Sobrevida e morbidades em recém-nascidos de 21 semanas

Sobrevida e morbidades em recém-nascidos de 21 semanas Sobre o artigo  A redução progressiva da idade gestacional mínima para tentativa de reanimação neonatal tem levado alguns centros, como o da Universidade de Iowa, a considerar intervenções em recém-nascidos de 21 semanas. Dados sobre esses casos são escassos. Este estudo visa relatar os desfechos clínicos imediatos e hospitalares desses neonatos, fornecendo subsídios para decisões perinatais em situações de viabilidade limítrofe. Métodos utilizados Estudo retrospectivo de série de casos incluindo todos os recém-nascidos vivos com 21 semanas de idade gestacional atendidos em uma UTI neonatal de nível IV entre janeiro de 2010 e fevereiro de 2025. Dados clínicos e hemodinâmicos foram extraídos de prontuários eletrônicos. A reanimação foi definida como qualquer tentativa ativa de suporte neonatal. Foram analisados aspectos maternos, neonatais e evolução clínica hospitalar. Resultados Dos 252 fetos com 21 semanas registrados, 22 nasceram vivos e 17 (77%) foram reanimados. Seis (35%) foram sobreviventes até a alta hospitalar e 1 permanecia internado ao final do estudo. Nenhum necessitou de traqueostomia ou neurocirurgia. Sobreviventes apresentaram maior frequência de uso de corticoides antenatais e menor associação com gestação múltipla. As principais morbidades incluíram displasia broncopulmonar (todos grau 2 ou 3), hipertensão pulmonar crônica (57%) e hemorragia intraventricular (29% com grau 3). O suporte hemodinâmico e respiratório nas primeiras 72 horas foi intensivo e variável, com uso frequente de vasopressores, inotrópicos e óxido nítrico inalatório. Discussão O estudo é pioneiro em relatar uma coorte de sobreviventes com 21 semanas de gestação. A taxa de sobrevida de 35% entre os reanimados sugere que, em centros com expertise e protocolos específicos, a reanimação nesta idade pode ser uma opção eticamente permissível. A administração completa de corticoides antenatais pareceu associar-se à sobrevida, e o suporte intensivo precoce foi essencial. As limitações incluem o tamanho amostral pequeno e a ausência de dados de longo prazo. Conclusão Em um centro especializado, 35% dos recém-nascidos com 21 semanas que receberam reanimação sobreviveram até a alta hospitalar, com morbidades variadas. Os dados sugerem que a reanimação seletiva é possível e justificam novos estudos prospectivos para embasar a tomada de decisão clínica. Insights clínicos  É possível a sobrevivência de recém-nascidos com 21 semanas? Sim, neste estudo, 35% dos recém-nascidos reanimados com 21 semanas sobreviveram até a alta hospitalar. Quais fatores estiveram associados à sobrevida? Receber curso completo de corticoides antenatais e não fazer parte de gestação múltipla estiveram associados à maior chance de sobrevida. Quais foram as principais intervenções terapêuticas utilizadas nos primeiros dias? Ventilação de alta frequência, surfactante, uso de vasopressores, inotrópicos e óxido nítrico inalatório. Quais foram as principais morbidades observadas entre os sobreviventes? Displasia broncopulmonar grau 2 ou 3, hipertensão pulmonar crônica e hemorragia intraventricular (grau 3 em dois casos). Algum dos sobreviventes necessitou de traqueostomia ou neurocirurgia? Não, nenhum necessitou dessas intervenções invasivas. Para ver mais conteúdos como este, acesse: NeoPed Hub

Faça login para acessar o conteúdo
ou cadastre-se.ESQUECI MINHA SENHA

Compartilhe esse conteúdo

LinkedIn
Twitter
Facebook
WhatsApp

Posts relacionados

Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Este site é feito exclusivamente para profissionais de saúde.