Manejo da Gastrosquise: Momento do Parto, Uso de Antibióticos e Estratégias de Fechamento Sobre o artigo Este artigo sistematiza evidências sobre a condução inicial da gastrosquise, uma anomalia congênita da parede abdominal. A revisão foi conduzida pela American Pediatric Surgical Association Outcomes & Evidence Based Practice Committee, abordando três questões principais: idade gestacional ideal para o parto, antibioticoterapia apropriada e estratégias de fechamento do defeito. Métodos utilizados Foi realizada uma revisão sistemática qualitativa de publicações entre 1970 e 2019, utilizando os critérios PRISMA. A seleção seguiu um processo Delphi modificado, com inclusão de estudos dos níveis 1 a 4 de evidência. A análise concentrou-se em três questões pré-definidas e incluiu 92 manuscritos de 1.339 triados. Resultados 1. Momento ideal do parto Evidências indicam que partos eletivos antes de 37 semanas estão associados a maiores complicações relacionadas à prematuridade, como sepse e insuficiência respiratória. A entrega após 37 semanas reduz morbidade, ventilação mecânica, tempo de nutrição parenteral e tempo de internação. 2. Uso de antibióticos A maioria dos neonatos com gastrosquise recebe antibióticos profiláticos. Os microrganismos mais comuns são flora cutânea, especialmente Staphylococcus coagulase-negativo. A cobertura com penicilina resistente à beta-lactamase associada a aminoglicosídeo é eficaz até o fechamento do defeito. Fechamentos tardios (>24h) estão associados a maior risco de infecção de ferida. 3. Estratégias de fechamento do defeito abdominal Fechamento primário fascial: preferível quando possível; está associado a menor tempo de nutrição parenteral e internação. Uso de Silo: indicado quando não há possibilidade de fechamento imediato. Fechamento s/ sutura (sutureless): seguro, eficaz e associado a menor necessidade de ventilação mecânica e anestesia, além de risco semelhante ou inferior de infecção. Técnicas auxiliares (monitoramento de pressão vesical, tonometria gástrica): apresentam evidência limitada, sem impacto significativo comprovado. Discussão Apesar da heterogeneidade dos estudos e da escassez de ensaios clínicos randomizados, a revisão apoia fortemente que partos após 37 semanas proporcionam melhores desfechos. Estratégias de fechamento menos invasivas, como a técnica sem sutura, têm demonstrado vantagens clínicas, principalmente na redução da exposição à anestesia e ventilação mecânica. O uso criterioso de antibióticos deve priorizar a flora cutânea, com cautela na extensão da terapia além do fechamento da parede abdominal. Conclusão A prática baseada em evidências para gastrosquise ainda enfrenta desafios devido à limitação metodológica dos estudos disponíveis. No entanto, recomenda-se: Evitar partos antes de 37 semanas. Uso de antibióticos de espectro estreito até o fechamento. Considerar fechamento primário ou sutureless, conforme condição clínica do neonato. Evitar paralisia prévia ao fechamento e utilizar monitorização fisiológica com cautela. Insights clínicos Qual é a melhor idade gestacional para parto em casos de gastrosquise? R: Após 37 semanas, para evitar complicações da prematuridade e melhorar o tempo de recuperação clínica. Deve-se usar antibióticos em todos os recém-nascidos com gastrosquise? R: Sim, preferencialmente antibióticos de espectro estreito contra flora cutânea até 24 horas após o fechamento do defeito. Quando optar por fechamento primário versus uso de silo? R: O fechamento primário é preferível quando há estabilidade hemodinâmica e espaço abdominal adequado. O silo é reservado para casos em que o fechamento imediato não é possível. A técnica sutureless é segura? R: Sim. Ela reduz a necessidade de ventilação mecânica e anestesia, mantendo bons resultados clínicos. Técnicas auxiliares como pressão vesical ajudam no manejo? R: Podem ser úteis, mas ainda carecem de evidência robusta e devem ser utilizadas com cautela. Para ver mais conteúdos como este, acesse: NeoPed Hub
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