Diarreia particularmente grave em lactentes jovens com Klebsiella spp. isolada nas fezes: série de casos

Fonte: The Pediatric Infectious Disease Journal

Diarreia particularmente grave em lactentes jovens com Klebsiella spp. isolada nas fezes: série de casos Sobre o artigo A presença de Klebsiella spp. em coproculturas de lactentes costuma ser interpretada como colonização intestinal. Entretanto, existem poucos dados avaliando seu potencial papel como agente etiológico de gastroenterite grave em lactentes previamente saudáveis. O estudo descreve quatro casos de lactentes menores de três meses internados com diarreia intensa, nos quais Klebsiella spp. foi o único microrganismo isolado nas fezes, buscando discutir sua possível relevância clínica como patógeno entérico. Métodos utilizados Foi realizada uma série de casos retrospectiva envolvendo quatro lactentes previamente saudáveis, nascidos a termo e com menos de três meses de idade, hospitalizados entre 2016 e 2024 por diarreia grave. Os critérios de inclusão compreenderam: Idade inferior a três meses; Diarreia grave com necessidade de internação superior a sete dias; Isolamento predominante ou em monocultura de Klebsiella spp. nas fezes; Exclusão de outros agentes infecciosos virais e bacterianos; Exclusão de causas não infecciosas de diarreia. Os autores também revisaram registros hospitalares de 2020 a 2024 para identificar outros lactentes com isolamento fecal de Klebsiella spp.. Resultados Foram avaliados quatro lactentes com idade entre sete e nove semanas, previamente hígidos e sem exposição prévia a antibióticos. Os principais achados clínicos incluíram: Diarreia aquosa profusa em todos os pacientes; Letargia e importante comprometimento do estado geral; Vômitos em dois pacientes; Febre em um paciente; Muco e/ou sangue nas fezes em três crianças; Estruturas semelhantes a pseudomembranas em um caso. As perdas hídricas atingiram até 36,4% do peso corporal, exigindo reposição volêmica intensiva. Achados laboratoriais relevantes: Elevação de marcadores inflamatórios em todos os pacientes; Lactato elevado; Metemoglobinemia em todos os casos; Acidose metabólica hiperclorêmica em dois pacientes; Distúrbios importantes de coagulação em um lactente. As coproculturas identificaram: Klebsiella pneumoniae em três casos; Klebsiella oxytoca em um caso. Nenhum outro patógeno foi detectado. Todos receberam antibioticoterapia intravenosa, predominantemente cefalosporinas, apresentando melhora clínica após sua introdução. O tempo de internação variou entre 11 e 24 dias. Três pacientes permaneceram assintomáticos no seguimento. Discussão Os autores destacam que Klebsiella spp. integra habitualmente a microbiota intestinal infantil, dificultando a distinção entre colonização e infecção verdadeira. Alguns aspectos fortalecem a hipótese de papel patogênico nos casos descritos: Quadro clínico extremamente grave; Ausência de etiologia alternativa identificável; Crescimento abundante ou em monocultura de Klebsiella spp.; Presença de resposta inflamatória sistêmica; Melhora clínica consistente após antibioticoterapia. A idade muito precoce pode representar importante fator predisponente devido à imaturidade imunológica e maior susceptibilidade à desidratação grave. Outro achado relevante foi a presença universal de metemoglobinemia. Os autores sugerem que a inflamação intestinal causada por bactérias Gram-negativas e alterações da microbiota possam favorecer a formação de nitritos, levando à oxidação da hemoglobina. Entretanto, esse mecanismo permanece especulativo. Diagnósticos diferenciais considerados incluíram: Síndrome da enterocolite induzida por proteínas alimentares (FPIES); Diarreia congênita por cloro; Gastroenterites virais. Essas condições foram consideradas improváveis com base na evolução clínica e nos exames complementares. Conclusão Klebsiella spp. pode atuar como agente causador de gastroenterite grave em lactentes jovens, produzindo perdas hídricas importantes, elevação de marcadores inflamatórios e metemoglobinemia. Os autores defendem a realização de estudos adicionais para esclarecer o potencial patogênico intestinal dessas bactérias, identificar fatores de virulência envolvidos e definir o papel da antibioticoterapia direcionada nesses pacientes. Insights clínicos A presença de Klebsiella spp. na coprocultura de um lactente com diarreia deve ser sempre considerada colonização? Não. Em lactentes jovens com diarreia grave, isolamento em monocultura, marcadores inflamatórios elevados e ausência de outros patógenos, Klebsiella spp. pode representar um agente etiológico verdadeiro. A metemoglobinemia pode estar associada à gastroenterite por Klebsiella? Neste estudo, todos os pacientes apresentaram metemoglobinemia, sugerindo possível relação entre inflamação intestinal, disbiose e aumento da produção de nitritos. Quando considerar antibioticoterapia em lactentes com isolamento fecal de Klebsiella spp.? Os autores observaram melhora clínica após introdução de antibióticos em pacientes com diarreia grave persistente, embora estudos maiores sejam necessários para definir recomendações terapêuticas. Para ver mais conteúdos como este, acesse: NeoPed Hub

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