Práticas de nutrição enteral, fortificação do leite humano e uso de probióticos em prematuros

Práticas de nutrição enteral, fortificação do leite humano e uso de probióticos em prematuros Sobre o artigo O artigo apresenta um inquérito internacional atualizado sobre práticas de nutrição enteral em prematuros extremos (<28 semanas) e muito prematuros (28–31 semanas), destacando a importância da nutrição precoce para desfechos de crescimento e neurodesenvolvimento. O texto contextualiza a variabilidade histórica nas práticas, a influência do receio de enterocolite necrosante (ECN) e as atualizações recentes de recomendações, incluindo o posicionamento da ESPGHAN de 2023. Também enfatiza que muitos aspectos da nutrição enteral ainda carecem de evidência robusta para padronização de diretrizes.  Métodos utilizados Estudo transversal por meio de questionário eletrônico (SurveyMonkey) enviado a neonatologistas de 257 UTINs terciárias em 15 países da Europa, Canadá, Austrália e Nova Zelândia, entre outubro de 2023 e fevereiro de 2024. Foram incluídas UTINs que cuidam de prematuros <32 semanas. O questionário abordou: Disponibilidade de leite humano doado (LHD) Início e progressão da dieta enteral Estratégias de fortificação do leite humano Triagem e manejo de citomegalovírus (CMV) Suplementação (vitaminas, sódio, LC-PUFAs) Uso de probióticos Os resultados foram descritos de forma descritiva (números e porcentagens), sem comparações estatísticas inferenciais. O desenho permitiu comparação com inquérito semelhante realizado em 2010.  Resultados Responderam 185/257 UTINs (72%).  Leite humano doado (LHD) 91% das UTINs tinham acesso a LHD. 41% possuíam banco próprio; 50% dependiam de banco externo; 9% não tinham acesso.  Início da dieta enteral: Início no primeiro dia de vida: <25 semanas: 64% 25–27 semanas: 73% 28–31 semanas: 85% Houve variação regional importante, com início mais precoce na Europa Central e do Norte.  Fortificação do leite humano: 88% utilizavam fortificante à base de leite bovino rotineiramente. Apenas 4% utilizavam fortificante derivado de leite humano de forma rotineira. Grande variação no volume enteral para início da fortificação (60–150 mL/kg/dia). Critérios para suspensão variaram amplamente (peso entre 2–5 kg ou idade pós-menstrual entre 34–52 semanas).  CMV 33% realizavam rastreio sorológico materno para CMV. Entre essas, leite materno era pasteurizado ou congelado se mãe soropositiva. 16% investigavam rotineiramente transmissão pós-natal de CMV.  Suplementação Vitaminas adicionais: condutas heterogêneas. Sódio: maioria suplementava apenas se hiponatremia; 35% no Norte da Europa suplementavam rotineiramente. LC-PUFAs: apenas 3% utilizavam rotineiramente.  Probióticos 66% das UTINs utilizavam probióticos rotineiramente. Grande variação quanto a critérios de idade gestacional e peso. Produtos multicepas mais citados: ProPrems, Infloran, Labinic e FloraBABY.  Discussão Comparado a 2010, houve: Maior início de dieta no dia 1 Maior acesso a LHD Maior uso rotineiro de fortificante bovino Entretanto, persiste grande variabilidade internacional nas práticas de: Início e progressão alimentar Estratégias de fortificação Rastreamento e manejo de CMV Uso e critérios para probióticos Suplementação com LC-PUFAs O artigo destaca que, embora metanálises sugiram redução de ECN e mortalidade com determinados probióticos, há incerteza em prematuros extremos e preocupação regulatória (FDA). Quanto aos LC-PUFAs, metanálises recentes não demonstraram benefício consistente em desfechos maiores, com possível aumento de displasia broncopulmonar em alguns estudos, embora combinações balanceadas de DHA/ARA possam reduzir retinopatia da prematuridade grave. Os autores ressaltam limitações inerentes a estudos por questionário e possível viés de resposta.  Conclusão As práticas de nutrição enteral em prematuros evoluíram na última década, com maior início precoce da alimentação e maior disponibilidade de leite humano doado. Contudo, permanece ampla variabilidade internacional em fortificação, uso de probióticos, suplementação e políticas relacionadas ao CMV. Os autores defendem fortalecimento da base de evidências para harmonização de diretrizes, visando otimizar crescimento e neurodesenvolvimento a longo prazo.  Insights clínicos  A maioria das UTINs inicia dieta enteral no primeiro dia de vida em prematuros extremos? Sim. 64% iniciam no dia 1 em <25 semanas, com maior frequência na Europa Central e do Norte. O fortificante de leite humano mais utilizado é de origem bovina? Sim. 88% utilizam fortificante bovino rotineiramente; fortificante derivado de leite humano é raro (4%). Existe consenso sobre quando iniciar a fortificação? Não. O início variou amplamente entre 60 e 150 mL/kg/dia. O rastreio materno para CMV é prática universal? Não. Apenas 33% das UTINs realizam rastreio rotineiro. Probióticos são amplamente utilizados? Sim. 66% utilizam rotineiramente, porém com grande heterogeneidade de critérios e produtos. A suplementação com LC-PUFAs é prática comum? Não. Apenas 3% das UTINs utilizam rotineiramente, possivelmente devido à evidência inconsistente. Para ver mais conteúdos como este, acesse: NeoPed Hub

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