Impacto da Mudança na Iniciação da Vacina contra HPV para 9-10 anos Sobre o artigo A vacinação contra o papilomavírus humano (HPV) é uma estratégia essencial para prevenção de cânceres associados ao vírus. Apesar da disponibilidade de uma vacina segura e altamente eficaz, a cobertura vacinal entre adolescentes permanece abaixo das metas estabelecidas nos Estados Unidos. Em 2024, 78,2% dos adolescentes de 13–17 anos haviam iniciado a vacinação, enquanto 62,9% estavam com o esquema atualizado. Embora a recomendação de rotina do Advisory Committee on Immunization Practices (ACIP) estabeleça tradicionalmente o início aos 11–12 anos, a vacinação pode começar a partir dos 9 anos. A American Academy of Pediatrics (AAP) recomenda desde 2019 que a série seja iniciada entre 9 e 12 anos, em uma idade considerada pelo profissional adequada para favorecer aceitação e conclusão do esquema. A antecipação apresenta uma vantagem potencial: cria mais oportunidades de vacinação em consultas de rotina antes dos 13 anos. Entretanto, permanecia a dúvida sobre se recomendar a vacina aos 9–10 anos poderia aumentar dúvidas, resistência ou hesitação dos pais e prolongar a conversa durante a consulta. O objetivo do estudo foi avaliar, durante 36 meses, a percepção dos profissionais sobre a experiência de antecipar o início da vacinação contra HPV para 9–10 anos em comparação ao início aos 11–12 anos, particularmente em relação à aceitação parental, hesitação vacinal, conteúdo e duração das conversas. Métodos utilizados O estudo integra o HPV Early Intervention Trial, ensaio clínico pragmático, randomizado por conglomerados, realizado em 31 práticas pediátricas do Colorado e da Califórnia, nos Estados Unidos. Foram incluídas práticas que anteriormente iniciavam rotineiramente a vacinação contra HPV aos 11–12 anos e que atendiam pelo menos 100 pacientes ativos entre 9 e 13 anos. As práticas foram randomizadas para: Grupo intervenção (16 práticas): recomendação de início da vacina contra HPV aos 9–10 anos. Grupo controle (15 práticas): manutenção do início aos 11–12 anos, representando cuidado usual aprimorado. No início do estudo havia 218 profissionais participantes: 163 médicos (75%) e 55 profissionais classificados como advanced practice nurses ou physician assistants (25%). Todos os participantes receberam treinamento on-line sobre estratégias de comunicação e melhoria do fluxo de vacinação contra HPV. No grupo intervenção, o treinamento incluiu especificamente os potenciais benefícios do início aos 9 anos. Os profissionais responderam questionários após 1, 6, 12, 18, 24, 30 e 36 meses. As taxas de resposta foram superiores a 80% nos dois estados na maioria das avaliações, com médias de 85% no Colorado e 88% na Califórnia. Foram avaliados: idade de início da recomendação da vacina; dúvidas e preocupações dos pais; resistência parental; duração das conversas; adesão às recomendações; hesitação e recusa vacinal; capacidade do profissional de convencer pais hesitantes; abordagem de atividade sexual; problemas de disponibilidade da vacina e fluxo assistencial. As análises utilizaram regressão logística condicional e modelos de regressão logística com agrupamento por prática. Foi considerado estatisticamente significativo P < 0,05. Resultados A mudança para vacinação precoce apresentou alta adesão dos profissionais. Apenas um mês após o início da intervenção, 84% dos profissionais do grupo intervenção já recomendavam a primeira dose aos 9–10 anos. Aos 6 meses, essa proporção alcançou 96% e, ao final de 36 meses, chegou a 100%. No grupo controle, mais de 92% dos profissionais continuaram iniciando a vacinação aos 11–12 anos durante a maior parte do acompanhamento. Aceitação e resistência parental Não foram encontradas diferenças estatisticamente significativas entre os grupos quanto às principais dificuldades percebidas pelos profissionais, incluindo: preocupações ou perguntas dos pais; resistência à recomendação; hesitação ou recusa vacinal; adesão às recomendações; capacidade de convencer famílias hesitantes. Entre os profissionais do grupo intervenção, a percepção tornou-se progressivamente mais favorável ao início precoce. Comparando o primeiro com o 36º mês, aumentou a proporção que considerava haver, aos 9–10 anos: menos preocupações ou perguntas dos pais: 17% para 33%; menos resistência parental: 23% para 35%; conversas mais curtas: 24% para 40%; maior adesão dos pais à recomendação: 17% para 38%. Todas essas tendências foram estatisticamente significativas (P < 0,001). Hesitação vacinal Menos de 10% dos profissionais relataram que os pais recusavam frequentemente a vacinação contra HPV. Mais de três quartos consideravam conseguir, pelo menos algumas vezes ou frequentemente, convencer pais inicialmente hesitantes. O início aos 9–10 anos não esteve associado à percepção de aumento da hesitação quando comparado ao início aos 11–12 anos. Discussão sobre atividade sexual Poucos profissionais introduziam rotineiramente o tema da sexualidade ao recomendar a vacina. Essa proporção caiu de 17% no primeiro mês para 11% aos 36 meses. Entretanto, quando o profissional não introduzia o assunto, aproximadamente 60%–70% relataram que os próprios pais levantavam o tema algumas vezes ou frequentemente. Não houve diferença relevante entre iniciar a vacinação aos 9–10 ou aos 11–12 anos nesse aspecto. Tempo de discussão Um dos achados mais relevantes para a prática clínica foi a redução percebida no tempo necessário para discutir a vacina. Profissionais do grupo intervenção apresentaram maior probabilidade de relatar que o tempo de conversa havia diminuído desde o início do estudo: 55% no grupo de início aos 9–10 anos versus 37% no grupo de início aos 11–12 anos (P = 0,005). Entre os profissionais do grupo intervenção, 11% relataram grande redução e 44% pequena redução no tempo de discussão. No controle, esses percentuais foram 9% e 26%, respectivamente. Discussão Os resultados indicam que modificar uma prática previamente estabelecida e passar a recomendar a vacina contra HPV aos 9–10 anos foi factível e aceitável para os profissionais. Uma preocupação importante era que pais de crianças mais jovens apresentassem maior resistência por considerarem a vacinação precoce demais ou por associarem a vacina ao início da atividade sexual. Entretanto, os profissionais não perceberam aumento global de hesitação, resistência ou recusa. Embora cerca de 10%–20% dos profissionais, dependendo do momento da pesquisa, tenham relatado maior resistência parental aos 9–10 anos, os motivos incluíram preocupações com segurança, percepção de que a vacinação estaria sendo administrada “muito cedo” e falta de preparação dos pais para receber a recomendação nessa idade. Outro achado clinicamente relevante foi que antecipar a vacinação não
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