Os efeitos da submissão e da exposição à violência do mundo real e virtual na infância e adolescência Sobre o Artigo Este artigo de revisão discute como a exposição direta ou indireta à violência, tanto no mundo real quanto no ambiente virtual, interfere na formação da personalidade, dos valores e do desenvolvimento neuropsicomotor de crianças e adolescentes. A autora enfatiza que a construção da identidade ocorre a partir dos modelos observados no ambiente familiar e social, tornando a violência um fator de risco importante para a naturalização do sofrimento, da agressividade e da violação de direitos. O trabalho destaca que a violência pode ser vivenciada por agressão direta, testemunho, convivência ou participação em situações violentas, gerando repercussões duradouras sobre a saúde física e mental. Métodos Utilizados Trata-se de uma revisão bibliográfica narrativa sobre a exposição de crianças e adolescentes à violência no mundo real e virtual. Além da revisão da literatura, foram considerados dados observados em casos de crianças e adolescentes vítimas de violências graves e gravíssimas atendidos pelo Programa DEDICA (Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente), em Curitiba, durante o primeiro semestre de 2025. Resultados Os principais achados apresentados incluem: A Organização Mundial da Saúde estima que aproximadamente 1 bilhão de crianças sofre algum tipo de violência anualmente em todo o mundo. A exposição precoce à violência pode comprometer o desenvolvimento cerebral e afetar diversos sistemas orgânicos, com consequências ao longo da vida. Cerca de 150 milhões de adolescentes entre 13 e 15 anos já sofreram violência entre pares no ambiente escolar. A violência intrafamiliar apresenta elevado potencial de causar sequelas físicas, emocionais e comportamentais permanentes. A exposição frequente a conteúdos violentos na mídia está associada a medo, ansiedade, depressão, sintomas relacionados ao estresse pós-traumático e alterações cognitivas. No ambiente digital, crianças e adolescentes estão cada vez mais expostos a conteúdos violentos, exploração sexual, discursos de ódio, desafios perigosos e processos de radicalização. Estudos apontam que a exposição repetida à violência favorece o surgimento de comportamentos agressivos, redução da empatia e maior tolerância à violência. Discussão A autora argumenta que a violência, quando vivenciada de forma contínua, deixa de ser percebida como algo excepcional e passa a ser incorporada como parte normal da vida cotidiana. Esse processo de dessensibilização e normalização reduz a capacidade de indignação e aumenta a aceitação de comportamentos agressivos. A violência intrafamiliar é considerada a mais prejudicial, pois ocorre justamente no ambiente que deveria oferecer cuidado, proteção e desenvolvimento saudável. Nesses contextos, a criança pode interpretar agressões físicas, psicológicas ou sexuais como formas legítimas de afeto, educação ou relacionamento. No mundo virtual, a ausência de supervisão adequada amplia a vulnerabilidade a conteúdos nocivos, crimes cibernéticos, exploração sexual e estímulos à violência. A inteligência artificial, as redes sociais e plataformas digitais potencializam a disseminação de conteúdos violentos e a manipulação de usuários jovens. A exposição precoce, intensa e prolongada à violência está associada a alterações emocionais, cognitivas e comportamentais, incluindo medo persistente, insegurança, isolamento, agressividade e diminuição da empatia. Conclusão A submissão, convivência, testemunho ou participação em situações de violência durante a infância e adolescência pode provocar distorções significativas na percepção do mundo, dos relacionamentos e dos valores humanos. O artigo reforça a necessidade de que pediatras incluam rotineiramente orientações sobre prevenção da violência e uso seguro das telas nas consultas de puericultura, desde o período pré-natal. Também destaca a importância da identificação precoce de sinais de exposição à violência e da implementação de medidas de proteção familiar, social e legal. Insights Clínicos A exposição indireta à violência pode causar danos à saúde mental? Sim. O testemunho frequente de violência, seja presencialmente ou por meios de comunicação, pode gerar medo, ansiedade, sintomas relacionados ao estresse pós-traumático, insegurança e alterações comportamentais. Por que a violência intrafamiliar é considerada a mais grave? Porque ocorre dentro do ambiente que deveria garantir proteção e cuidado. Além das agressões diretas, compromete a formação de vínculos seguros e distorce os modelos de relacionamento da criança. Quais sinais podem sugerir sofrimento psíquico relacionado à exposição à violência? Medo persistente, insegurança, isolamento social, angústia, fobias, perda de confiança no ambiente e alterações comportamentais podem indicar exposição a situações violentas. O ambiente digital pode aumentar o risco de violência? Sim. Crianças e adolescentes podem ser expostos a conteúdos violentos, exploração sexual, desafios perigosos, discursos de ódio e processos de radicalização por meio de redes sociais e plataformas digitais. Quais orientações devem fazer parte das consultas pediátricas? Os pediatras devem investigar possíveis exposições à violência, orientar responsáveis sobre supervisão do uso de telas, limitar conteúdos inadequados e promover estratégias de proteção física e emocional. A exposição contínua à violência pode reduzir a empatia? Sim. O artigo destaca que a repetição de conteúdos violentos favorece a dessensibilização emocional, reduz a empatia e aumenta a tolerância a comportamentos agressivos. Para ver mais conteúdos como este, acesse: NeoPed Hub
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