Mastoidite Aguda na Era Pós-Pandemia: Uma Ameaça Reemergente às Crianças Sobre o artigo O artigo é uma carta ao editor que comenta os achados de um estudo recente de Chebib et al. sobre as mudanças clínicas e microbiológicas na mastoidite aguda (MA) em crianças entre dois períodos: 2001–2008 e 2021–2024. Destaca-se um aumento preocupante na incidência e gravidade da doença, sugerindo um ressurgimento de infecções bacterianas graves após o relaxamento das medidas de contenção da COVID-19. Métodos utilizados O artigo comentado é uma análise comparativa retrospectiva, com avaliação longitudinal dos casos clínicos e microbiológicos de MA infantil em dois períodos distintos. A carta enfatiza a importância da inclusão de testes moleculares (ex: PCR 16S rRNA) para detecção de patógenos anaeróbios de difícil cultivo. Resultados Aumento anual de casos de MA de 27 para 74. Crescimento de 13 vezes na ocorrência de complicações intracranianas (de 3% para 39%). Emergência do Fusobacterium necrophorum como principal agente etiológico nas formas complicadas (presente em 36% dos casos), associado a trombose do seio lateral e extensão intracraniana. Redução de casos relacionados ao Streptococcus pneumoniae, possivelmente devido à vacinação conjugada pneumocócica. Substituição do perfil etiológico por estreptococos do grupo A e anaeróbios. Discussão O aumento de casos e complicações de MA reflete uma tendência global no pós-pandemia, com aumento de infecções por Streptococcus pyogenes. A mudança do espectro microbiológico demanda revisão nas abordagens diagnósticas e terapêuticas. O artigo defende o uso precoce de exames de imagem, culturas e testes moleculares, além da conscientização sobre complicações graves. Há uma lacuna criada pela diminuição de pneumococos, agora ocupada por germes mais agressivos e de crescimento anaeróbio. Conclusão A mastoidite aguda pediátrica está ressurgindo com maior agressividade na era pós-COVID-19. Há necessidade urgente de atualizar diretrizes clínicas, implementar vigilância multicêntrica e adaptar o manejo antibiótico e diagnóstico às novas realidades microbiológicas da doença. Insights clínicos O que mudou no perfil clínico da mastoidite aguda em crianças após a pandemia? Houve aumento da incidência e gravidade, com crescimento expressivo de complicações intracranianas. Qual agente etiológico emergiu como o mais relevante nas formas complicadas? O Fusobacterium necrophorum, especialmente associado a trombose de seio lateral. Por que há menor prevalência de Streptococcus pneumoniae? Devido à ampla vacinação pneumocócica infantil, o que criou espaço para novos patógenos. Quais métodos diagnósticos são recomendados diante desse novo cenário? Exames de imagem precoces, culturas e testes moleculares como PCR de 16S rRNA. Que implicações terapêuticas decorrem dessas mudanças microbiológicas? É necessário reavaliar esquemas antibióticos, com cobertura para anaeróbios e patógenos não pneumocócicos. Para ver mais conteúdos como este, acesse: NeoPed Hub
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