[AAP 2025] Corpos Estranhos de A a Z

Por Maria Paula Aquino A aula apresentada no Congresso Americano de Pediatria abordou o manejo de corpos estranhos em crianças, enfatizando uma abordagem prática e baseada em evidências. O foco principal foi orientar quanto à conduta adequada em cada situação — quando procurar emergência? Quando abordar em consultório? Quando continuar o acompanhamento? Corpos estranhos nas vias aéreas  As estatísticas apontam que cerca de 80% dos corpos estranhos que entram nas vias aéreas inferiores ocorrem em crianças com menos de 3 anos, com pico entre 1 e 2 anos; e são responsáveis por cerca de 150 mortes por ano em menores de 14 anos. Os balões de látex são os objetos mais comuns envolvidos em aspiração fatal na infância; e as nozes e sementes são os alimentos mais aspirados por bebês e crianças pequenas. A apresentação clínica pode variar de óbvia a insidiosa. O relato de um episódio de asfixia tem sensibilidade de 76% a 92%, sendo definido por sintomas respiratórios, e não por ânsia de vômito. Apenas 57% dos pacientes com um episódio apresentam sibilância, tosse e sons respiratórios diminuídos ao exame físico. Quanto à localização, cerca de 75% a 80% chegam aos brônquios, enquanto o restante fica na região laringo-traqueal. Manejo adequado  Imediato (obstrução total/quase total): seguir as recomendações da AHA (American Heart Association). Inconsciente: reanimação cardiopulmonar (RCP) e procurar corpo estranho na via aérea antes de iniciar a ventilação. Consciente < 1 ano: 5 golpes nas costas com a cabeça abaixada, seguido por 5 compressões torácicas. Consciente > 1 ano: 5 compressões abdominais (Manobra de Heimlich). Não realizar varredura a cega com o dedo. Avançado (vias aéreas): se possível seguir para atendimento de emergência para visualização direta do corpo estranho e remoção. Se o corpo estranho estiver acima das cordas vocais e não puder ser desalojado, realizar cricotireoidostomia. Se estiver abaixo das cordas vocais, tentar empurrá-lo mais fundo no brônquio principal direito para permitir a ventilação do pulmão esquerdo. Divindo o manejo de acordo com a localização dos corpos estranhos:  Corpos estranhos brônquicos  O padrão ouro de diagnóstico é a broncoscopia, porém apenas metade dos casos vão à emergência nas primeiras 24 horas após o acidente. Como a maioria dos corpos estranhos são radiotransparentes, a radiografia de tórax pode mostrar apenas aprisionamento de ar. Tomografia e ressonância magnética são mais sensíveis mas geralmente requerem sedação e o risco de radiação deve ser levado em consideração. A aula destaca que se a história for de baixo risco, sem sinais focais ao exame físico e a imagem for negativa, é razoável usar a tomada de decisão compartilhada, com retorno imediato se houver sinais de gravidade. Corpos estranhos nasais  A maioria dos casos ocorrem em menores de 6 anos, com pico aos 2 anos e meio. Além disso, a maioria das crianças apresenta-se assintomática. Em casos de corpos estranhos ocultos, o que é menos comum, considerar casos com secreção nasal unilateral e odor fétido. As taxas de de complicação são de 5%, sendo as mais comuns: infecção, laceração e lesão do septo nasal. Os elementos com maior risco de complicação são: baterias, ímãs e pilhas. Em um estudo retrospectivo dos últimos 10 anos com 562 pacientes que foram a emergência pediátrica com corpos estranhos nasais: 40% foram removidos na emergência (5% destes precisaram de abordagem em centro cirúrgico), e 5% apresentaram complicações. Preparação para remoção: alertar que pode haver sangramento após retirada e que a criança não vai gostar do processo. Imobilizar o paciente. Considerar o uso de fenilefrina nasal para diminuir o edema e o sangramento pós-remoção. Cuidado para não empurrar o corpo estranho na via aérea. Verificar ambas as narinas após a remoção. Técnicas de Remoção:  Beijo dos pais: usar um dispositivo bolsa-válvula-máscara ou a boca dos pais para soprar ar na boca da criança enquanto oclui a narina não afetada. Pinças/Ganchos/Curetas: melhor se o objeto for anterior, macio ou irregular. Cateter de sucção: mais eficaz para corpos estranhos redondos, pequenos, ou macios e úmidos (como esponja e tecido). Cateter com ponta de balão (ex: sonda de Foley 5/6 Fr): lubrificar, inserir além do objeto, inflar e arrastar para fora. Corpos estranhos auriculares  É tida como uma localização desafiadora devido à anatomia sensível e altamente vascularizada. As taxas de sucesso variam de 50% a 80%, sendo melhores se o objeto for superficial e puder ser agarrado. Fatores de falha na remoção:  Objetos não agarráveis (duros ou redondos, como pedras, miçangas, grãos de milho). Objetos mais profundos. História de tentativas anteriores fracassadas. Técnicas de Remoção: facilitada pela imobilização do paciente e luminosidade. Adesivo de Tecido: aplicar cola de cianoacrilato na ponta do aplicador, prender ao corpo estranho e puxar após secagem. Mais efetivo em adolescentes, por serem mais colaborativos. Gancho: mais usado em clíncias de otorrinolaringologia. Irrigação: contraindicada para corpos estranhos orgânicos ou se houver perfuração da membrana timpânica ou tubos de ventilação. Na técnica é usada água morna e o jato é direcionado para a parede póstero-superior do canal. Insetos Vivos: matar com Lidocaína a 2-4% ou óleo mineral antes de irrigar ou agarrar. Corpos estranhos ingeridos  Em geral 80% a 90% não necessitam de intervenção. O objeto mais comum é moeda, correspondendo a cerca de 70% dos casos. Os principais pontos de fixação destes objetos são: entrada torácica, arco aórtico e junção gastroesofágica. A maioria das fontes recomenda radiografias para todos os corpos estranhos ingeridos para verificar a localização, pois até 20% das ingestões de moedas presas acima do estômago são assintomáticas. Pilhas de lítio:  Destaque para a pilha de lítio que podem causar lesão cáustica, ulceração e perfuração se ficar presa na superfície da mucosa. As radiografias mostram o clássico “anel duplo” na vista antero-posterior e “moedas empilhadas” na vista lateral. Se o paciente tiver mais de 1 ano e a ingestão ocorreu nas últimas 12 horas, pode-se administrar mel (10 ml a cada 10 min, até 60 ml) para reduzir a lesão. Localização:  Esôfago: remoção emergente.  Estômago: remoção emergente se sintomático.  Além do estômago, deve ser eliminado espontaneamente em cerca de três dias. Considerar repetir

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