[AAP 2025] Highlights: Hipertensão Arterial na Infância

por Jasmin Pacheco O que temos de evidência sobre hipertensão arterial na infância? A apresentação da nefrologista pediátrica Dra. Eliza Blanchette no Congresso Americano de Pediatria de 2025 sobre Pontos de Pressão: Pérolas Essenciais na Hipertensão Pediátrica abordou o aumento da hipertensão em crianças, destacando sua conexão com o aumento da obesidade e o risco de doenças cardiovasculares na idade adulta. Também foram mostradas mudanças nas diretrizes de 2017 da Academia Americana de Pediatria (AAP), enfatizando a medição adequada da pressão arterial e o uso do Monitoramento Ambulatorial da Pressão Arterial (MAPA). O congresso também forneceu um algoritmo simplificado para o manejo da pressão arterial em pacientes pediátricos, além de discutir opções de tratamento medicamentoso e propostas de modificações no estilo de vida. A importância do tema Aumento da obesidade desde o início dos anos 2000 → aumento de crianças hipertensas. PA alta na infância e adolescência → risco maior de hipertensão e doenças cardíacas como jovens adultos. Crianças com hipertensão já apresentam sinais de envelhecimento vascular (já há evidencia). A hipertensão é um fator de risco modificável chave que é subdiagnosticado e subtratado nessa população. Os riscos de complicações já surgem na infância Um estudo recente publicado no JAMA Pediatrics (ref. 3) mostrou que crianças diagnosticadas com hipertensão tiveram um risco maior de AVC, IM, intervenção coronariana e ICC ao longo de um acompanhamento mediano de 13,6 anos, justamente em uma faixa etária que geralmente fica em gap de acompanhamento na transição pediatra x clínica de adulto. Mudanças nas Diretrizes da AAP de hipertensão O último guideline (2017) trouxe muitas mudanças desde o 4º relatório de 2004. Definição de pressão arterial: adolescentes ≥ 13 anos = pontos de corte igual de adultos. Crianças < 12 anos: PA ≥ percentil 95 na tabela de percentil de PA (considera estatura, idade e sexo). Hipertensão estágio 1 se PA ≥ p95 e hipertensão estágio 2 se PA ≥ p95 + 12mmHg (ou ≥ 140x90). Dica da AAP: utilizar aplicativo de classificação de pressão arterial pediátrica e integrar por programação no seu prontuário médico eletrônico (já calcula automático com os dados do paciente). Para ter no consultório ou na triagem do atendimento: Ferramenta que identifica de forma grosseira hipertensão arterial na infância (altamente sensível, detecta mais hipertensão do que pela tabela oficial). Se alterada, reaferir e confirmar pela tabela: Meninos Meninas IDADE (ANOS) PA sistólica PA diastólica PA sistólica PA diastólica 1 98 52 98 54 2 100 55 101 58 3 101 58 102 60 4 102 60 103 62 5 103 63 104 64 6 105 66 105 67 7 106 68 106 68 8 107 69 107 69 9 107 70 108 71 10 108 72 109 72 Como aferir corretamente? Destaque da importância de medir adequadamente para evitar valores e categorizações erradas: Escolha correta do manguito: o cuff (parte que infla da braçadeira) deve cobrir 80% da circunferência do braço e 70% do comprimento do braço. Paciente sentado por 5 minutos, descansado por 10 minutos, idealmente com pés apoiados no chão, cotas encostadas, sem falar. Onde aferir? Braço direito na altura do coração, apoiado em um suporte, 2-3 cm acima da fossa antecubital. Se PA ≥ p90 pela tabela, medir novamente e fazer uma média das duas aferições. Se a média é ≤ p90 = PA normal. Se média ≥ p90 → classificar grau hipertensão. Atenção: se a média ≥ p90 mas não tiver sido feita a 2ª aferição pelo método auscultatório (recomendado), repetir aferição 2x pelo método auscultatorio de fazer nova média. Se persistir ≥ p90 → classificar grau hipertensão. Como manejar? Classificação da PA Conduta Normal Rastreio anual E orientar estilo de vida PA elevada Orientar mudanças de estilo de vida Reavaliar em 6 meses → aferir PA nos 4 membros Reavaliar após mais 6 meses (1 ano da avaliação inicial): pedir MAPA, considerar classificação e encaminhamento para cardiologista Hipertensão estágio 1 Orientar mudanças de estilo de vida Reavaliar em 1-2 semanas: aferir PA nos 4 membros Reavaliar após 3 meses: MAPA, iniciar medicamento, classificar e considerar considerar encaminhamento para cardiologista Hipertensão estágio 2 Orientar mudanças de estilo de vida e aferir PA nos 4 membros Reavaliar em 1 semana: repetir aferição de PA + MAPA + classificar + iniciar medicamentos + encaminhar para cardiologista Objetivo de aferir os 4 membros → descartar coartação de aorta. Importante: PA elevada (mesmo sem hipertensão) já gera lesão em vaso sanguíneo. Etiologia da hipertensão Riscos modificáveis: obesidade, dieta, alimentos ultraprocessados, inatividade física, baixo consumo de frutas e vegetais, má qualidade do sono Riscos não modificáveis: genética (muito importante, multigenes podem causar), baixo peso ao nascer, ambiente. REDFLAGs para suspeitar de hipertensão secundária Idade de início ≤ 6 anos (mesmo se a criança tiver sobrepeso ou obesidade) Hipertensão Estágio 2, especialmente sem obesidade Achados anormais no exame físico Sinais de possível síndrome genética Atenção: se há preocupação com hipertensão secundária = encaminhamento para especialista. Populações de risco para hipertensão arterial secundária: Anormalidades cromossômicas e síndrome genética (exemplos: neurofibromatose, Esclerose Tuberosa, trissomia do 21); Doenças renais (como doença renal crônica); Síndrome vascular, como a síndrome de Williams Vasculite e outras Doenças Reumatológicas Distúrbios Endócrinos Doença Oncológica Exames complementares Para todos os pacientes: função renal, EAS, perfil lipídico Ecocardiograma se for começar anti-hipertensivos pelo fluxograma anterior Pacientes com obesidade: Hemoglobina glicada, TGO, TGP, vitamina D, TSH, T4 livre Se ≤ 6 anos: USG renal (sem Doppler), ecocardiograma, considerar outros exames secundários pela queixa. A depender da avaliação clinica inicial, considerar: estudo do sono, Hemograma, renina/aldosterona, metanefrinas plasmáticas (comum na história ter ataques de pânico). Dieta DASH Combina vários elementos de alimentação saudável (combina ingesta diária de grãos, vegetais, frutas, ingestão semanal de nuts/peixes/carnes, menor frequência semanal de doces e gorduras, entre outros). Tem estudos que mostram benefícios da dieta DASH na redução da PA e pode reduzir a necessidade de medicamentos. Efeitos das modificações do estilo de vida na PA As mudanças do estilo de vida são cientificamente comprovadas na redução da hipertensão arterial: Modificações de estilo de vida Média de redução

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