Suporte respiratório não invasivo vs. intubação na sala de parto em prematuros extremos (23–25 semanas): impactos neonatais e no neurodesenvolvimento Sobre o artigo O uso de suporte respiratório não invasivo (NRS), especialmente CPAP nasal na sala de parto, tem sido associado à redução de morte ou displasia broncopulmonar em prematuros. Entretanto, a evidência específica para recém-nascidos extremamente prematuros (<26 semanas) ainda é limitada, particularmente quanto aos desfechos neurológicos a longo prazo. Este estudo teve como objetivo avaliar a associação entre o uso de NRS versus intubação traqueal (TI) nos primeiros 30 minutos após o nascimento em recém-nascidos de 23 a 25 semanas e os seguintes desfechos: Lesão cerebral grave (sBI) ou morte antes da alta da UTI neonatal Comprometimento neurodesenvolvimental significativo (sNDI) aos 18–24 meses de idade corrigida Métodos utilizados Estudo de coorte retrospectiva nacional canadense incluindo recém-nascidos de 23 0/7 a 25 6/7 semanas admitidos nas UTIs neonatais da Canadian Neonatal Network entre 2010 e 2019. Critérios de exclusão: Malformações congênitas maiores Anomalias cromossômicas Cuidados paliativos ao nascimento Nascidos fora do centro Reanimação extensa (compressões ≥30 segundos ou adrenalina) Apgar ≤1 no 1º minuto ou ≤3 no 5º minuto Definição dos grupos: Grupo NRS: suporte não invasivo por pelo menos 30 minutos após o nascimento Grupo TI: intubação traqueal nos primeiros 30 minutos Desfechos primários: sBI ou morte antes da alta sNDI aos 18–24 meses (Bayley-III <70 em qualquer domínio, GMFCS ≥3, cegueira bilateral ou perda auditiva com necessidade de amplificação) Análise estatística: Modelos de regressão logística multivariada Análise por escore de propensão (ajuste e pareamento) Análises de sensibilidade (Apgar >5 aos 5 minutos) Subanálises por idade gestacional Resultados População: 3.130 recém-nascidos incluídos na coorte principal 2.012 no grupo TI 1.118 no grupo NRS 1.488 avaliados no seguimento aos 18–24 meses A idade gestacional média foi maior no grupo NRS (24,6 vs 24,3 semanas; p<0,01). Desfecho primário neonatal: sBI ou morte: NRS: 25% TI: 36% aOR 0,74 (IC95% 0,60–0,91) A redução foi principalmente atribuída à menor ocorrência de lesão cerebral grave. Análise por pareamento confirmou menor risco: OR 0,72 (IC95% 0,60–0,86) Desfecho neurodesenvolvimental: sNDI: NRS: 17% TI: 23% aOR 0,77 (IC95% 0,60–0,99) Entretanto, após pareamento por escore de propensão: OR 0,78 (IC95% 0,58–1,05) — diferença não estatisticamente significativa. Observação relevante: 77% dos recém-nascidos inicialmente tratados com NRS foram intubados até o 7º dia de vida. Discussão O uso bem-sucedido de NRS nos primeiros 30 minutos após o nascimento foi associado à menor probabilidade de lesão cerebral grave ou morte antes da alta hospitalar. Possíveis explicações clínicas: Evita instabilidade fisiológica associada a tentativas precoces de intubação (bradicardia e dessaturação) Permite intubação posterior em ambiente mais controlado na UTI Entretanto, não houve redução consistente de comprometimento neurodesenvolvimental significativo após ajuste rigoroso. A associação favorável foi mais consistente no subgrupo de 25 semanas, enquanto nos nascidos com 23–24 semanas os resultados foram menos robustos. Limitações: Natureza observacional Possível confundimento residual por indicação Mudanças temporais na prática ao longo dos 10 anos Taxa de seguimento subótima Conclusão Em prematuros extremos de 23–25 semanas, o uso bem-sucedido de suporte respiratório não invasivo nos primeiros 30 minutos após o nascimento esteve associado a menor risco de lesão cerebral grave ou morte antes da alta da UTI neonatal. Não houve redução estatisticamente consistente de comprometimento neurodesenvolvimental significativo aos 18–24 meses após ajuste por escore de propensão. Estudos prospectivos são necessários para definir melhor os critérios ideais de seleção para NRS versus intubação nessa população de altíssimo risco. Insights clínicos 1. É seguro iniciar CPAP em prematuros de 23–25 semanas na sala de parto? Sim. Quando bem-sucedido nos primeiros 30 minutos, o NRS foi associado a menor risco de lesão cerebral grave ou morte. 2. O uso inicial de NRS reduz risco de comprometimento neurodesenvolvimental? Não de forma consistente após ajuste por escore de propensão. 3. A maioria dos pacientes tratados inicialmente com NRS evita intubação? Não. Aproximadamente 77% foram intubados até o 7º dia de vida. 4. Existe subgrupo com maior benefício? Os recém-nascidos de 25 semanas apresentaram associação mais consistente com melhores desfechos. 5. O estudo prova superioridade do NRS? Não. Trata-se de estudo observacional, sujeito a confundimento por indicação. Para ver mais conteúdos como este, acesse: NeoPed Hub
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