, tomografia, ressonância e MIBG. Entre os quadros agudos, destacam-se doença sistêmica, dor intensa, hipertensão e déficit neurológico, que exigem encaminhamento urgente à oncologia e à cirurgia pediátrica. Abscesso Intra-Abdominal Mais frequente em escolares, manifesta-se por dor abdominal localizada, febre, náuseas, vômitos e anorexia. Os exames laboratoriais incluem hemograma e PCR, enquanto os métodos de imagem — especialmente USG e TC — confirmam o diagnóstico. O principal problema agudo é o abscesso não drenado, e a conduta envolve antibioticoterapia endovenosa e drenagem cirúrgica ou guiada por imagem, com envolvimento imediato da cirurgia pediátrica ou radiologia intervencionista. Linfoma Comum em crianças maiores e adolescentes, o linfoma abdominal se caracteriza por crescimento rápido de massa, febre, sudorese noturna, perda de peso, hematomas e sintomas gastrointestinais. Os exames indicados são hemograma, LDH, eletrólitos, ureia, ultrassonografia e tomografia de abdome e pelve. As complicações incluem obstrução intestinal, síndrome de lise tumoral e insuficiência renal. Hepatoblastoma Predomina em menores de cinco anos e se manifesta com massa no hipocôndrio direito, dor abdominal, distensão, perda de peso, fadiga e icterícia. O diagnóstico é apoiado por hemograma, provas de função hepática, estudo de coagulação e dosagem de alfa-fetoproteína, além de ultrassonografia, ressonância magnética

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