O que é antigo volta a ser atual: Coqueluche Sobre o artigo A coqueluche, causada pela Bordetella pertussis, é uma doença de difícil controle apesar da vacinação disponível. A redução das taxas de imunização e a limitação da duração da proteção conferida pelas vacinas atuais têm levado ao aumento dos casos. Lactentes jovens são os mais vulneráveis às complicações e óbitos, e a vacinação materna durante a gestação é fundamental para protegê-los. O artigo reforça a importância de o profissional de saúde reconhecer os quadros clínicos de coqueluche em diferentes faixas etárias e de atuar ativamente na promoção da vacinação. Métodos utilizados Trata-se de uma revisão de literatura do tipo “State-of-the-Art Review”, publicada pela American Academy of Pediatrics, que compila evidências atualizadas sobre a microbiologia, imunologia, epidemiologia, diagnóstico, manejo e estratégias de prevenção da coqueluche. O artigo também discute o impacto das mudanças nas vacinas e nas políticas de vacinação ao longo do tempo. Resultados A B. pertussis produz toxinas e adesinas que contribuem para a gravidade da doença, especialmente em lactentes. A resposta imune à vacina acelular (aP) é menos duradoura e efetiva que à vacina de células inteiras (wP). A vacinação materna com Tdap entre 27–36 semanas de gestação reduz em mais de 90% as hospitalizações e óbitos por coqueluche em lactentes. A cobertura vacinal com DTaP entre crianças de jardim de infância nos EUA foi de apenas 92,1% em 2024–2025. Em 2024, houve mais de 35.000 casos notificados nos EUA, com seis mortes em lactentes. Discussão A transição das vacinas wP para aP foi motivada por preocupações com efeitos adversos, porém resultou em menor proteção a longo prazo. O declínio da cobertura vacinal, impulsionado por hesitação vacinal e desinformação, contribuiu para o ressurgimento da doença. A vacinação materna é a estratégia mais eficaz para prevenir casos graves em lactentes, mas sua adesão ainda é limitada. Estudos destacam que a recomendação ativa do profissional de saúde é o fator mais influente para aceitação vacinal na gestação. Conclusão A coqueluche continua sendo uma ameaça relevante, especialmente para lactentes não vacinados. A prevenção eficaz depende da vacinação sistemática, com foco especial na imunização durante a gestação. Médicos devem reconhecer precocemente os sinais clínicos, instituir o tratamento e promover estratégias vacinais para conter a transmissão e reduzir a mortalidade infantil. Insights clínicos Qual é a faixa etária com maior risco de complicações graves pela coqueluche? Lactentes menores de 3 meses são os mais vulneráveis, com risco elevado de apneia, hipertensão pulmonar, convulsões e morte. A vacina acelular é eficaz para controle da doença? A vacina aP é menos eficaz a longo prazo do que a vacina de células inteiras, com proteção decrescente após poucos anos. Qual é a estratégia preventiva mais eficaz para proteger recém-nascidos? A vacinação materna com Tdap no terceiro trimestre de cada gestação oferece mais de 90% de proteção contra hospitalizações e óbitos por coqueluche em recém-nascidos. A vacinação prévia elimina a necessidade de profilaxia pós-exposição? Não. Contatos próximos de casos confirmados devem receber profilaxia antibiótica mesmo se vacinados previamente. Quais são os principais sintomas em lactentes com coqueluche? Apneia, cianose, leucocitose extrema e ausência do “whoop” clássico são manifestações comuns em lactentes. Qual é o papel do profissional de saúde na prevenção da coqueluche? Reconhecimento precoce dos casos, prescrição de antibióticos, implementação de medidas de isolamento e promoção ativa da vacinação, especialmente na gestação. Para ver mais conteúdos como este, acesse: NeoPed Hub
Faça login para acessar o conteúdo
ou cadastre-se. | ESQUECI MINHA SENHA