Melhoria do Uso de Anti-histamínicos Orais em um Hospital Pediátrico Sobre o Artigo Os anti-histamínicos são amplamente utilizados no manejo de urticária, angioedema, rinite alérgica, prurido e anafilaxia. Apesar das recomendações atuais favorecerem os anti-histamínicos de segunda geração, especialmente a cetirizina, medicamentos de primeira geração como difenidramina e hidroxizina continuam sendo utilizados com frequência. Os anti-histamínicos de primeira geração estão associados a maior incidência de efeitos adversos, incluindo sedação, hiperatividade paradoxal, prejuízo cognitivo, pior desempenho escolar e risco aumentado de intoxicação. Em contrapartida, a cetirizina apresenta eficácia semelhante, maior duração de ação e melhor perfil de segurança. O objetivo deste projeto foi reduzir em 50% o uso de anti-histamínicos de primeira geração entre pacientes pediátricos que recebiam anti-histamínicos no pronto-socorro pediátrico e nas enfermarias, mantendo os resultados ao longo do tempo. Métodos Utilizados Estudo de melhoria da qualidade realizado entre 2022 e 2024 em um hospital pediátrico terciário dos Estados Unidos. Foi utilizada a metodologia Model for Improvement com ciclos PDSA (Plan-Do-Study-Act). As principais intervenções incluíram: Educação multiprofissional para médicos, residentes, enfermeiros e farmacêuticos Distribuição de materiais educativos e lembretes visuais Disponibilização facilitada da cetirizina nos sistemas de dispensação de medicamentos Atualização de protocolos clínicos institucionais para recomendar cetirizina como anti-histamínico oral preferencial Feedback contínuo aos prescritores Foram avaliados pacientes entre 6 meses e 21 anos que receberam anti-histamínicos orais no pronto-socorro pediátrico ou durante internação. Resultados Foram analisados: 5.699 pacientes no pronto-socorro pediátrico 1.299 pacientes internados Principais achados: Pronto-socorro pediátrico Uso de anti-histamínicos de primeira geração caiu de 74% para 28% Redução relativa de 62% Resultado sustentado por 8,5 meses Uso de cetirizina aumentou de 31% para 75% Pacientes internados Uso de anti-histamínicos de primeira geração caiu de 54% para 36% Redução relativa de 33% Resultado sustentado por 9 meses Uso de cetirizina aumentou de 54% para 74% Conhecimento dos profissionais Escore mediano de conhecimento aumentou de 50% para 100% após as sessões educativas Houve aumento da confiança dos profissionais na escolha do anti-histamínico adequado Desfechos de segurança Não houve aumento das revisitas ao pronto-socorro em 48 horas Não houve aumento do tempo de internação Custos Houve aumento discreto dos custos mensais relacionados aos anti-histamínicos devido ao maior uso de formulações pré-preenchidas de cetirizina. Discussão A combinação de múltiplas intervenções mostrou-se eficaz para modificar hábitos de prescrição consolidados. Os autores destacam três fatores fundamentais para o sucesso: Educação contínua dos profissionais Disponibilidade imediata da cetirizina nos locais de atendimento Atualização dos protocolos institucionais A participação ativa de residentes e farmacêuticos foi considerada essencial para sustentar a mudança de comportamento clínico. Apesar do aumento dos custos diretos dos medicamentos, os autores consideram o impacto financeiro pequeno diante dos benefícios relacionados à segurança e redução dos efeitos adversos associados aos anti-histamínicos de primeira geração. Conclusão Uma estratégia institucional multifacetada foi capaz de reduzir significativamente o uso de difenidramina e hidroxizina em ambiente hospitalar pediátrico, aumentando a utilização da cetirizina sem prejuízo para a segurança dos pacientes. Os resultados reforçam as recomendações atuais de priorizar anti-histamínicos de segunda geração como primeira escolha em crianças, sempre que clinicamente apropriado. Insights Clínicos A cetirizina é tão eficaz quanto a difenidramina para reações alérgicas? Sim. O estudo reforça evidências prévias de eficácia semelhante, com melhor perfil de segurança e duração de ação mais prolongada para a cetirizina. O aumento do uso da cetirizina elevou o número de retornos ao pronto-socorro? Não. As taxas de revisita em até 48 horas permaneceram estáveis após a intervenção. O uso de cetirizina aumentou o tempo de internação? Não. O tempo médio de permanência hospitalar permaneceu inalterado. Qual foi a intervenção mais importante? Os resultados sugerem que a combinação entre educação, atualização dos protocolos e disponibilidade imediata da cetirizina foi responsável pela mudança sustentada na prática clínica. Ainda existe espaço para anti-histamínicos de primeira geração? Sim. Em situações específicas em que os efeitos sedativos, ansiolíticos ou antieméticos sejam desejáveis, esses medicamentos podem continuar tendo indicação clínica. Para ver mais conteúdos como este, acesse: NeoPed Hub
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