Marcadores Inflamatórios e Infecção Bacteriana Invasiva em Lactentes Febris com Urinálise Positiva Sobre o artigo Este estudo investiga a prevalência de bacteremia e meningite bacteriana em lactentes febris (8 a 60 dias) com urinálise (UA) positiva, considerando os marcadores inflamatórios (IMs) normais ou anormais. A diretriz da Academia Americana de Pediatria (AAP) orienta a conduta com base na combinação de IMs, como procalcitonina (PCT), contagem absoluta de neutrófilos (ANC), proteína C reativa (CRP) e temperatura máxima (Tmax), especialmente quando a PCT não está disponível. Métodos Utilizados Foi realizada uma análise secundária de um estudo retrospectivo com dados do REVISE II (Reducing Excessive Variability in Infant Sepsis Evaluation II), abrangendo 105 hospitais nos EUA e Canadá. Foram incluídos lactentes com 8 a 60 dias, previamente saudáveis, com febre ≥ 38 °C e urinálise positiva (leucocitase, nitritos ou >5 leucócitos/campo). A prevalência de bacteremia e meningite foi calculada com base nos IMs, utilizando os critérios da AAP para definir valores normais e anormais. Resultados Entre 2.144 lactentes com urinálise positiva, 6,3% apresentaram bacteremia e 0,6% meningite. Lactentes com IMs normais (PCT+ANC ou Tmax+CRP+ANC) tiveram prevalência muito baixa de bacteremia (0,3%) e meningite (0,2%). Apenas um caso de meningite ocorreu em um lactente com IMs normais (pela combinação PCT+ANC, mas com CRP alterada). A prevalência de bacteremia foi significativamente maior nos grupos com IMs anormais, principalmente entre 8 e 28 dias (14,2%–16,3%). A meningite também foi mais comum nesse grupo, embora rara (1,1%–1,9%). Discussão Os dados confirmam a segurança da abordagem proposta pela AAP para lactentes com urinálise positiva e IMs normais, inclusive para manejo ambulatorial em crianças entre 29 e 60 dias. Para lactentes de 8 a 21 dias, os achados sugerem que pode haver espaço para decisão compartilhada sobre a punção lombar. O risco aumenta consideravelmente na presença de IMs anormais, destacando a importância da avaliação laboratorial cuidadosa. Conclusão Lactentes febris com urinálise positiva e IMs normais têm baixo risco de infecção bacteriana invasiva. A diretriz da AAP é respaldada por estes achados, especialmente para manejo ambulatorial seguro de lactentes entre 29 e 60 dias. A decisão sobre coleta de líquor deve ser individualizada, especialmente em menores de 22 dias. Já em casos com IMs anormais, o risco elevado justifica avaliação mais agressiva. Insights clínicos Quando é seguro não realizar punção lombar em lactentes febris com urinálise positiva? Quando os marcadores inflamatórios estão normais (PCT ≤ 0,5 ng/mL, ANC ≤ 4000/mm³, CRP < 20 mg/L, Tmax < 38,6 °C), especialmente em bebês de 29 a 60 dias. Qual é o risco de bacteremia em lactentes com urinálise positiva e IMs normais? Apenas 0,3%, o que sustenta o manejo ambulatorial nesses casos. E se o bebê tiver IMs alterados? O risco de bacteremia chega a 14–16% entre 8 e 28 dias, e de meningite até 1,9%, indicando necessidade de investigação completa. A PCT pode ser substituída por outros marcadores? Sim. Quando indisponível, a combinação Tmax + CRP + ANC conforme a diretriz da AAP é válida. Um único IM alterado já aumenta o risco? Sim. O risco varia conforme qual marcador está alterado, justificando atenção mesmo em alterações isoladas. Para ver mais conteúdos como este, acesse: NeoPed Hub
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