Crianças e adolescentes com condição pós-COVID-19 persistente ao longo de 24 meses: estudo de métodos mistos Sobre o artigo Este estudo investigou crianças e adolescentes com condição pós-COVID-19 (PCC) persistente por até 24 meses após infecção confirmada por SARS-CoV-2. O objetivo foi explorar a existência de subgrupos de sintomas, sua estabilidade ao longo do tempo, as associações com prejuízos funcionais e a experiência vivida desses jovens durante a pandemia. Métodos utilizados Trata-se de um estudo de métodos mistos. Foram incluídos 68 participantes do estudo CLoCk (Children and young people with Long COVID), com idade entre 11 e 17 anos, que atenderam à definição de PCC nos pontos de seguimento de 3, 6, 12 e 24 meses. A análise quantitativa utilizou análise de classes latentes para identificar subgrupos de sintomas e associar com prejuízos funcionais via questionário EQ-5D-Y. A análise qualitativa aplicou análise temática reflexiva a respostas abertas de seis participantes ao longo do mesmo período. Resultados Dois subgrupos de sintomas foram identificados: Subgrupo com sintomas frequentes: 6,5 a 9 sintomas relatados ao longo do tempo, com predominância de cansaço extremo e dispneia. Subgrupo com sintomas menos frequentes: 4 a 5 sintomas, principalmente cansaço. Não houve associação significativa entre o subgrupo de sintomas e prejuízos em mobilidade, autocuidado ou atividades usuais. No entanto, o grupo com mais sintomas relatou mais dor e maior sofrimento emocional. A análise qualitativa revelou persistência de ansiedade, problemas respiratórios e preocupações com o relaxamento das restrições sanitárias. Preocupações com a escola foram pontuais, predominando no início do seguimento. Foi relatada dificuldade de acesso a cuidados especializados e múltiplas consultas sem diagnóstico definido. Discussão A presença de sintomas persistentes, mesmo em menor número, foi associada a impacto negativo significativo na saúde mental e qualidade de vida. A fadiga, apesar de muito prevalente quantitativamente, foi raramente mencionada qualitativamente, indicando possível normalização ou subvalorização do sintoma. O estudo destaca que o número de sintomas não é um bom preditor de gravidade ou impacto funcional, ressaltando a importância de abordagens individualizadas. O uso de métodos mistos permitiu uma compreensão mais profunda dos efeitos prolongados da PCC em jovens. Conclusão Mesmo com poucos sintomas, crianças e adolescentes com PCC apresentam impacto emocional duradouro. Os achados reforçam a necessidade de estratégias personalizadas de manejo clínico, com atenção à saúde mental, independentemente da intensidade do quadro sintomático. Insights clínicos Crianças e adolescentes com menos sintomas apresentam menor impacto funcional? Não necessariamente. Mesmo participantes com menos sintomas relataram ansiedade significativa e prejuízo emocional, indicando que o número de sintomas não prediz o impacto funcional. Quais os sintomas mais comuns identificados ao longo de 24 meses? Fadiga e dispneia foram os sintomas mais prevalentes em ambos os subgrupos. Problemas com sono também foram relatados tardiamente (12 e 24 meses). Houve evolução dos sintomas ou estabilidade ao longo do tempo? A maioria dos participantes oscilou entre os subgrupos de sintomas ao longo do tempo, indicando flutuação na expressão clínica da PCC. Existe relação entre a presença de sintomas e prejuízos em mobilidade ou autocuidado? Não houve associação significativa entre os subgrupos de sintomas e prejuízos em mobilidade, autocuidado ou atividades diárias, exceto em relação à dor e sofrimento emocional, mais prevalentes no grupo com sintomas frequentes. Quais preocupações foram mais frequentes nos relatos qualitativos? Ansiedade prolongada, dificuldades respiratórias e preocupações com o relaxamento das medidas de proteção sanitária. Preocupações escolares foram mencionadas apenas nos primeiros meses. Qual a principal implicação para a prática clínica? A abordagem deve ser centrada no paciente, com atenção individualizada à saúde física e mental, mesmo em casos com poucos sintomas aparentes. A integração de dados quantitativos e qualitativos pode ajudar no planejamento de serviços e intervenções. Para ver mais conteúdos como este, acesse: NeoPed Hub
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