Crescimento pós-alta hospitalar em prematuros extremos ou de muito baixo peso ao nascer Sobre o artigo Este estudo observacional multicêntrico, com dados do Vermont Oxford Network (VON), avaliou o crescimento de crianças com peso extremamente baixo ao nascer (ELBW, <1000g) ou prematuridade extrema (EPT, <28 semanas) entre a alta da UTI Neonatal (UTIN) e os 18 a 24 meses de idade corrigida. O objetivo foi descrever o estado nutricional nessa faixa etária e identificar fatores neonatais e maternos associados ao crescimento e tamanho final. Métodos utilizados Foi realizada análise secundária de 7301 crianças ELBW/EPT nascidas entre 2010 e 2021 em 77 hospitais membros do VON. Foram avaliados escores z de peso, comprimento, circunferência cefálica e índice de massa corporal (IMC), baseados em padrões da OMS. O crescimento foi representado pela variação nos escores z entre a alta da UTIN e o seguimento. Foram utilizados modelos de regressão linear e logística multivariada para identificar fatores associados aos desfechos. Resultados Apesar de apresentarem crescimento compensatório após a alta, os ELBW/EPT permaneceram com peso e comprimento abaixo dos padrões da OMS aos 18–24 meses: Peso médio aos 18–24 meses: z = −0,24 Comprimento médio: z = −0,58 Crescimento compensatório (peso): aumento de 0,74 z-score desde a alta 7% estavam abaixo do peso e 14,3% apresentaram déficit estatural Fatores associados ao maior ganho de peso pós-alta: restrição de crescimento intrauterino (RCIU), falência de crescimento na UTIN e NEC cirúrgica No entanto, esses mesmos grupos permaneceram com tamanho inferior ao dos demais Discussão O estudo confirma que, embora ocorra crescimento compensatório após a alta da UTIN, ele é incompleto. Crianças com histórico de RCIU ou falência de crescimento na UTIN ganham peso mais rapidamente, mas continuam menores. Diagnósticos como BPD e NEC cirúrgica estão associados a piores desfechos de crescimento. A prevalência de sobrepeso/obesidade (21,6%) aos 18–24 meses levanta preocupações sobre o descompasso entre ganho ponderal e crescimento linear. Conclusão Crianças ELBW/EPT demonstram crescimento pós-alta, mas mantêm déficits persistentes em peso, estatura e circunferência cefálica aos 18–24 meses de idade corrigida. A vigilância do crescimento e intervenções nutricionais individualizadas após a alta hospitalar são cruciais para mitigar os impactos a longo prazo. Insights clínicos Prematuros extremos alcançam crescimento normal até os 2 anos? Não completamente. Apesar do crescimento compensatório, permanecem com peso e estatura abaixo dos padrões da OMS. Quais fatores estão associados ao maior ganho de peso pós-alta? Restrição de crescimento intrauterino, falência de crescimento na UTIN e NEC cirúrgica. Esses fatores garantem crescimento adequado aos 2 anos? Não. Embora tenham maior ganho de peso, essas crianças ainda permanecem com tamanho inferior. Há risco aumentado de sobrepeso em ELBW/EPT aos 2 anos? Sim. Cerca de 21,6% apresentavam sobrepeso ou obesidade aos 18–24 meses, sugerindo desproporção entre peso e estatura. Quais diagnósticos neonatais impactam negativamente o crescimento? Broncodisplasia pulmonar (BPD), enterocolite necrosante cirúrgica (NEC) e hemorragia/injuria cerebral (IVH/PVL) foram associados a menores escores z de crescimento. Existe impacto da raça materna no crescimento pós-alta? Sim. Filhos de mães asiáticas apresentaram menor ganho de peso, enquanto filhos de mães negras tiveram ganho maior. Para ver mais conteúdos como este, acesse: NeoPed Hub
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