Acidente Vascular Cerebral Arterial Perinatal (AVCiP) envolvendo a artéria cerebral posterior

Fonte: American Academy of Pediatrics

Acidente Vascular Cerebral Arterial Perinatal (AVCiP) envolvendo a artéria cerebral posterior Sobre o artigo  O artigo apresenta o caso de uma recém-nascida a termo diagnosticada com encefalopatia neonatal (EN) e, posteriormente, com acidente vascular cerebral arterial perinatal (AVCiP) na artéria cerebral posterior esquerda (ACP). Após o diagnóstico por ressonância magnética (RM), a paciente foi acompanhada em um ambulatório multidisciplinar de seguimento neurológico e neurodesenvolvimental. O caso destaca a importância da investigação etiológica em quadros de EN, do diagnóstico precoce por imagem e do seguimento estruturado para prognóstico e intervenção precoces. Métodos utilizados A conduta incluiu suporte ventilatório inicial, hipotermia terapêutica iniciada nas primeiras 5 horas de vida, investigação laboratorial, eletroencefalograma (EEG), ultrassonografia transfontanela, ressonância magnética cerebral com angiorressonância, estudo trombofílico, exame do cordão umbilical e patologia placentária. O seguimento clínico ocorreu em avaliações periódicas até os 5 anos, com escalas padronizadas (Bayley-III, Alberta Infant Motor Scale, ASQ-3, CBCL, Mullen). Resultados O diagnóstico de AVCiP foi confirmado por RM ao 4º dia de vida, revelando infarto agudo nos lobos occipital e parietal esquerdos, além de degeneração pré-Walleriana. O exame placentário revelou malperfusão vascular fetal com hiperencaracolamento do cordão. O desenvolvimento neurológico da paciente foi monitorado até os 5 anos, com resultados normais em todas as avaliações motoras, cognitivas e linguísticas, apesar do risco de déficits visuais pela localização do AVC. Nenhum sinal de epilepsia foi identificado após a descontinuação do fenobarbital. A paciente manteve evolução favorável, sem necessidade de terapias de reabilitação. Discussão EN pode ter etiologias variadas, incluindo causas não hipóxico-isquêmicas como o AVCiP. O diagnóstico precoce, idealmente com RM, é fundamental para diferenciar HIE de outras causas e evitar condutas inadequadas. AVCiP é uma importante causa de AVC neonatal e tem como fator etiológico comum a embolia placentária. O acometimento da ACP, como no caso apresentado, está associado a risco aumentado de déficits visuais e epilepsia, mas com menor impacto motor, especialmente se não houver envolvimento da cápsula interna. A história familiar, achados placentários e ausência de anormalidades genéticas sugerem baixo risco de recorrência. A neuroplasticidade cerebral e o suporte familiar influenciam fortemente os desfechos. Conclusão O caso reforça a necessidade de investigação etiológica detalhada em casos de EN e a importância do acompanhamento neurodesenvolvimental até a idade escolar, mesmo em crianças com evolução clínica inicialmente favorável. A RM cerebral é indispensável no diagnóstico de AVCiP. O suporte multidisciplinar e o envolvimento familiar contribuíram para o desfecho positivo apresentado. Insights clínicos  Qual foi a causa mais provável do AVC nesta paciente? A etiologia mais provável foi embolia placentária secundária à malperfusão vascular fetal e hiperencaracolamento do cordão umbilical. Como o diagnóstico de AVCiP foi confirmado? Por meio de ressonância magnética cerebral com angiorressonância, mostrando infarto agudo na região da artéria cerebral posterior esquerda. Quais foram os achados do seguimento neurodesenvolvimental até os 5 anos? A paciente apresentou desenvolvimento normal em todas as áreas avaliadas: motora, cognitiva e de linguagem, sem crises epilépticas ou déficits visuais identificados. Existe risco de recorrência do AVCiP nesta paciente? Não. A origem placentária do evento, associada à ausência de alterações genéticas ou antecedentes familiares, indica risco muito baixo de recorrência. Qual a importância do exame placentário nestes casos? É fundamental para identificar causas como malperfusão vascular fetal, que orientam prognóstico e estratégias de prevenção secundária. Quando é indicada a ressonância magnética em casos de EN? Idealmente após o reaquecimento da hipotermia terapêutica (por volta do 3º ao 4º dia de vida), especialmente quando há suspeita de lesão focal. O que diferencia AVCiP de HIE no contexto de EN? PAIS tem padrão de lesão focal arterial, enquanto HIE apresenta padrões difusos ou em regiões específicas, como os gânglios da base e tálamo. O EEG e o contexto clínico também ajudam na diferenciação. Para ver mais conteúdos como este, acesse: NeoPed Hub

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