Percepções parentais sobre os benefícios de um programa de futebol de 20 semanas para crianças com paralisia cerebral: uma abordagem “living-lab” Sobre o artigo Este estudo qualitativo avaliou os efeitos de uma intervenção baseada em futebol, com duração de 20 semanas, em crianças de 5 a 10 anos com paralisia cerebral (PC), a partir da perspectiva dos pais. A abordagem "living-lab" foi empregada com base nos princípios de Football is Medicine e letramento físico (physical literacy). Os autores apontam que, embora os benefícios físicos do exercício sejam bem documentados para essa população, os impactos psicossociais e a aplicação em contextos reais ainda carecem de evidências consistentes. Métodos utilizados Foi realizado um estudo qualitativo com entrevistas semiestruturadas com sete pais de crianças participantes do programa. As sessões ocorreram uma vez por semana, durante 1 hora, por 20 semanas, em um ginásio adaptado para crianças com limitações motoras. A metodologia baseou-se em pedagogia não linear, dinâmicas ecológicas e gamificação. A análise de dados seguiu o método de análise temática com uso de pen profiles para representar visualmente os temas emergentes. Resultados Os pais relataram melhorias em múltiplas dimensões do letramento físico das crianças, incluindo: Aumento da confiança (n=7) e redução da timidez Maior motivação e prazer na participação em atividades físicas (n=7) Melhora na interação social com outras crianças com PC (n=7) Ambiente adaptável e inclusivo (n=6) Percepção de que o programa complementava a fisioterapia tradicional (n=3) Melhora na competência motora percebida (n=3) A Figura 1 do artigo (p.4) apresenta um diagrama visual desses temas com citações diretas dos pais, reforçando a aplicabilidade e aceitação do modelo. Discussão A abordagem baseada em futebol mostrou-se eficaz em promover não apenas desenvolvimento físico, mas também aspectos sociais e psicológicos importantes para a adesão a longo prazo à atividade física. A natureza lúdica e social das sessões foi essencial para o engajamento intrínseco das crianças, alinhando-se com a Teoria da Autodeterminação. Os pais destacaram que os filhos se envolviam nas atividades sem perceberem o esforço físico, um indicativo do sucesso da gamificação na promoção da adesão. Conclusão O modelo "living-lab" baseado em futebol demonstrou ser uma intervenção viável, inclusiva e percebida como eficaz pelos pais, promovendo o letramento físico de forma holística. Os benefícios observados vão além da reabilitação física, incluindo ganhos em confiança, motivação e integração social. O estudo reforça a importância da participação parental na co-construção de programas e sugere a possibilidade de expansão desse modelo para outras localidades e populações com deficiências. Insights clínicos A prática de futebol é segura e eficaz para crianças com paralisia cerebral? Sim. O estudo mostrou que uma abordagem adaptada, com sessões semanais em ambiente inclusivo e lúdico, promove benefícios físicos, sociais e psicológicos. O programa substitui a fisioterapia tradicional? Não. Os pais relataram que o futebol atuou como complemento à fisioterapia, com o diferencial de aumentar o engajamento e prazer das crianças. Há ganhos além do aspecto físico? Sim. Foram relatadas melhorias em confiança, motivação, interação social e redução da timidez, evidenciando impactos positivos na qualidade de vida. Como a intervenção foi adaptada às necessidades das crianças com limitações motoras? O ambiente foi projetado com piso nivelado, jogos adaptáveis e tarefas cooperativas, permitindo a participação de crianças com diferentes níveis de mobilidade. Os pais participaram ativamente do processo? Sim. Pais e irmãos contribuíram com o design das sessões e ofereceram feedback contínuo, sendo parte essencial da abordagem "living-lab". Para ver mais conteúdos como este, acesse: NeoPed Hub
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