Alterações nas práticas de sono seguro em lactentes com doenças agudas Sobre o artigo Este estudo prospectivo investigou alterações nas práticas de sono seguro em lactentes com doenças agudas de baixa gravidade que se apresentaram ao departamento de emergência pediátrica. A adesão às recomendações da Academia Americana de Pediatria (AAP) sobre o sono seguro foi avaliada antes, durante e após a doença. O objetivo foi compreender como a doença aguda impacta os comportamentos de sono e o risco de morte súbita inesperada na infância (SUID). Métodos utilizados Trata-se de um estudo de coorte prospectivo, realizado com 131 cuidadores de lactentes (0 a 12 meses) atendidos por condições de baixa acuidade em um pronto-socorro pediátrico terciário. As práticas de sono foram avaliadas por meio de questionários aplicados oralmente em quatro momentos: antes da doença, durante a doença, 2 semanas e 1 mês após a visita ao pronto-socorro. Os dados foram analisados por regressões logísticas e de Poisson mistas para avaliar alterações ao longo do tempo e entre subgrupos demográficos. Resultados A adesão completa às recomendações da AAP foi baixa (<10%) em todos os momentos do estudo. Durante a doença, práticas inseguras aumentaram: o compartilhamento de cama passou de 57,3% para 68,7%, mantendo-se elevado após 1 mês (83,6%). O uso de berço ou cercado reduziu de 61,8% para 48,1% e manteve-se baixo nas avaliações subsequentes. A motivação dos cuidadores mudou durante a doença: menos relataram segurança como razão principal (46,6% vs. 42%) e aumentou a influência de recomendações familiares (5,3% vs. 15,3%). Subgrupos com maior declínio de práticas seguras incluíram cuidadores jovens (18–29 anos) e famílias com apenas um filho. Discussão O período de doença aguda se mostrou crítico para mudanças em práticas de sono infantil, com aumento substancial de comportamentos inseguros que persistiram mesmo após a recuperação clínica. O estudo sugere que essas mudanças são motivadas por preocupações com conforto e vigilância, mas acabam elevando o risco de SUID. A baixa adesão de base também indica que esse grupo pode ter acesso limitado a orientações pediátricas regulares, reforçando a necessidade de intervenções educativas oportunas no ambiente hospitalar. Conclusão Doença aguda em lactentes leva a alterações nas práticas de sono, com aumento de condutas não recomendadas pela AAP que persistem após a recuperação. Estratégias educativas direcionadas ao contexto da doença, incluindo intervenções no pronto-socorro e durante hospitalizações, são essenciais para promover práticas de sono seguro e reduzir o risco de SUID. Insights clínicos A doença aguda altera as práticas de sono seguro dos cuidadores? Sim. Durante a doença, houve aumento de comportamentos de risco, como cama compartilhada e uso de superfícies inadequadas para o sono, com manutenção desses comportamentos após a recuperação. Quais práticas seguras mais se deterioraram durante e após a doença? Dormir em berço/cercado e evitar o compartilhamento de cama foram as práticas com maior queda de adesão. Quais foram os principais fatores associados à piora nas práticas de sono? Cuidadores jovens (18–29 anos), ausência de outros filhos em casa e motivos de consulta como febre e desconforto gastrointestinal. As orientações familiares influenciam as decisões dos cuidadores? Sim. Durante a doença, a influência de familiares nas decisões sobre o sono aumentou significativamente, superando até mesmo a motivação relacionada à segurança. Como a equipe médica pode intervir? Deve-se oferecer orientações específicas sobre sono seguro durante atendimentos por doenças agudas, incluindo ações educativas no pronto-socorro e durante internações hospitalares. Para ver mais conteúdos como este, acesse: NeoPed Hub
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