Rastreamento de hipertensão pulmonar em prematuros com displasia broncopulmonar: quando realizar, com que frequência e qual o impacto? Sobre o artigo A hipertensão pulmonar associada à displasia broncopulmonar (DBP-HP) representa o fenótipo mais grave da DBP e está associada a maior morbimortalidade em prematuros extremos. Estima-se que cerca de 20% dos lactentes com DBP desenvolvam hipertensão pulmonar. As diretrizes atuais recomendam rastreamento com ecocardiograma por volta de 36 semanas de idade pós-menstrual em prematuros com DBP que ainda necessitam de suporte respiratório ou oxigênio. Entretanto, permanece incerta a melhor estratégia de rastreamento em relação ao momento ideal e à frequência dos exames. Este estudo avaliou o desempenho diagnóstico de diferentes estratégias de rastreamento ecocardiográfico durante a hospitalização de prematuros, com o objetivo de determinar quando iniciar o rastreamento e se exames seriados aumentam a detecção de DBP-HP. Métodos utilizados Estudo de coorte retrospectivo conduzido em um único centro entre 2017 e 2023 na University of Alabama at Birmingham. População Foram incluídos recém-nascidos: com idade gestacional <29 semanas que permaneciam em suporte respiratório às 36 semanas de idade pós-menstrual. Foram excluídos: recém-nascidos com anomalias congênitas ou síndromes genéticas. Protocolo de rastreamento O protocolo institucional incluía: ecocardiograma inicial no dia 28 de vida repetição mensal até a alta ou resolução do suporte respiratório. A hipertensão pulmonar foi definida por critérios ecocardiográficos como: fluxo bidirecional por forame oval ou canal arterial achatamento do septo interventricular com índice excêntrico >1,2 regurgitação tricúspide >2,5 m/s. Estratégias de rastreamento comparadas Quatro estratégias foram avaliadas: Rastreamento precoce: exames entre 28 dias de vida e 36 semanas de idade pós-menstrual Rastreamento único: ecocardiograma único entre 34 e 38 semanas Rastreamento tardio: exames a partir de 36 semanas até a alta Rastreamento abrangente: exames seriados desde o dia 28 até a alta Foram calculadas sensibilidade e valor preditivo negativo dos ecocardiogramas ao longo da hospitalização. Resultados Foram analisados 394 prematuros elegíveis: 258 desenvolveram DBP sem hipertensão pulmonar 136 desenvolveram DBP-HP No total, 2542 ecocardiogramas foram avaliados. Características dos pacientes com DBP-HP: menor idade gestacional (24 vs 26 semanas) menor peso ao nascer maior exposição a óxido nítrico inalatório e corticoides maior frequência de canal arterial persistente. A detecção de DBP-HP variou conforme a estratégia de rastreamento: rastreamento abrangente: 34,5% rastreamento precoce: 20,0% rastreamento único: 15,0% rastreamento tardio: 30,7% A sensibilidade do ecocardiograma aumentou progressivamente após 36 semanas de idade pós-menstrual e após aproximadamente 100 dias de vida. Mais da metade dos casos de DBP-HP foram diagnosticados após 36 semanas, e muitos ocorreram após 40 semanas de idade pós-menstrual. Discussão Os resultados sugerem que o rastreamento baseado apenas em um ecocardiograma único às 36 semanas possui sensibilidade limitada para identificar DBP-HP. O rastreamento tardio com ecocardiogramas seriados após 36 semanas apresentou desempenho semelhante ao rastreamento abrangente desde 28 dias, identificando número semelhante de casos clinicamente relevantes. Embora o rastreamento precoce permita identificar subgrupos de maior risco mais cedo, a detecção precoce não se associou a melhora em mortalidade ou persistência de hipertensão pulmonar na alta. Outro achado relevante foi que estratégias baseadas apenas em DBP moderada ou grave poderiam perder até 40% dos casos de DBP-HP. Os autores também destacam que exames seriados são preferíveis a um único ecocardiograma, pois a doença pode se desenvolver mais tardiamente durante a hospitalização. Conclusão O rastreamento ecocardiográfico iniciado às 36 semanas de idade pós-menstrual e repetido mensalmente até a alta hospitalar pode representar a estratégia mais eficiente para detecção de hipertensão pulmonar associada à displasia broncopulmonar. Essa abordagem apresenta desempenho diagnóstico semelhante ao rastreamento iniciado precocemente, com menor número de exames desnecessários e maior custo-efetividade. Entretanto, ainda são necessários estudos adicionais para determinar se estratégias alternativas de rastreamento podem melhorar desfechos clínicos nessa população de alto risco. Insights clínicos Um único ecocardiograma às 36 semanas é suficiente para rastrear hipertensão pulmonar na DBP? Não. O estudo demonstrou baixa sensibilidade desse método, com vários casos diagnosticados posteriormente. Quando o rastreamento ecocardiográfico se torna mais sensível? A sensibilidade aumenta significativamente após 36 semanas de idade pós-menstrual. Qual estratégia de rastreamento parece mais eficiente? Ecocardiograma iniciado às 36 semanas com repetição mensal até a alta hospitalar. Vale a pena rastrear apenas DBP moderada ou grave? Não. Estratégias seletivas podem perder até cerca de 40% dos casos de DBP-HP. Diagnóstico precoce melhora desfechos? Neste estudo, a identificação precoce permitiu iniciar tratamento mais cedo, porém não houve redução significativa na mortalidade ou persistência da doença na alta. Para ver mais conteúdos como este, acesse: NeoPed Hub
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